Jardim Gramado: Reintegração acaba com ocupação de 18 anos

Reportagem: Romulo Grigoli

O impasse que se estendeu por 18 anos chegou ao fim ontem, com a operação de reintegração de posse desencadeada pela Polícia Militar. Ao menos 28 das 70 famílias que ainda permaneciam na área invadida no Jardim Gramado tiveram que deixar as moradias.

Cerca de 700 policiais cumpriram o mandado de reintegração de posse de forma pacífica. A ação custou R$ 700 mil, R$ 400 do ato de ontem e outros R$ 300 da ação de dezembro que foi barrada pela Justiça. Durante o dia o helicóptero da PM sobrevoou a região para auxiliar na operação. Todas as ruas ao redor foram interditadas até que a ação fosse concluída.

Os próximos passos da empresa Transcontinental Empreendimentos Imobiliários, de Porto Alegre, dona da área, é garantir a limpeza e cercá-la para então seguir com o processo de comercialização. Retroescavadeira trabalhavam para demolir casas ainda ontem.

As famílias ficarão alojadas no Ginásio do Bairro São Cristovão por uma semana. Móveis, eletrodomésticos e até animais foram carregados por elas. Alguns, no entanto, foram abandonados.

“Esperei até o último momento para sair de casa, pois não tenho condições de pagar aluguel. Ficarei aqui com minhas duas filhas até que o Município nos apresente alguma alternativa”, diz Rosangela Pereira, que por dez anos morou no Jardim Gramado.

“Não consegui nem soltar o meu cachorro, precisei sair com minhas duas filhas e marido sem saber para onde ir”, lamentou a costureira Cleiziane Cardoso.

No ano passado a prefeitura havia sugerido a transferência provisória dos moradores ao Jardim Veneza, onde atualmente 156 famílias que ocupavam a área invadida do Gramado estão morando, também irregularmente.

Cancelamento

Por duas vezes, em 2000, por conta da reação de invasores e em 2016 em cumprimento à decisão judicial, a operação precisou ser cancelada. A Transcontinental recorreu e conseguiu que a operação fosse cumprida. A Justiça concedeu prazo até o dia 13 de abril para a desocupação voluntária e após esse período a Polícia poderia cumprir o mandato de reintegração.

Mandado

O Mandado de Reintegração de Posse de Posse foi expedido pelo juiz Phelipe Muller da 2º Vara Cível da Comarca de Cascavel, e as famílias foram informadas antecipadamente sobre a decisão judicial. No dia 2 de maio uma reunião foi realizada no 5º CRPM (Comando Regional da Polícia Militar) para que as ações da operação fossem definidas.

Foram mobilizados policiais militares do 2º CRPM ao 6º CRPM, 4°GB, BPMOA e BPAmb que contaram com apoio da Polícia Civil, PRF (Polícia Rodoviária Federal), Guarda Municipal entre outras instituições.

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