Valdir Rossoni: “Eu seria um bom governador”

Ao participar da assembleia com prefeitos da Amop (Associação dos Municípios do Oeste do Paraná), o chefe da Casa Civil e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, Valdir Rossoni, disse em entrevista ao Hoje que “seria um bom governador”, caso o seu nome fosse ventilado para postular o cargo hoje ocupado por Beto Richa. Na entrevista, ele também considerou importante a parceria com os municípios do Paraná e que também acredita em um diálogo para evitar que a greve dos professores da rede estadual ocorra a partir do dia 15 de março. Em relação ao Governo Paranhos, Rossoni falou ainda que o governo não olha o partido político, mas o interesse comum da população em prol do desenvolvimento da cidade.

 

Hoje: O senhor vem a Cascavel participar de um encontro com os novos gestores municipais. O que os municípios da região Oeste podem esperar do governo estadual, já que todos têm enfrentando uma situação complicada na busca de recursos para aplicar em seus municípios?

Valdir Rossoni: Venho a Cascavel para fomentar a troca de informação. Esse bom relacionamento com os prefeitos, faz com que o próprio Poder Público dê uma resposta rápida para a população. Um dos maiores problemas que enfrentamos é o emperramento da máquina pública. Dessa forma, procuramos estabelecer uma parceria dinâmica, rápida e ágil. O Governo do Paraná não quer essa parceria com o único propósito de usar o prefeito, mas sim, viabilizar recursos para esses municípios por intermédio de bons projetos. O Paraná está preparado para atender os municípios e o melhor caminho para isso é o diálogo. Venho também buscar sugestões dos prefeitos, uma postura importante, uma vez que cada caso é um caso. Tenho feito isso em todo o Estado do Paraná. Falo também aos prefeitos que em nenhum governo, eles tiveram tamanho respeito e atenção de um governador, como o do Beto Richa. Espero que essa atenção dê resultados positivos para a população.

 

Hoje: O senhor alimenta a esperança de que não haja paralisação dos professores da rede estadual no dia 15 de março?

Rossoni: Alimentamos a esperança, porque somos um Estado que oferecemos o melhor salário para essa categoria. É um feito, uma obrigação sim, mas diante das circunstâncias econômicas que o País atravessa, sem dúvida, é uma grande conquista pagar em dia os servidores. Agora, nos mês de janeiro, implantamos 75 mil promoções e progressões. Pagamos 1/3 das férias aos servidores. Estamos em dia, adotando duras e difíceis medidas de serem digeridas, mas sempre para salvaguardar o interesse do servidor público. Por isso, não cabe greve neste momento, porque do outro lado tem 11 milhões de paranaenses que não aguentam mais pagar impostos. Enquanto isso é um contracenso nós, servidores, entramos em greve em meio a maior crise dos últimos 50 anos do Brasil. Tenho certeza que os paranaenses vão nos ajudar, para que possamos ter um bom diálogo e não deixar se contaminar por interesses partidários. Digo isso porque temos um sindicato dos professores em que 100% são petistas – é um direito deles, mas não podem de forma alguma implantar o sistema petista no Governo do Paraná.

 

Hoje: Comerciantes têm reclamado do ritmo das obras de duplicação da BR-277 em Cascavel. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Rossoni: Recebi essa reclamação dos deputados estaduais André Bueno e Adelino Ribeiro e mandei verificar. Na verdade, a obra está na fase estrutural, passando a impressão de que as melhorias estão em um ritmo bem lento. Os operários estão colocando tubos e realizando agora a parte básica dos serviços. Mas no geral, a obra está caminhando de acordo com o que foi combinado e estabelecido no cronograma.

 

Hoje: Como será o tratamento do Governo do Paraná com o novo governo de Cascavel, agora sob a regência do prefeito Leonaldo Paranhos?

Rossoni: Não olhamos para o partido político, independente de o governo ter apoiado o Edgar Bueno. Aqui [Cascavel] é a cidade do Paraná que quando assumimos o governo, a cidade contava com 62% de saneamento. Hoje, esse percentual subiu para 96% de cobertura de saneamento básico. Viabilizamos recursos para Cascavel para praticamente zerar a cobertura asfáltica. Claro que não vai zerar, mas 99% estão asfaltadas. O mesmo tratamento dado ao então prefeito Edgar Bueno será dado agora ao novo governo de Leonaldo Paranhos. Não diferenciamos as pessoas por estar em partido política A ou B.

 

Hoje: O senhor aproveitou a presença em Cascavel para se reunir com os chefes dos núcleos do governo na região Oeste. Qual a finalidade desse encontro?

Rossoni: O objetivo desse encontro foi dar um alinhamento às ações do Governo do Paraná na região. Precisamos trabalhar, trabalhar e trabalhar, para superar antigos e novos desafios na política pública. Coordenamos a reunião, mas caberá a esses profissionais costurar a parceria entre Estado e municípios. Dependemos muito dessas pessoas atuantes em órgãos do governo estadual que terão a tarefa de realizar a fomentar atividades nos municípios de abrangência da região Oeste.

 

Hoje: A intrincada eleição para prefeito em Curitiba abalou o relacionamento do Governo do Estado com o PSC e PSD?

Rossoni: Não. Eleição é o seguinte: Cada um escolhe o seu lado. Por exemplo, vamos ter agora uma nova eleição para prefeito em Foz do Iguaçu e seremos adversários novamente. O PSD tem um candidato e nós iremos apoiar o Phelipe Mansur. Nada vai mudar o nosso relacionamento, pelo menos por parte do governador Beto Richa.

 

Hoje: O senhor é pré-candidato ao Governo do Paraná?

Rossoni: [risos] Nem sei o que eu sou. A candidatura, uma majoritária, não depende única e exclusivamente de mim. Se você me perguntasse se eu seria um bom governador, eu diria que sim. Porque sou firme, determinado e como empresário sei administrar. Eu seria um bom governador, aliando o conhecimento da iniciativa privada com o público. Mas tudo isso dependeria de eu contar com votos e eu não tenho votos.

Reportagem e foto: Vandré Dubiela

 

 

Deixe uma resposta