INVESTIGAÇÃO: Sindicância vai apurar conduta de dois guardas municipais

Reportagem: Tissiane Merlak

Fotos: Vandré Dubiela

 Um dos cargos que gerou mais polêmica em Cascavel para ser criado é, sem sombra de dúvidas, o de Guarda Municipal. De um lado, os guardas patrimoniais que apelavam a todos para que suas funções tivessem mudada a nomenclatura e, por sua vez, incorporados aos municipais. De outro, o Município que, na época do primeiro concurso público, alegava a necessidade de novos profissionais, com qualificação e disposição para estar no dia a dia nas ruas, auxiliando as forças policiais.

Nesse sentido, a Guarda Municipal teria o chamado “poder de polícia” e estaria autorizada a fazer abordagens e prender pessoas que estivessem praticando algum tipo de ilícito.

E é justamente esse “poder de polícia” que tem gerado uma série de reclamações por parte da população.

Segundo uma leitora do Hoje, que preferiu não se identificar, por várias vezes presenciou os novos guardas fazendo abordagens nas ruas e se chocou pela forma com que eles têm se posicionado. “Eles chegam tocando o terror, pensando que são de grupos de elite da polícia e, quando a pessoa abordada começa a falar, eles iniciam um verdadeiro bate-boca”.

Conforme a mulher, as discussões envolvem várias equipes. “Não fico fiscalizando quem vai atender as ocorrências próximas a minha casa, mas todas as vezes eles dão corda para os abordados”.

A reportagem entrou em contato com o Município repassando a reclamação/denúncia e, segundo a Secretaria de Comunicação Social do Município, os questionamentos sobre a postura dos profissionais não é exclusividade da denunciante em questão.

Conforme a Secretaria, até agora pelo menos duas denúncias sobre a forma de abordagem dos guardas, citando um suposto despreparo destes profissionais, foram formalizadas.

Por conta disso, duas sindicâncias foram instauradas para apurar eventuais responsabilidades dos servidores públicos.

Afastados

Além das sindicâncias que foram instauradas pelo Município, dois guardas municipais foram afastados por 30 dias. O motivo do afastamento é uma negativa por parte da equipe de trabalhar no fim de semana em que foi implantada pela prefeitura a segunda área do chamado Território Cidadão, no Bairro Interlagos.

Conforme os guardas, eles não se sentiram seguros para trabalhar no bairro por não possuírem armas de fogo, o que seria um dos diferenciais desses profissionais ante os guardas patrimoniais. Um dia antes da polêmica, uma psicóloga do Depen (Departamento Penitenciário Nacional), Melissa Almeida, foi assassinada por integrantes de uma facção criminosa quando chegava em casa com o marido, o policial civil Rogério Ferrarezzi, que ficou gravemente ferido. O caso foi registrado no Bairro Canadá.

Arma

A reportagem do Hoje também questionou o Município se há previsão para que os guardas recebam as armas de fogo. Conforme a Secretaria de Comunicação, o processo licitatório está praticamente concluído, restando a publicação de um Decreto Municipal e  remessa à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde não há como prever ou estimar o tempo para expedição do porte funcional.

 

Deixe uma resposta