Resultados de 2016: A pior geração de empregos em dez anos

Desde 2006, início da série histórica do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, Cascavel não registrava um desempenho tão baixo na geração de empregos como no ano passado. Conforme levantamento,foram eliminados 3.455 postos formais de trabalho em 2016, resultado das 45.006 admissões menos os 48.461 desligamentos ocorridos de janeiro a dezembro.

O índice, conforme a gerente da Agência do Trabalhador de Cascavel, Maristela Becker, é reflexo de um ano muito difícil, que impactou diretamente no número de vagas disponíveis na unidade. “De fato, o ano de 2016 foi difícil na geração de empregos. A Agência do Trabalhador de Cascavel, até o primeiro semestre de  2015, sempre trabalhou com uma média de 600 vagas/dia, e em 2016, bem como em janeiro de 2017, registrou 100 vagas/dia”, relata.

A justificativa é simples, porém longe de ser solucionada. “A queda se justifica pela crise econômica e política que o País tem passado. Áreas como a construção civil, indústria [da transformação] e comércio praticamente demitiram mais do que contrataram durante todo o ano passado. O que equilibrou a geração de empregos na região Oeste foi a agropecuária e serviços”, explica Maristela.

 

Números

O saldo negativo de Cascavel durante todo o ano passado, de -3.455, foi impulsionado pelo setor de serviços, que extinguiu 1.052 ocupações formais de trabalho em 2016. Somente neste segmento foram registradas 16.423 demissões em 12 meses ante as 15.371 contratações. Em seguida está o comércio, com 701 postos encerrados, a agropecuária (-564), a indústria da transformação (-451), construção civil (-389), administração pública (-331) e extrativa mineral (-6). Dos oito setores analisados pelo Caged, apenas as vagas relacionadas aos serviços industriais de utilidade pública é que permaneceram com 39 vagas em estoque, com uma variação de 8,67% em relação a 2015.

A retração começou a ser sentida ainda em 2015, quando o ano fechou com saldo de –1.684, o primeiro resultado negativo de Cascavel durante o período em análise. As demissões ocorreram principalmente na indústria da transformação (-1.060), construção civil (-447) e comércio (-432).

Os melhores resultados, por sua vez, ocorreram em 2010 e 2011. Respectivamente, os saldos anuais ficaram em +6.607 e +5.553, conforme o Caged. Nos dois períodos, a geração de empregos ficou por conta da indústria da transformação, comércio e serviços.

 

Será que melhora?

Com o fim do primeiro bimestre do ano, muitos ainda aguardam uma oportunidade. “Tenho experiência em áreas como eletricista, pintor, operador de empilhadeira, mas a situação está bem difícil. O jeito é fazendo bicos até que um novo trabalho apareça”, conta Alex Sandro Vilaca, que há seis meses está desempregado.

Caso as perspectivas para 2017 se concretizem, a procura de Alex Sandro e outras milhares de pessoas não deve durar muito. Isso porque segundo Maristela, a previsão é de que haja uma melhora gradativa em relação à geração de emprego, principalmente para o segundo semestre do ano. “Tanto que os trabalhadores, na sua grande maioria, estão em busca do emprego que estiver disponível, muitas vezes com salários e vantagens inferiores ao que trabalhavam”, diz a gerente. Os atendimentos na unidade de Cascavel passam de 300 ao dia, 200 deles somente na intermediação de mão de obra. “A gente precisa agarrar o que aparece”, afirma Vilaca.

Reportagem: Marina Kessler

Fotos: Lorena Manarin

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