Mães e filhos: Um amor que não se mede

Reportagem: Juliet Manfrin e Romulo Grigoli

Fotos: Lorena Manarin

Neste Dia das Mães, que tal uma reflexão? O que você faria se descobrisse que sua mãe está com câncer? Que se trata de um tipo raro, já com metástase, em um local onde não pode ocorrer uma intervenção cirúrgica?

Difícil responder, não é? Este é um tipo de coisa que a gente acha que só vai acontecer com os outros. Há quem perca o chão, quem desista de viver, mas há os que encontram forças e vivem. Vivem muito para enfrentar com coragem.

Cleusa Afonso Rosa começou a sentir dores na região do fígado no ano passado. Os exames não apontavam nada e no começo do ano, com dores insuportáveis, uma minuciosa rastreabilidade indicou um leiomiossarcoma.

Considerado um tumor maligno, imprevisível e raro, que se origina em algum músculo liso, geralmente surge no útero, vasos sanguíneos ou tubo digestivo. No caso de Cleusa, o útero havia sido retirado há 35 anos. No aparelho digestivo não havia nada, mas a surpresa: o tumor está na coluna, com ramificações no fígado, ou seja, uma origem já secundária, pois se trata de uma metástase.

Em momento algum a mãe e mulher de 71 anos se deixou abalar pela doença. A moradora de Umuarama faz tratamento na Uopeccan em Cascavel. Os filhos Letícia Garcia, Rosicley Afonso Rosa Ferreira e Francisco Afonso Rosa, ainda absorvem a notícia. “Chorei por um mês. Havia dias que nem aula eu consiga dar”, relata a jornalista e professora Letícia.

As filhas, que também são mães, sabem que um cabelo não é nada. Isso porque, as duas rasparam a cabeça quando a mãe começou a perder os cabelos, em decorrência do tratamento quimioterápico. O irmão e o pai, João Afonso Rosa, também apoiaram a causa. “Fique muito para baixo, chorando, minha filha Letícia disse: o cabelo nasce de novo e estaremos junto com a senhora. Não queria raspar, queria que ele parasse de cair, mas tive que fazer o que foi feito. O pessoal da igreja me deu apoio e a tristeza foi embora”, conta Cleuza.

 

DETERMINAÇÃO

Um cabelo não é nada

Sobre a decisão dos filhos, ela lembra como foi a surpresa: “Falei que não queria que ninguém raspasse o cabelo. No domingo passado [quando foi celebrado um culto pela vida de Cleusa] chegou a comitiva careca na igreja”, brinca a matriarca.

Ela não deixa a vaidade de lado. Com lenço, touca, ou mesmo exibindo o novo visual segue sorrindo. “Recebo carinho de todos os lados e eu realmente estou bem enfrentando esse momento com força e feliz. Choramos juntos, agora caminhamos juntos e com a certeza de que teremos a vitória”.

Ao seu lado, o esposo João demonstra todo o apoio. “No momento foi um choque, chorei, depois comecei a refletir e passou a vontade de chorar. Quando cheguei em casa e a vi sem o cabelo nos abraçamos foi um momento alegre, de descontração e também resolvi raspar o cabelo”, lembra ele.

Cleusa está na metade desta primeira etapa do tratamento com uma certeza: os médicos não falam em cura, mas em controle do tumor para o resto da vida.

O câncer não é hereditário, não existiram fatores genéticos que interferiram, muito menos as pré-disposições características como exposição a radioatividade, a agrotóxicos e produtos químicos. Ele foi uma obra da casualidade. “Mas sei que existe um propósito para isso. Quanto amor eu tenho encontrado a partir desta doença, as pessoas precisam de amor. Eu não vou perder as esperanças nem a determinação. Eu vou vencer”, afirma a mãe Cleusa, um dia após um invasivo processo quimioterápico.

 

Momento divino

 

“Estamos vivendo um momento divino, porque em meio à dor estamos felizes. Não dá pra explicar, é algo espiritual. É a força do amor, do bem querer”, segue Letícia que usa as redes sociais para revelar o tamanho desta determinação, em família.

Mãe, pai e filhos estão sem cabelos, mas jamais sem esperança, sem fé ou sem determinação. “Porque vamos vencer. Já estamos vencendo. Só pelas demonstrações de amor e carinho temos certeza disso”.

 

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