Segurança: PM espera mudanças na PEC

Reportagem: Tissiane Merlak

Foto: Vandré Dubiela

Considerada uma unidade prisional de segurança máxima, alvo de uma das rebeliões mais sangrentas do Estado, a PEC (Penitenciária Estadual de Cascavel) protagonizou, somente neste ano, de pelo menos dez tentativas de fuga dos encarcerados.

Os números são contabilizados pelo Hoje, baseados na divulgação da assessoria de imprensa do grupo SOE (Setor de Operações Especiais), que desde o ano passado atua nas unidades prisionais do Estado.

A PEC comporta atualmente mais de 800 detentos e, conforme a Sesp (Secretaria Estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária), não está na sua capacidade plena.

A segurança no local é feita pela Polícia Militar que, quando da transferência dos detentos da carceragem da 15ª SDP (Subdivisão Policial) em dezembro do ano passado, vistoriou a unidade. Porém, segundo o tenente-coronel Washington Lee, comandante do 5º CRPM (Comando Regional da Polícia Militar), a PEC possui uma falha arquitetônica gigantesca, que compromete e muito a segurança dos que trabalham na prisão.

Segundo o coronel, os problemas se iniciaram há mais de sete anos. “Em uma resolução, que está em vigor desde 2010, firmada entre a SEJU [Secretaria Estadual de Justiça] e a Sesp, determinou que o Depen [Departamento Penitenciário] iria assumir o serviço de escolta de presos e a guarda das chamadas muralhas”.

Ele disse ainda que, na resolução, ficou definido que a Polícia Militar deveria treinar os agentes do Depen para isso, com aulas de legislação, defesa pessoal, tiro, entre outras. “Iniciamos com 90 homens, que fariam o trabalho de multiplicadores e, a partir disso, o Depen assumiria essa parte que a PM está fazendo, inclusive dentro da casa deles. Não é nossa casa. Existe um jargão mundial que diz: “quem prende não guarda”. No mundo todo acontece isso, menos no Brasil”.

Além da guarda, que não seria de responsabilidade da PM desde então, o maior problema seria a disposição das guaritas onde ficariam os policiais militares na PEC. “Esse problema já tinha detectado quando, na ocasião da rebelião, e atuava como comandante do BOPE [Batalhão de Operações especiais] e ao entrar na PEC encontramos o policial totalmente cercado por presos rebelados, sem conseguir sair de lá”.

De nove para 90 dias

De acordo com o comandante, quando vistoriou a Penitenciária em dezembro do ano passado, se reuniu com a direção da unidade, apontou o problema e a direção pediu um prazo de nove dias para resolver a situação. “Ele pediu se, nesse prazo poderíamos colocar os policiais nas guaritas e eu disse que não e que, se eram nove dias apenas, deixaria toda a guarnição, inclusive com o reforço do Pelotão de Choque do lado de fora da unidade”.

Mas o prazo não foi cumprido. “Para minha surpresa, eis que aparece na minha mesa, via Secretaria de Segurança, um documento pedindo 90 dias de prazo. Não eram nove dias e sim 90. Já se passaram mais de 120 e ninguém moveu uma agulha”.

Questionado sobre como fica a segurança da estrutura prisional, o coronel disse que até que a mudança seja feita, as tropas ficarão do lado de fora. “No mínimo eu serei um assassino responsável se eu determinar que o policial fique na guarita. Eu vou dormir tranquilo na minha casa, enquanto sei que tem um policial num negócio daqueles? Negativo, fica do lado de fora”.

Lee destaca que além do policial precisar entrar na unidade para ter acesso à guarita, por estar abaixo do telhado não há visibilidade das equipes. “Elas têm um defeito de engenharia, ficam dentro das muralhas, é abaixo do telhado. Por onde tem fuga? Por onde tem rebelião? Pelo telhado, sempre. É ali que iniciam as rebeliões”.

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