Presidente da Acic: Aeroporto de Cascavel tem prazo de validade

Reportagem: Juliet Manfrin

Fotos: Assessoria

O cascavelense Edson José de Vasconcelos assumiu na semana passada a presidência da Acic (Associação Comercial e Industrial de Cascavel). Aos 41 anos, casado e pai de dois filhos, ele assume uma das instituições mais respeitadas do Estado com alguns desafios.

Graduado em Engenharia Civil pela UFPR, tem MBA em Gestão de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e MBA internacional business pela Ohio University. Edson Vasconcelos atua na construção civil há 17 anos e é diretor do Grupo Vasconcelos. Foi presidente do Sinduscon Paraná/Oeste e diretor no Paraná Sindicaf-PR, o Sindicato das Indústrias de Produtos de Artefatos de Cimentos, Fibrocimento e Ladrilhos Hidráulicos do Paraná.

Edson foi diretor de Incorporação do Secovi/Oeste, o Sindicato da Habitação e Condomínios do Oeste do Paraná. É presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável de Cascavel, coordenador do Conselho de Infraestrutura e Logística da Fiep-PR e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná.

Na Acic, Edson iniciou sua participação na diretoria da gestão do então presidente José Torres Sobrinho. Ele ocupou a função de vice-presidente para Assuntos da Indústria. Na gestão de Alci Rotta Júnior, Edson foi vice-presidente. E no último dia 27 de abril, foi eleito presidente da associação comercial.

Entre suas afirmações, Edson considera que o aeroporto de Cascavel tem prazo de validade no quesito demanda e na interferência ao Plano Diretor.

 

Hoje: O senhor está assumindo agora uma das entidades mais conceituadas e respeitadas do Estado. Quais são as principais ações na direção da Acic?

 

Edson Vasconcelos: Diante do momento que o País está passando, os empresários precisam mais ainda da nossa estrutura para entender as reformas e de que forma se integrar às novas realidades. É preciso que a Acic esteja apta e com condições de também ser proativa nos temas.

 

Hoje: Como o senhor avalia o cenário da indústria e do comércio cascavelense neste momento? A crise está recuando?

 

Vasconcelos: A crise é ainda muito presente, mas a tendência é que com medidas de acesso ao FGTS e com reduções da taxa Selic, poderemos diminuir a dívida per capta e aumentar as condições da retomada do consumo equilibrado. Esse momento de dificuldade também é de oportunidades. Ter coragem e buscar a inovação é a fórmula correta de passarmos por essa fase. Nesse caminho, a associação comercial abre um espaço voltado para o futuro e novas oportunidades, que é o Acic Labs, uma aceleradora dos mais sofisticados e em processo de estruturação.

 

Hoje: O cenário político do País não se mostra muito favorável. O senhor acredita que esse é um momento de passar o Brasil a limpo?

 

Vasconcelos: Tudo está sendo questionado. A sociedade faz uma leitura muito mais responsável devido à condição que deixamos de levar. Com isso é necessário buscar essas mudanças de forma constante e com muita coragem, porém é muito claro que temos uma grande batalha pela frente. Temos hábitos culturais distorcidos a respeito do Estado, e um País de tamanho continental traz uma dificuldade extra a essa missão.

 

Hoje: É possível perceber que todas as semanas a Acic oferece inúmeros cursos, capacitações e oferece aprimoramento a seus associados e colaboradores. A qualificação é o segredo para os bons negócios?

 

Vasconcelos: Não basta mais ter coragem para enfrentar as dificuldades que os empresários vivem. Hoje em dia, a qualificação é fundamental para poder fazer frente a tudo isso. O conhecimento traz a condição necessária para conseguirmos as melhores opções para superarmos e promovermos o sucesso de nossos empreendimentos.

 

Hoje: Em Cascavel, cerca de 200 investidores esperam na fila uma vaga nos parques industriais para abrirem um negócio. Como a Acic trabalha com essa situação? Tem conversado com o poder público sobre isso?

 

Vasconcelos: Estamos acompanhando o assunto junto à Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Estamos buscando mais subsídios sobre a lista de empresas e também sobre a necessidade de auxiliar algumas delas a elaborar um bom plano de negócio. Também temos que estar sensíveis ao poder público a reaver terrenos que estão cedidos a empresas que não estão fazendo real uso da cessão e, com isso, se abriria condições para aqueles que realmente precisam se instalar nos parques industriais.

 

Hoje: Há poucos dias a AGDS, de São Paulo, ingressou com um novo recurso, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região em Porto Alegre, contra a implantação do Shopping Catuaí em Cascavel. Qual o posicionamento da Acic sobre essa obra e sobre os incessantes recursos que impedem a implantação do empreendimento em Cascavel?

 

Vasconcelos: A Acic já se posicionou sobre a necessidade de segurança jurídica sobre licenças concedidas. Nesse caso, ainda mais, pois já está julgada a liberação da obra de forma contundente, processo que trouxe às claras todos os questionamentos e ajustes necessários para não se ter dúvidas a respeito da implantação do projeto. Percebemos que esses ingressos de recursos de organizações totalmente alheias a nossa região estão calçadas em outros objetivos que não são os de interesse da sociedade de cascavel.

 

Hoje: As duas companhias aéreas que operam em Cascavel restringiram três voos diários na cidade neste período e os consumidores dizem se sentir lesados. O que a associação comercial pensa sobre essas restrições?

 

Vasconcelos: As condições climáticas da cidade prejudicam alguns horários na operação do aeroporto. Porém, independentemente do horário, se tivermos vazão durante o dia com controle da demanda, para não ficarmos sem opção, teremos pelo menos a garantia de pouso em Cascavel. É muito melhor descer em Cascavel do que em Foz e ainda ter que enfrentar um deslocamento rodoviário.

 

Hoje: O senhor considera que o atual aeroporto da cidade comporta a demanda?

 

Vasconcelos: O Aeroporto de Cascavel tem prazo de validade no quesito demanda e também na interferência ao Plano Diretor. Nos dois casos, o prazo estimado é de 13 anos a 15 anos, lembrando que a demanda terá problemas mais cedo se não houver as adequações (no terminal de passageiros) apresentadas pela prefeitura. Só com isso, teremos condições de atender a demanda pelos próximos 15 anos nesse aeródromo.

 

Hoje: Recentemente noticiamos que o novo projeto para o terminal de passageiros do Aeroporto de Cascavel foi custeado por algumas entidades, entre elas a Acic, pois a prefeitura alegou não ter recursos e que o processo demoraria muito. A associação comercial tem acompanhado os trâmites burocráticos para a retomada dessa obra?

 

Vasconcelos: A Acic e outras entidades parceiras estão acompanhando os andamentos do novo terminal e adequações paralelas quanto aos prazos de novos projetos e licitações. Esperamos que neste semestre estejamos muito próximos da retomada das obras. A sociedade sente a falta de um terminal de passageiros com condições, à altura de uma região tão pujante como a nossa.

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