Sete anos: Mortes no trânsito reduzem 32%

A série de atropelamentos registrada nos últimos dias que deixou vitimas fatais em Cascavel tem assustado a população. De um lado, os motoristas que estão um pouco mais cuidadosos ao ver um pedestre. De outro, os pedestres que destacam o excesso de velocidade dos veículos pelas ruas da cidade.

Mas apesar de já contabilizar 13 mortes no trânsito, entre ruas e rodovias, Cascavel apresentou uma queda de quase 32% no número de óbitos nos últimos sete anos. Segundo um levantamento feito pela reportagem do Hoje, tanto no Corpo de Bombeiros quanto nos dados coletados diariamente, houve uma redução no número de vítimas fatais.

Conforme os socorristas do Siate (Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência), até o dia 4 de abril foram oito mortes, uma vez que eles contabilizam apenas óbitos no local do acidente e não atendem todas as ocorrências em rodovias. Considerando os falecimentos que acontecem durante o encaminhamento ou ainda nas unidades de saúde, e as atendidas pelos socorristas da Ecocataratas na BR-277, por exemplo, coletados pelo Hoje, são 13 mortes em 2017. Já em 2010, por exemplo, foram oito mortes segundo os bombeiros e 19 no total considerando os outros fatores mencionados.

Das mortes registradas este ano, seis foram por atropelamento, três envolvendo um carro e uma motocicleta, duas vítimas de capotamento, e os acidentes tipo moto x caminhão e auto x ônibus deixaram uma pessoa morta cada.

 

Fatalidades

A última morte no trânsito foi registrada ontem, na BR-467, em frente a um posto de combustíveis, no bairro Brasília. De acordo com informações de testemunhas, Amadeus da Rocha Matos tentava ultrapassar a rodovia quando foi atingido por uma Fiat Strada, com placas de Cascavel.

Com o impacto da colisão, Amadeus voou e caiu na carroceria da pick-up e morreu na hora. Além do idoso, outro homem, que ainda não foi identificado, morreu na BR-467 na madrugada de terça-feira (4).

Outro óbito por atropelamento que chocou a sociedade foi a de uma criança de dois anos, a pequena Ester Jovelina Dalmazo Freitas, que foi atingida pela caminhonete do tio em frente a sua casa na semana passada no Bairro Santa Felicidade.  O homem havia parado para deixar o cartão do Vale-Sim e não viu quando a menina passou na frente da caminhonete.

Ainda no fim de semana, duas pessoas foram vítimas de um capotamento, ocorrido na PR-180, próximo a Rio do Salto. O motorista de um Del Rey, identificado como Maximino Lazarin, seguia com a esposa Adirte Maria Lazari para as Marinas de Boa Vista da Aparecida, onde teriam comprado uma casa, quando perdeu o controle da direção em uma curva, caiu em uma ribanceira e capotou.

 

Acidentes

Outro número considerado positivo foi a redução na quantidade de acidentes registrados pelo Corpo de Bombeiros. Segundo levantamento feito pelo Hoje, a queda foi de mais de 19% se comparado os anos de 2010 e 2017.

Em 2010, até o dia 4 de abril, haviam sido contabilizados 793 atendimentos e, este ano foram 642. A redução é ainda maior se comparado com 2012, por exemplo, em que foram registradas 802 colisões. Mas apesar da redução nos números, comparado com o ano passado, os acidentes em Cascavel em 2017 tiveram um ligeiro crescimento de pouco mais de 1%: em 2016 foram 635 e este ano 642.

De acordo com o gerente da divisão de fiscalização do trânsito da Cettrans (Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito), Alex Sandro Vitório, boa parte desses acidentes poderia ser evitada. “Com as várias campanhas de conscientização que são desenvolvidas constantemente, os usuários estão mais receosos e com isso a queda nos números é uma consequência. Cabe ressaltar que muito além das ações feitas ao longo dos anos, é preciso que tanto motoristas, ciclistas, pedestres, motociclistas, tenham cada vez mais atenção e, principalmente, sigam as normas de trânsito”.

Segundo ele, o sensível crescimento de 2016 para 2017 é resultado das mudanças feitas, por exemplo, na Avenida Brasil.

 

A gravidade

Questionado sobre a gravidade das colisões, que resultaram na morte de 13 pessoas em Cascavel, Vitório cita o excesso de velocidade. “A Cettrans não contabiliza os acidentes em rodovias, mas falando sobre as mortes na cidade, percebemos que muitas delas estão relacionadas com o excesso de velocidade ou ainda a imprudência”.

Nas vias arteriais, como, por exemplo, as ruas Paraná, Rio Grande do Sul e demais binários, o limite de velocidade é de 60km/h, nas demais, que são chamadas vias locais, o limite é de 40 km/h. “Se os motoristas seguissem de acordo com a lei, abaixo da velocidade máxima permitida, muitas dessas mortes não estariam nas estatísticas. Os acidentes podem ocorrer, mas se o condutor estiver na velocidade compatível da via, o impacto será bem maior”.

FISCALIZAÇÃO

Avanço de sinal cresce 31% em dois anos

Conforme dados das Cettrans (Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito), o avanço de sinal vermelho cresceu quase 31% no primeiro trimestre deste ano no comparativo com o primeiro trimestre de 2015. Este ano 5.803 motoristas já foram autuados e há dois anos eram 4.451 condutores.

Levando-se em conta dados do ano passado, por exemplo, o percentual é ainda maior, chegando a quase 90%. Em 2016 foram 3.056 motoristas infratores.

Segundo o gerente da divisão de fiscalização do trânsito da Cettrans (Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito), Alex Sandro Vitório, a diferença significante é porque no ano passado, devido ao processo licitatório e, consequentemente, a contratação de uma nova empresa de prestação de serviços de fiscalização eletrônica, alguns aparelhos ficaram por um tempo inoperantes. “Com isso os equipamentos de radar foram instalados gradativamente e, portanto, principalmente nos dois primeiros meses do ano passado, apenas alguns aparelhos estavam funcionando”.

Segundo dados da Cettrans em janeiro, fevereiro e março de 2015, 14.709 motoristas foram flagrados trafegando acima da velocidade permitida. Este ano, no mesmo período, o número caiu para 5.945.

Cabe ressaltar que, os motoristas autuados por avançar o sinal vermelho recebem multa no valor de R$ 293,47 e sete pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação), uma vez que se trata de uma infração gravíssima. Já os que gostam de pisar um pouco mais no acelerador podem ter que desembolsar até R$ 880,41. O que vai determinar o valor, a gravidade da infração e os pontos na CNH é o quanto o veículo excedeu o limite de velocidade. Caso seja em 20% a mais, a penalidade é de R$ 130,16, multa média e quatro pontos na carteira; de 20% a 50% o valor é R$ 195,23 e cinco pontos; já acima de 50% a infração é considerada gravíssima, com sete pontos na carteira e multa de R$ 880,41, além da apreensão da CNH e suspensão do direito de dirigir.

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