Segura?: PM pede mudanças na PEC

Palco de uma das maiores tragédias envolvendo o sistema prisional do Estado, a PEC (Penitenciária Estadual de Cascavel) apresenta inúmeros problemas que impedem a segurança realizada por equipes da Polícia Militar e agentes penitenciários.

A constatação foi feita pelo tenente-coronel Washington Lee, comandante do 5º CRPM (Comando Regional de Polícia Militar) em Cascavel. Isso ocorreu antes mesmo da transferência dos cerca de 500 detentos que estavam na carceragem da 15ª SDP (Subdivisão Policial) em dezembro do ano passado.

De acordo com o tenente-coronel, um dos maiores problemas diz respeito às guaritas, que “foram construídas de forma errada”. “É um local totalmente sem visibilidade, abaixo do telhado e que dificulta, e muito, o trabalho dos policiais que fazem a guarda externa”.

Além disso, o acesso das equipes é feito pela parte interna da PEC, o que em casos de motim coloca os agentes em risco. “Em 2014, quando houve a rebelião na PEC, eu trabalhava no BOPE [Batalhão de Operações Especiais] e vi a dificuldade que as equipes tiveram para retirar o policial que fazia a guarda no local”.

Em uma visita feita após sua transferência para Cascavel, o coronel fez um documento, que entregou à SESP (Secretaria Estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária) solicitando modificações na unidade prisional. “Em um primeiro momento a Secretaria determinou um reforço na guarda externa, com equipes do Pelotão de Choque, por exemplo, fazendo rondas 24 horas do dia”.

Mudanças

Conforme o comandante, posteriormente deve ser feita alguma modificação na estrutura. “O importante é a segurança de todos os envolvidos, seja Polícia Militar, agentes, familiares, presos. Independente de ser feito um muro, construídas novas guaritas, é preciso mudar a estrutura do local”.

A reportagem do Hoje entrou em contato com a assessoria de imprensa da SESP questionando a respeito de quais mudanças podem ser feitas no local e, por meio de nota, a informação é que a direção da unidade penal busca viabilizar algumas mudanças solicitadas pela Polícia Militar. A direção esclarece ainda, que a segurança externa da penitenciária foi reforçada pela polícia, que realiza rondas no local.

Falta segurança, dizem agentes

Mas os agentes penitenciários reforçam a reclamação sobre a falta de segurança na PEC. “Não tem como ficar seguro aqui dentro, prova disso são as constantes apreensões de estoques e ilícitos feitas quase que diariamente pelo SOE [Setor de Operações Especiais]”, cita um agente que prefere não se identificar.

Segundo ele, o problema começou quando os presos foram colocados para trabalhar na obra de reforma da unidade. “Podem até dizer que havia revista, que tinha segurança, mas nós que estamos aqui dentro sabemos que tem muita coisa moçada [escondida] nas paredes”.

Reforma

Iniciada em dezembro de 2015, a PEC (Penitenciária Estadual de Cascavel) passou por uma reforma que durou quase um ano. Mais de R$ 1,9 milhão foi investido na reestruturação, que compreendeu reforma no telhado, instalação elétrica e hidráulica, pintura, além de serviço de metalúrgica nas grades e portas.

A unidade prisional teve 80% de sua estrutura danificada durante a rebelião de agosto de 2014, quando cinco pessoas foram mortas e outras 25 ficaram feridas em mais de 42 horas de motim.

Em dezembro do ano passado, após o término das obras, mais de 500 presos que estavam na carceragem da 15ª SDP (Subdivisão Policial) em Cascavel se somaram aos cerca de 300 que já estavam na PEC. Na semana passada a Justiça autorizou a transferência de alguns presos da 20ª SDP de Toledo para a PEC.

Com a conclusão da reforma az estrutura teria capacidade para abrigar mais de mil presos.

Tissiane Merlak

Foto: Vandré Dubiela

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