Sinal de alerta: Duas meninas desaparecem em Cascavel

Reportagem: Tissiane Merlak

 

Passados mais de 30 anos do desaparecimento de Adriano Marques da Silva, na época com oito anos, duas famílias de Cascavel vivem o drama e a agonia de não terem notícias de suas filhas na cidade. O primeiro caso é de Tatiele Terra Felipe, que há 100 dias saiu da casa da avó, no dia 13 de dezembro do ano passado, no Bairro Universitário, para buscar uma cortadeira e desde então está desaparecida.

Equipes especializadas do Sicride (Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas) de Curitiba já vieram duas vezes a Cascavel e devem voltar na próxima semana. A informação foi repassada à reportagem do Hoje pela delegada responsável pelo caso, Iara Laurek Dechiche.

Segundo ela, desde que Tatiele desapareceu as equipes continuam investigando onde a menina possa estar. “Na próxima semana uma equipe formada por psicóloga, artista forense, escrivã, cães de busca, irão a Cascavel para tentar descobrir o que de fato aconteceu”.

Conforme a delegada, os investigadores já foram até a cidade onde mora a mãe biológica da menina, São Jorge do Patrocínio; em Toledo onde ela possui familiares e em Cascavel. “Infelizmente não temos nenhuma notícia concreta de onde ela está. O que temos de informação é o que foi repassado pela avó, no momento do registro do Boletim de Ocorrência”.

No BO a avó disse que a menina chegou em casa depois de ter ido até a panificadora, dizendo que iria emprestar uma cortadeira a pedido de uma amiga. Como ela demorou, a avó foi atrás de Tatiele e não a encontrou. “Ela perguntou para a amiga sobre o pedido e a criança disse que não pediu nada a Tatiele. A menina mentiu e acreditamos que ela foi induzida a inventar essa história para sair de casa”.

Todas as pessoas que tinham contato com Tatiele foram ouvidas e ninguém sabe dizer para onde a menina foi. Familiares disseram que não havia ninguém “diferente” próximo da garota e que ela não possuía redes sociais. “É um caso que está nos intrigando bastante porque conversamos com os familiares, com amigos, profissionais da escola que ela frequentava e ninguém tem uma pista sequer”.

Questionada sobre denúncias de que algum homem pudesse ter abusado sexualmente da menina, a delegada disse que todas as hipóteses foram investigadas. “Ao longo desses dias estamos trabalhando com todas as possibilidades, inclusive dela estar morta. Imagens dela estão nas redes sociais, nos meios de comunicação, e até agora não obtivemos nenhuma informação concreta”.

Medo

Sem ter nenhuma pista do paradeiro de Tatiele, a delegada comenta que o grande medo é de que, caso esteja viva, a menina tenha saído do País. “Para ela fugir de casa precisaria de dinheiro, dos seus documentos. Tudo está na casa da avó. O nosso medo é dela ter sido pega por alguém que conversava pessoalmente com ela”.

Para Iara, por ser uma menina de 10 anos na época do desaparecimento, por ter um poder aquisitivo pequeno, ela possa ter sido iludida. “Pelo que a avó nos contou, o sonho dela era ir para Foz do Iguaçu visitar as Cataratas. Pode ser que alguém, sabendo desse desejo, a levou pra lá e atravessou com a menina para o Paraguai”.

Maníaco

Outra possibilidade que ainda não foi descartada é de que algum maníaco tenha abusado sexualmente de Tatiele. “Mas por outro lado se tivesse alguém com esse perfil, ele teria feito outras vítimas. Não necessariamente crianças, mas mesmo mulheres”.

De acordo com Iara, equipes das Polícias Civil e Militar em Cascavel questionaram pessoas do bairro sobre isso, mas ninguém sabe de nada. “Algumas pessoas não repassam informação, parece que não têm interesse de ajudar. Estão alheias ao fato”.

Ela cita um caso investigado pelo Sicride há alguns anos no Estado. “É de um homem que abusou e matou duas meninas em São Paulo e depois de algum tempo fez a mesma coisa em uma pequena cidade do norte pioneiro do Paraná. Então, tudo é possível”.

 

FAMÍLIA ACOLHEDORA

Rede de proteção investigará sumiço ou evasão de menina

 

Além de Tatiele, uma menina de 12 anos simplesmente desapareceu no dia 25 de janeiro deste ano. A adolescente faz parte do programa Família Acolhedora e, desde esse dia, não foi mais vista.

De acordo com o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Valdair Debus, ele soube do desaparecimento ou evasão da criança pela imprensa. “Toda a rede de proteção, que inclui o Conselho Municipal, Conselho Tutelar, serviços de saúde, deveria ter sido informada do fato, o que aconteceu somente agora quando os meios de comunicação tomaram conhecimento ficamos sabendo”.

Segundo ele, em um primeiro momento o Conselho Tutelar Leste foi oficiado, mas a família biológica da menina teria se mudado. “Aí nos foi repassado que eles fariam parte do Conselho Tutelar Sul. Entramos em contato por telefone, eles nos repassaram informalmente que localizaram a família, mas que a menina não está com eles”.

Agora, o procedimento será o encaminhamento de um ofício a todos os integrantes da rede para saber o que aconteceu com a menor. “Segundo a família, a criança não está junto deles, eles não tiveram contato com ela ao longo desse período. Estão sendo feitas buscas para tentar localizá-la, mas até agora nada”.

Questionado sobre a responsabilidade de cuidar da menor no caso de estar acolhida em um programa social, o Família Acolhedora, Debus disse que isso seria papel da família que a acolheu. “Não podemos dizer se ela está efetivamente desaparecida ou evadida do programa. Isso só poderá ser feito depois que todos os envolvidos no processo sejam ouvidos”.

 

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