Polícia Militar: Criminalidade leva 1.440 presos todos os meses à cadeia

Reportagem: Tissiane Merlak

Foto: Lorena Manarin

Quarenta e oito prisões por dia. Este é o total das detenções realizadas por policiais militares do 5º CRPM (Comando Regional de Polícia Militar) nas regiões Oeste e Sudoeste do Estado. Os dados foram repassados ao Hoje pelo tenente-coronel Washington Lee Abe.

Conforme o coronel, todos os meses, nos municípios que compõe o Comando, 1.440 pessoas são presas somente pela Polícia Militar. “A área de atuação do 5º CRPM é de 94 cidades e, mensalmente, mais de mil pessoas são presas pelos mais diversos crimes. O número é alto, mas mostra que a Polícia Militar está trabalhando, atuando ostensivamente no combate à criminalidade e a prática de ilícitos”.

Questionado em relação ao aumento do número de roubos e furtos na região, que tem feito inúmeras pessoas vítimas no Oeste e Sudoeste, o coronel ressalta que a PM está fazendo o seu papel. “Essas prisões, em média 1.440 todos os meses, demonstram que estamos cumprindo o dever de coibir os ilícitos. Se o restante do sistema, seja a instituição que for, não está dando sequência a essas prisões, não cabe à Polícia Militar julgar”.

Sobre as audiências de custódia, implantadas há cerca de dois anos em todo Estado, o coronel disse que elas têm desafogado o Judiciário. “Quando da criação das audiências de custódia sabíamos que o objetivo principal era dar celeridade aos processos que estão parados no Judiciário. Com isso, as prisões que são feitas diariamente por todas as forças policiais são analisadas mais rapidamente. Porém, o que temos percebido é que todas essas pessoas que são presas possuem nome, sobrenome, endereço, mas que esses dados têm se repetido”.

De acordo com o comandante, exemplos de criminosos que foram detidos pela PM num dia, são soltos pela Justiça e presos novamente em pouco tempo. “Em nossa área de atuação, por exemplo, a família de um prefeito foi feita refém em um assalto, ele foi levado junto com os criminosos até a fronteira, o crime que estava em andamento foi descoberto e os assaltantes morreram em confronto. Ao consultar os nomes as equipes descobriram que eles haviam sido presos no mesmo mês pelo mesmo tipo de crime”.

Com relação ao número de prisões e a falta de vagas no sistema penitenciário, Lee ressaltou que se todas as pessoas presas na área do 5º CRMP realmente ficassem presas, seria necessário construir pelo menos mais uma penitenciária por mês. “Levando-se em consideração que a capacidade das penitenciárias maiores, como a PEC [Penitenciária Estadual de Cascavel] comportam cerca de 800 detentos, apenas uma unidade não supriria a necessidade atual”.

 

CAPACIDADE

Penitenciárias de Cascavel estão no limite

 Considerando-se o número de prisões feitas mensalmente pelo 5º CRPM (Comando Regional de Polícia Militar), a reportagem do Hoje solicitou junto ao Depen (Departamento Penitenciário do Estado) o total de detentos em penitenciárias nas regiões Oeste e Sudoeste.

Conforme dados do Depen, são seis unidades prisionais consideradas de segurança máxima: duas em Cascavel, PIC (Penitenciária Industrial de Cascavel) e a PEC; três em Foz do Iguaçu, PEF I e II (Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu) e a Cadeia Pública Laudemir Neves; uma em Francisco Beltrão, PEFB (Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão).

Segundo os dados repassados ao Hoje, em Cascavel a PEC possui capacidade de 848 presos, mas abrigava até quarta-feira 884. Já na PIC a capacidade é de 360 detentos e estava com 369. Levando-se em consideração cerca de 30 presos que podem ficar na carceragem da 15ª SDP (Subdivisão Policial) que foi desativada em dezembro de 2016, pode-se dizer que o Sistema Penitenciário precisaria criar, somente em Cascavel, mais 75 vagas.

Com relação a essa necessidade, o Governo do Estado deve iniciar nas próximas semanas a obra de ampliação da PIC que começou há três anos, está parada há dois e até agora não saiu do papel.

De acordo com a assessoria de imprensa da Sesp (Secretaria Estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária) a obra da PIC deverá reiniciar em junho, possibilitando a abertura de 334 novas vagas. A previsão inicial de entrega é maio de 2018, ao custo de R$ 6.215.371,08.

Quanto às demais unidades prisionais das regiões Oeste e Sudoeste, a situação mais tranquila é a de Foz do Iguaçu, com sobra de 47 vagas, sendo 19 na Cadeia Pública Laudenir Neves (capacidade de 368 e ocupação de 349 presos); 26 na PEF I (Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu) I que tem capacidade para 484 detentos e abrigava 458 e dois na PEF II (capacidade de 931 e ocupação de 929 presos). Em Francisco Beltrão, por ser a única penitenciária do Sudoeste, a unidade é a que possui maior capacidade: 1.160 presos e, até quarta-feira possuía ocupação de 1.122 pessoas.

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