Depressão: o debate precisa ser agora

Nem sempre a dor chega e é prosseguida de sangue. Nem sempre o machucado se cura com um curativo na pele. Nem sempre a cura acontece logo após a cirurgia. Mas, sempre a sensação é de impotência e de que o corpo já não responde mais aos estímulos. Sim, depressão é caso de saúde pública e merece toda a atenção, assim como qualquer outra doença.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) é categórica ao afirmar que até 2030 a depressão será o mal mais predominante no planeta. Os números atuais já são alarmantes o suficiente para que ninguém duvide da projeção. Neste momento, de acordo com a revista B,C Medicine, 121 milhões de pessoas sofrem com a depressão, ou seja, olhe para o lado, perceba que o que parece pouco pode ser muito e levar ao fim.

A depressão, por incrível que pareça, ainda ganha falsos sinônimos, como: frescura, preguiça, exagero, fraqueza e até vontade de chamar a atenção. Nomenclaturas que a assistente administrativa Ana Paula Poniwass ouviu por muitas vezes “É um mundo cinza, sem vontade, de solidão, medo e desamparo. Não temos vontade de nada, temos medo de falar com outras pessoas a respeito, pois o preconceito e o julgamento ainda assustam. Frases como: Coisas de fresco, pobre não tem isso são comuns.”.

Hoje é dia Mundial da Saúde e o tema escolhido para abordagem é a depressão. A Campanha cai como uma luva para atual realidade do Brasil, já que a pesquisa mostrou que considerando um período de 12 meses seguidos lideramos, entre os países em desenvolvimento, o ranking de convivência com a doença: 18% dos entrevistados afirmaram que estavam deprimidos há pelo menos um ano. O que preocupa é que estes números podem ser ainda maiores, tudo porque, de acordo com a Psiquiatra cascavelense Cindy Tanaka algumas pessoas apresentam sintomas da doença, mas não sabem que é a depressão a responsável por dias cada vez mais difíceis “A depressão é uma doença cujos sintomas centrais são a tristeza e a anedonia (ausência de prazer), mas nem sempre a pessoa apresenta os dois, estamos acostumados pelo senso comum a imaginar como pessoa depressiva aquela que não levanta da cama, só chora, fica isolada, mas não necessariamente é assim, muitas pessoas que apresentam depressão em graus mais conseguem manter sua funcionalidade, apesar dos sintomas”.

O diagnóstico                     

“É a sensação de estar em um cativeiro. Pois além da sua cabeça, ainda há os sintomas físicos. Eu descobri com ajuda de uma fisioterapeuta que percebeu os sintomas, mas ai já estava bem debilitada meu organismo estava em colapso. Fiquei sete dias sem dormir nem cochilar por quinze minutos que fosse, durante o dia”. O relato de Paula traz o sofrimento diário de quem convive com a doença, principalmente quando não se imagina que a razão de tantos pensamentos ruins e degradação do corpo atende pelo nome de depressão.

O que Paula viveu, é o que vivem milhões de pessoas. A psiquiatra Cindy Tanaka lembra que muitos destes pacientes chegam ao consultório porque outras pessoas do convívio perceberam mudanças de comportamento “Às vezes as pessoas demoram a reconhecer que isso pode ser uma doença porque atribuem os sintomas ao cansaço do dia a dia, ao estresse no trabalho. Quando esses sintomas acontecem por 2 semanas ou mais, interferem na funcionalidade do corpo, provavelmente estejamos falando de uma doença, e não algo transitório. Algumas pessoas procuram ajuda porque os familiares ou amigos mais próximos observaram mudanças no comportamento e alertaram o paciente. Caso haja suspeita de q se trate de depressão, o indicado é procurar ajuda profissional (médicos ou psicólogos).

Não existe um exame que médico que revele a depressão como doença. Cindy revela que é o diagnóstico é feito no consultório, com conversar entre o profissional e o paciente e é a partir daí que será possível saber se o tratamento será realizado com medicações e psicoterapia.

Ao trazer o tema para discussão em um dia em que a saúde é o assunto principal, a OMS revela e possibilita que a depressão seja tratada com a devida preocupação. Que mais pessoas possam entender que estão doentes e que principalmente quem convive com alguém que apresente sintomas depressivos possa ajudar e não julgar.

 

Fotos Cindy:

L: Cindy Tanaka é psiquiatra, atende casos de depressão no consultório, localizado Instituto Insight

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