Programa Jovem Aprendiz: 5,6 mil aguardam uma oportunidade de trabalho

Reportagem: Marina Kessler

Fotos: Vandré Dubiela

Entrar no mercado de trabalho geralmente é uma tarefa bem difícil. E sem nenhuma experiência profissional, a efetivação pode demorar mais ainda. Conforme a supervisora do Programa Jovem Aprendiz da Agência do Trabalhador de Cascavel, Rosângela Ferreira dos Santos Nietto, até fevereiro deste ano 5.634 jovens de 14 a 24 anos aguardam uma oportunidade de emprego pela primeira vez.

“Grande parte desses jovens são menores de idade, e infelizmente, a abertura de vagas não ocorre como gostaríamos. Muitas vezes há também um equívoco da empresa, que faz a oferta, porém, pede que o jovem tenha experiência com planilhas, recolhimento de guias, arquivamento, por exemplo”, relata Rosângela. “Mas, como vai ter experiência se é um aprendiz? É aí que orientamos a empresa sobre o objetivo do programa, mostrando que ele [o jovem] precisa trabalhar para se identificar com aquilo que futuramente pode se especializar”, acrescenta.

Levantamento da Agência do Trabalhador de Cascavel aponta que de 2011 a março de 2017 foram cadastrados 10.768 jovens de 14 a 24 anos, que se encaixam no programa Jovem Aprendiz. Para este universo, 2.104 vagas foram abertas e 2.844 encaminhamentos efetuados pela agência às empresas. Do total, no entanto, apenas 1.215 pessoas foram contratadas, o que representa somente 11,2% da demanda dos últimos seis anos.

perfil

O perfil dos jovens que estão em busca do primeiro emprego são bem variados, conforme Rosângela. “Um deles se refere àqueles que vêm fazer a carteira de trabalho e que está na ânsia de conquistar uma vaga formal de trabalho”, explica. Outra parcela é encaminhada pelos pais, que querem ver o filho aprendendo uma profissão. “O filho vem junto, mas a gente já percebe que está aqui contra vontade, que não quer trabalhar”, diz a supervisora.

Há ainda um terceiro público, que infelizmente perde oportunidades por conta de sua qualificação. “Quando surge uma vaga que exige o ensino médio completo ou em curso, o candidato, que não possui esse nível de escolaridade e que está desempregado, diz que não quer retornar à escola, não quer se qualificar. E isso é muito triste, porque o jovem não percebe que vai chegar o momento em que o estudo vai fazer falta, vai ter dificuldade de encontrar um emprego melhor e que os pais nem sempre vão poder ajudá-lo financeiramente”, lamenta.

Em alguns casos, há a percepção desta necessidade, mas quando isso não ocorre, a Agência do Trabalhador entra com o projeto Ensejar, lançado há alguns meses, que incentiva os jovens pela busca da qualificação. São oito encontros durante dois meses, com orientações e dicas de como fazer o currículo, comportamento ideal durante a entrevista de emprego, o que vestir, etc. “São orientações práticas para chegar na frente do empregador e conquistar a vaga”, afirma Rosângela.

Vantagens

Ser um jovem aprendiz é muito vantajoso, como garante a supervisora Rosângela. Segundo ela, é uma forma de prepará-lo para o futuro e desenvolver novas habilidades. O jovem trabalha com carteira assinada e tem direito a todos os benefícios que a CLT garante, com carga horária de até oito horas diárias, incluindo aulas teóricas do curso de aprendizagem, que é obrigatório.

Ao empregador, além de inseri-lo no mercado de trabalho da forma correta, sem criar vícios, oportuniza o jovem a ajudar a família por meio da sua nova renda. Além disso, o jovem aprendiz não pesa tanto no bolso do empresário, já que só recolhe 2% de FGTS e não 8% como acontece com qualquer outro trabalhador celetista.

Para se tornar um jovem aprendiz basta ir até a Agência do Trabalhador e fazer a carteira de trabalho. Após isso, ser cadastrado no programa e aguardar a abertura de uma vaga condizente com o perfil e necessidade da empresa.

Crise afetou?

A crise econômica do País deixou mais de 12 milhões de desempregados, afetando também o programa jovem aprendiz. Isso porque as contratações pelo programa só são exigidas a empresas que possuem acima de sete funcionários. Com as dispensas ocorridas nos mais diversos setores, esta cota, que varia de 5% a 15% do quadro destinado aos jovens aprendizes, as vagas também reduziram.

 

 

 

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