Sem opção: Produtores vão plantar mais trigo

 

Com o fim do zoneamento agrícola para o plantio do milho safrinha na região de Cascavel provocado pelo retardo da colheita da soja, muitos produtores tiveram que migrar de cultura no ciclo de inverno.

Com isso, a área destinada ao trigo no Núcleo Regional da Seab (secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento) de Cascavel vai aumentar quase 20% neste ano. Vai saltar dos 113,5 mil hectares para 135 mil hectares.

Não que esta seja uma decisão espontânea do produtor, isso deve ocorrer porque ele ficou sem opção, afinal de contas, até a semana passada algo em torno de 10% da soja que deveria ter sido colhida no começo do ano ainda estava sendo retirada do campo. Isso significa que somente na regional eram mais de 50 mil hectares da oleaginosa retardando os outros cultivos, ficando apenas o trigo como opção já que o plantio se inicia em maio.

Com isso, a produção de trigo que no ano passado foi de 382.280 toneladas, neste ano promete chegar, se os fatores climáticos contribuírem, as 425.250 toneladas. A boa noticia é que, se o desenvolvimento das lavouras se comportar como no ano passado, o cultivo deverá ser excelente, tanto em qualidade como em produção. “O que Aconteceu no ano passado ninguém consegue explicar porque houve muitas geadas, o clima não colaborou tanto assim e tivemos uma produção ótima, com uma excelente qualidade”, avalia o técnico do Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab de Cascavel, J. J. Pértille.

Por outro lado, a velha máxima da falta de incentivo governamental à cultura, como regulação de preço mínimo do trigo, por exemplo, faz com que os produtores desanimem ciclo após ciclo.

Para se ter ideia, apesar dos excelentes resultados no campo no ano passado cerca de seis meses depois da colheita mais de 30% do trigo produzidos na regional continuavam estocados, sem compradores. O que ocorre é que muitos industriais – moinhos – preferem importar o produto, sobretudo da Argentina, e pagam menos por ele. O que fica é a esperança por bom desempenho, preço e mercado.

Reportagem: Juliet Manfirn

Foto: Lorena Manarin

 

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