“Retirar presos das delegacias ainda é um grande desafio”, diz delegado-geral da Polícia Civil

Reportagem: Juliet Manfrin

Fotos: Lorena Manarin

Homem de referência da Polícia Civil do Paraná, atualmente o delegado Júlio Reis, que já comandou, entre outras funções a 15ª Subdivisão Policial de Cascavel, atua como delegado-geral da PC no Estado e fala ao Hoje da sua trajetória como agente da segurança pública em uma carreira de 25 anos.

Entre os principais desafios a serem vencidos, está a remoção de presos das carceragens em cadeias públicas. Há seis anos eram 14 mil, hoje permanecem nelas nove mil detentos. Júlio Reis defende ainda a otimização da tecnologia como aliada à segurança pública.

 

 

Hoje: Doutor Júlio, o senhor já está na Polícia Civil há muitos anos, poderia nos contar um pouco de sua trajetória?

 

Doutor Julio Reis: Estou na Polícia Civil há quase 25 anos. Desde que fui nomeado após a aprovação no concurso, atuei em diversas Comarcas, passando inclusive em algumas unidades de Cascavel, além de chefiar a 15ª SDP (Subdivisão Policial). Atuei no COPE (Centro de Operações Policiais Especiais), DENARC (Divisão Estadual de Narcóticos) e na Corregedoria, órgãos que foram fundamentais para adquirir experiência profissional.

 

Hoje: Durante este período, quais foram ou são os principais desafios encontrados?

 

Doutor Julio:

Como delegado meu principal desafio nesse período foi entrosar as minhas equipes para transformar nossa atuação em um trabalho de resultados satisfatórios e por várias ocasiões tivemos êxitos.

 

Hoje: Quanto à corporação, qual tem sido o maior desafio em todo o Paraná?

 

Doutor Júlio: Falando da Polícia Civil, agora como dirigente, o principal desafio que encontramos é buscar meios para melhorar o uso da tecnologia nas investigações, visando minimizar a dificuldade que todos estados passam quando se fala em recomposição do efetivo.  Um dos exemplos é uso da videoconferência para acelerar e dar mais credibilidade nos depoimentos e interrogatórios prestados em delegacias ou entre delegacias.   Outro desafio muito grande é a questão de presos em delegacias.  Em 2011 eram quase 14 mil presos em delegacias, hoje temos pouco mais de nove mil, mas ainda é um grande desafio atuar em investigações e tendo esse ônus da guarda dos presos.  Há fortes investimentos ocorrendo em construções de penitenciárias e isso devera abrir mais sete mil vagas, quase zerando esse problema.

 

Hoje: Qual o efetivo e a estrutura da PC no Paraná?

 

Doutor Júlio: O efetivo hoje, contando  os policiais concursados, alguns estagiários e cargos em comissão, somos em quase cinco mil servidores.

 

Hoje: Com frequência há reivindicações por melhores estruturas e mais policiais, há algum levantamento sobre a defasagem no Estado?

 

Doutor Júlio: No tocante a estrutura, estamos avançando muito. Novas delegacias sendo construídas. Novas viaturas em processo de aquisição, licitação já realizada. Novas e potentes armas compradas e sendo distribuídas e um plano de investimento milionário de recursos aportados pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) com contrapartida do Estado para ocorrer de 2017 a 2020.  Quanto à defasagem de policiais ela existe sim, mas devemos considerar que de todo nosso efetivo de policiais, mais de 40% foram contratados pelo Governo Beto Richa.

 

Hoje: Há novos concursos previstos?

 

Doutor Júlio: Estamos buscando a liberação de concurso público para a carreira de Escrivão de Polícia.

 

Hoje: Em Cascavel em dezembro foi desativada a carceragem da 15ª SDP. Quais são os planos e prazos sobre as melhorias do espaço e o que ele deverá comportar?

 

Doutor Júlio: Em Cascavel está previsto, com recursos do BID e do Estado, a construção de uma delegacia Cidadã, que é um novo conceito de unidade policial, sem carceragens para guarda de muitos presos e com um atendimento mais humanizado e respeitoso à população.  Com essa construção, a atual sede da 15ª SDP deve ter outra destinação ainda não definida.

 

Hoje: Há poucos dias o senhor recebeu uma comitiva da região Oeste que pedia a implantação de uma delegacia especializada na investigação de roubos de cargas em Cascavel, isso será possível?

 

Doutor Júlio: Realmente recebi  com muita honra os meus amigos Alci Rota e Wagner Pinto, respectivamente presidente da Acic e do Sintropar, os quais nos apresentaram o pleito da instalação de uma delegacia de roubo de cargas em Cascavel.   Explicamos que atualmente os policiais da 15ª SDP e da Delegacia de Roubo de Cargas de Curitiba deverão atuar em conjunto na repressão aos crimes dessa natureza na região Oeste, pois para implantarmos nova delegacia especializada demandaríamos aumento de efetivo que não está previsto para os próximos meses.

 

Hoje: Em 2017 a impressão que se tem é que a violência voltou a crescer no Estado e, também, em Cascavel. As investigações apontam para possíveis motivos? A crise pode ter uma relação direta?

 

Doutor Júlio: Existe um fenômeno nacional de aumento de crimes contra o patrimônio na maioria das cidades.  Números  da Capital referente a 2017 já são menores que em 2016.  Mas em alguns locais esse aumento ainda persiste no corrente ano, como é o caso de Cascavel.  A crise financeira pode ter repercussão nisso, mas também outros fatores como a legislação vigente e algumas dificuldades quanto à reincidência criminal podem afetar esses índices. Entretanto, há cobranças constantes e monitoramento para enfrentarmos essa realidade.

 

Hoje: O que os paranaenses podem esperar da Polícia Civil do Paraná?

 

Doutor Júlio: Os paranaenses podem depositar muita confiança na Polícia, pois temos trabalhado com muita austeridade e enorme ênfase visando o enfrentamento da criminalidade. Nós dependemos do envolvimento da sociedade, pois a nossa principal matéria-prima para o trabalho são as informações. Por isso é fundamental que a sociedade comunique as ocorrências criminais e denuncie, sempre que possível, os fatos que possam auxiliar nos trabalhos de investigação.

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