Saca da soja: Preço despenca 14%

Reportagem: Juliet Manfrin

Foto: Vandré Dubiela

 

Com uma safra excelente, tanto em produção quanto em qualidade, o que muitos produtores temiam aconteceu: o preço da saca de soja vem despencando dia após dia.

Com uma produtividade média estimada até o momento em 3.770 quilos por hectare, o Deral (Departamento de Economia Rural) calcula, ainda preliminarmente, que nos 28 municípios do Núcleo Regional da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento) de Cascavel devem ter sido colhidas mais de 2,1 milhões de toneladas da oleaginosa em 557.750 hectares. Área e cultivo como nunca se viu. Os dados estão sendo contabilizados pelo Deral e, segundo o técnico J. J. Pértille, os números são mesmo surpreendentes.

Ocorre que este excelente cenário à produção, conciliado ao anúncio de uma possível safra recorde que começa a ser plantada nos Estados Unidos, provocou a máxima da chamada lei da oferta e da procura. Quanto mais produto no mercado, menor o preço pago por ele.

O caminhoneiro autônomo José Freitas Dias está descontente. “Eu achava que com o começo da safra iria trabalhar muito, mas como o preço da saca está caindo, muita gente voltou atrás e não está vendendo a soja e os fretes despencaram também”, reforça.

Em pouco mais de um mês o preço pago pela saca caiu 14%. Na metade do mês de fevereiro ela estava cotada a R$ 66. No começo desta semana ela chegou aos R$ 56,50 com a expectativa de baixar ainda mais, conforme os dados oficiais da colheita forem divulgados. Em dezembro de 2016, os mesmos 60 quilos era cotados a R$ 69.

Venda antecipada

Arrependimento deve ter batido em muitos produtores que não efetuaram os contratos de venda futura, ou as vendas antecipadas, aquelas feitas antes mesmo do plantio em agosto e setembro do ano passado. Na época o valor médio pago por saca pelas cooperativas da região beiravam os R$ 67. Os especialistas indicam que pelo menos 25% sejam vendidos nestas modalidades, para bancar, por exemplo, o custo de produção.

Porém, os dados do Deral revelam que apenas 3,5%da estimativa de produção na época foram vendidos antecipadamente, o que resultou em 73.157 toneladas comercializadas antes do plantio. Na época o que os produtores imaginavam era uma supervalorização do produto no começo de 2017. O que evidentemente não ocorreu.

A tendência agora, para alguns especialistas de mercado, é que parte desta soja fique estocada em propriedades e cooperativas até os preços reagirem novamente. Por outro lado, como os armazéns são quase artigos de luxo, muitos sojicultores não poderão esperar muito tempo e deverão exportar este cereal a partir de abril e maio. Até porque, na metade do ano os silos precisam dar espaço ao milho safrinha que já deverá estar pronto para a colheita.

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