Na política: Cadê as mulheres nos espaços de poder e decisão?

A manifestação pública de um deputado italiano na tribuna na semana passada dizendo que as mulheres devem ganhar menos do que os homens porque são menos inteligentes e menos capazes gerou reações por todo o mundo. Na época, às vésperas de celebrar o Dia Internacional da Mulher, lembrado na quarta-feira passada, a polêmica reacendeu um assunto que nunca ficou esquecido, mas que em alguns momentos é menos debatido: o empoderamento feminino.

A participação feminina nos espaços de poder e decisão ainda é um caminho longo a ser percorrido. Com 65 anos de emancipação política, Cascavel, por exemplo, nunca teve uma prefeita. Na atual legislatura, de 21 vereadores, não há nenhuma mulher apesar de uma das candidatas ter sido mais votada do que muitos homens que ocupam uma cadeira na Câmara de Vereadores. Para a advogada Daniella Braz, que foi candidata a vereadora e fez em outubro passado 1895

Votos, ser a 11ª na classificação geral foi surpreendente. “Tenho uma história na militância, mas eu imaginava fazer uns 500 votos. Por conta do coeficiente eleitoral, não consegui uma vaga nem como suplente”, reforça.

Daniella disse que não sabe se Cascavel tem uma cultura mais machista do que outros lugares, mas algo diferente ocorre por aqui. “Em Toledo há menos vagas que em Cascavel e lá se elegeram quatro mulheres, vamos para 16 anos sem mulheres na Câmara”, desabafa.

Para ela, poucas líderes femininas foram formadas no município nestes últimos anos e que isso só vai mudar se um trabalho afinco for realizado nas bases. “E este é um processo a ser feito envolvendo homens e mulheres. É necessária a formação política, encontrar onde estão as pessoas que têm vontade de ser uma líder na política”.

Quanto ao fato de se manter na política, Daniella garante que, no que depender da sua vontade, isso vai acontecer, mesmo sabendo das dificuldades.

 

Não é fato isolado

Em toda área da Acamop (Associação das Câmaras de Vereadores do Oeste do Paraná), em 52 municípios, são mais de 600 vereadores. Menos de 10% são mulheres. Destaque neste caso para Toledo. Das 15 cadeiras, quatro são ocupadas por mulheres.

 

AVANÇOS

Vice-governadora avalia o que já foi conquistado

 

Apesar de debates acalorados e efervescentes reacenderem as discussões vez ou outra, a representação feminina também tem motivos a serem comemorados.

Para a vice-governadora, e governadora em exercício até a metade desta semana, Cida Borguetti, se as pessoas olharem para o passado podem perceber uma grande mudança, o movimento que realmente teve consequências importantes nas várias sociedades espalhadas pelo mundo, com reflexos diretos nas econômicas de centenas de países. “Foi a entrada da mulher no mercado de trabalho. Foi no dia a dia das empresas, escolas, universidades ou indústrias, ocupando espaços até então  majoritariamente masculinos, que a mulher mostrou sua capacidade”. Para Cida, este é um reflexo de uma revolução do bem, que continua acontecendo.

“Mas ainda temos muito a melhorar: não se trata de empoderar a mulher para que ela tome o lugar, ou passe a mandar no homem, mas de estar nas mesmas condições salariais, de horário de trabalho, de divisão de tarefas domésticas.”

Quando à baixa representação das mulheres nos cargos eletivos, a vice-governadora reforça que os partidos políticos no Brasil ainda precisam encontrar formas de atrair mais mulheres para seus quadros. “A situação é simples: por mais vontade que uma mulher tenha de participar da política dentro de um partido, ela não vai conseguir deixar os filhos pequenos em casa e comparecer às reuniões partidárias. Então, precisamos usar o que a tecnologia nos possibilita. Integrar grupos de redes sociais, videoconferência, mensagens, debates, encontros nacionais, estaduais e municipais online para que as pessoas interajam sem precisar de casa”.

 

 

A missão

Quanto ao fato de Cascavel ser a quinta maior cidade do Estado e ter uma baixa – quase nula – representatividade feminina na política, a vice-governadora reforça que os partidos políticos, sem exceção, precisam atrair mais lideranças femininas de diferentes áreas e campos de atuação. “Mulheres que se destacam na iniciativa privada, na área médica, empresarial, contábil. Mulheres que possam nos ajudar na missão de trabalhar pelo nosso País. Para efeito de comparação, Curitiba tem nessa legislatura a maior bancada feminina da história, saltou de cinco para oito vereadoras. Parece bom, não é?! Mas se avaliarmos o universo todo, são 38 vereadores, deveríamos ter ao menos 19 vereadoras. Ou seja, há ainda um longo caminho a percorrer. Eu sou otimista, acredito que estamos mudando esse panorama, mas é uma caminhada gradativa”.

 

Prefeitas

 

Em toda área de abrangência da Amop (Associação dos Municípios do Oeste do Paraná), em 52 cidades, apenas duas são comandadas por mulheres, sendo que uma delas responde interinamente, no caso de Foz do Iguaçu onde novas eleições municipais serão realizadas no dia 2 de abril. Na gestão passada eram sete mulheres prefeitas no Oeste do Paraná.

 

Prefeitas na região Oeste

 

Foz do Iguaçu – Inês Weizemann (interina)

 

Mercedes – Cleci Rambo Loffi

 

Reportagem: Juliet Manfrin

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