Na 10ª Regional: Câncer matou 1.373 pessoas em 2 anos

 

Dados da 10ª Regional de Saúde de Cascavel mostram uma dura realidade de quem enfrenta a luta contra o câncer, especialmente na semana que antecede o Dia Mundial de Combate, lembrado neste domingo, dia 8. Conforme balanço do SIM (Sistema de Informação de Mortalidade), da Secretaria Estadual da Saúde, nos últimos dois anos 1.373 pessoas morreram em decorrência da doença em 25 municípios. Somente em 2016, foram 687, e em 2015, apenas uma a menos, 686.

O que chama atenção é que o câncer de brônquios e pulmões foi o que mais matou. Ao todo, a neoplasia provocou 208 óbitos, o que representa 30,2% do total de mortes registradas em dois anos. O câncer de estômago também está entre as principais causas de mortes entre os 25 municípios que integram a 10ª Regional de Saúde de Cascavel. Foram 112 casos no período, com maior incidência em 2015, que fechou com 66 óbitos.

O câncer de próstata é o terceiro no ranking de mortes no período. Segundo a Sesa, na regional foram registrados 92 óbitos nos últimos dois anos. Neoplasias como cólon, mama e esôfago também estão na lista dos cânceres que mais mataram.

Mais de 45 mil

A última estimativa de incidência de câncer no Paraná feita pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer), em 2016, aponta que no ano passado foram descobertos 45,3 mil novos casos da doença em todo o Estado.

Segundo o Instituto, a doença atingiu 25.350 homens e 19.950 mulheres. Entre as 20 principais neoplasias analisadas pelo Inca, 5.260 casos foram de câncer de próstata, a maior incidência no Paraná. O câncer de mama foi a segunda maior neoplasia registrada no Estado, com 3.730 novos casos em 2016.

A lista é extensa e tem ainda o câncer de colo e reto (2.330 entre homens e mulheres), traqueia, brônquio e pulmões (2.270) e estômago (1.530). O câncer de pele não melanoma não é somado entre as demais neoplasias. De acordo com o Inca, a incidência foi de mais de dez mil novos casos em 2016 em todo o Estado.

A fumaça que faz mal

Um dos principais causadores do câncer de pulmão, que afeta mais de 1,8 milhão de pessoas no mundo, segundo o Inca, é o tabaco. Utilizado nas formas de inalação (cigarro, charuto, narguilé, etc), aspiração e mastigação, são considerados nocivos à saúde. Durante o consumo desses produtos 4.720 substâncias tóxicas são introduzidas no organismo, incluindo a grande vilã nicotina, que causa a dependência química, o monóxido de carbono e o alcatrão (que possui mais de 60 substâncias cancerígenas).

Dados do Inca, apurados no Banco Mundial, apontam que o consumo do fumo gera uma perda mundial de 200 bilhões de dólares por ano, representados pela sobrecarga do sistema de saúde com tratamento das doenças causadas pelo fumo, mortes precoces de cidadãos em idade produtiva, maior índice de aposentadoria precoce, faltas ao trabalho de 33% a 45% a mais, menor rendimento no trabalho, mais gastos com seguros, com limpeza, manutenção de equipamentos e reposição de mobiliários, entre outros.

 

No biênio

No Brasil, a estimativa para o biênio 2016/17, aponta a ocorrência de aproximadamente 600 mil casos novos de câncer, 180 mil novos casos somente de pele não melanoma. Segundo perfil epidemiológico do Inca, 61 mil homens serão diagnosticados com câncer de próstata até o fim deste ano, e 58 mil mulheres vão enfrentar uma das doenças, se não a mais, temida: o câncer de mama.

Projeção do Inca mostra ainda que as neoplasias mais frequentes nos homens neste período, além de próstata, serão de pulmão (8,1% dos novos casos), intestino (7,8%), estômago (6%) e cavidade oral (5,2%). Já nas mulheres, o câncer de mama vai representar 28,6% dos novos casos até dezembro, além de intestino (8,6%), colo do útero (7,9%), pulmão (5,3%) e estômago (3,7%).

Reportagem: Marina Kessler

Fotos: Vandré Dubiela

 

 

 

Deixe uma resposta