Delegacia Cidadã: Licitação será no segundo semestre

Reportagem: Tissiane Merlak

Fotos: Vandré Dubiela

Uma das obras mais aguardadas no setor de segurança pública em Cascavel, a Delegacia Cidadã, começa a sair do papel. Ontem durante a reunião mensal do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) de Cascavel, foi anunciado que, no próximo semestre, o Governo do Estado, por intermédio da Sesp (Secretaria Estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária), deve lançar a licitação da obra.

De acordo com o delegado-chefe da 15ª SDP (Subdivisão Policial), Adriano Chohfi, a previsão é de que as obras comecem no início de 2018. “Há muitos anos Cascavel espera a construção da nova sede da subdivisão. No ano passado conseguimos retirar do Centro da cidade um dos maiores problemas, que era a carceragem, onde cerca de 500 presos estavam custodiados e agora, uma nova demanda será cumprida”.

Conforme Chohfi, a localização da Delegacia Cidadã será na antiga Escola Municipal Gladis Tibola, na Rua Rio de Janeiro, há poucas quadras da delegacia atual. “É um espaço amplo e que vai suprir todas as necessidades da Polícia Civil”.

Ele ressaltou ainda que, num primeiro momento, havia a perspectiva de que no terreno fosse instalada a Delegacia da Polícia Federal, do IML (Instituto Médico Legal) e também da Polícia Criminalística. “A Polícia Federal desmembrou, conseguiu outro imóvel perto da rodoviária e, em tese, esse terreno ficará para a Polícia Civil, inicialmente com a obra”. Posteriormente, segundo o delegado, serão instaladas as sedes do IML e do Instituto de Criminalística. “Pelo que sabemos, eles estão em busca dos recursos para a construção, o que demora um pouco mais”.

Questionado em relação aos procedimentos a partir de agora, Adriano disse que o terreno que até então estava cedido à prefeitura já foi disponibilizado pelo Estado. “Há previsão de licitação no segundo semestre, início da construção no primeiro semestre do ano que vem para finalizar em 2019. É importante para Cascavel, um marco, e esperamos agilizar esse projeto para que seja concretizado o mais rápido possível”.

Sobre os recursos destinados à construção da Delegacia Cidadã, o delegado garantiu que o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) já disponibilizou os valores necessários. “São R$ 5,5 milhões já garantidos, o que acreditamos que será suficiente para a obra, uma vez que a Delegacia Cidadã é um imóvel padrão”.

O delegado disse agora que os próximos passos serão o encaminhamento da ata da audiência feita ontem com as entidades que compõe o setor de segurança para a Secretaria Estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária. “Precisamos mobilizar todos para que, o quanto antes, consigamos fazer a licitação. Isso precisa ser feito o mais rápido possível para que Cascavel não perca tempo, uma vez que outras cidades, por exemplo, já estão com os processos necessários mais adiantados. O mais importante é que a licitação seja feita e que seja dado início às obras, porque aí não para mais. Temos que aproveitar esse momento e trazer a Delegacia Cidadã para Cascavel”.

Na Sesp

 A reportagem do Hoje entrou em contato com a Sesp e questionou o processo de instalação da Delegacia Cidadã em Cascavel.

De acordo com a assessoria de imprensa, a Sesp está em tratativas com a Prefeitura de Cascavel e os recursos necessários para a construção serão por meio de convênio com o BID.

Conforme a Sesp, a Delegacia Cidadã se constitui em uma mudança de conceito no atendimento da Polícia Civil à população, com espaços separados para atender vítimas e agressores / suspeitos, além de ambientes isolados para atender adolescentes, mulheres e idosos. Um posto do Instituto de Identificação também funcionará no local.

A Delegacia Cidadã não possui carceragens, apenas uma cela, pequena, para custódia provisória de presos, enquanto for necessário colher os depoimentos para o inquérito policial.

 

NA REUNIÃO

Conseg deve avaliar  audiências de custódias

 Ainda na reunião do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) de Cascavel, outro ponto gerou bastante discussão entre os presentes. Trata-se das audiências de custódia que, segundo os representantes da segurança pública , têm causado certo desconforto.

De acordo com o presidente do Conseg, Rafael de Lorenzo, as constantes liberações de presos com alvarás de soltura, têm causado descontentamento à população e desmotivado os policiais. “Tivemos nessa semana, por exemplo, um argentino preso com 30 quilos de cocaína. A droga foi avaliada em R$ 1 milhão, em que foi arbitrada uma fiança de R$ 25 mil, ele pagou e foi embora. Isso gera a sensação de impunidade”.

Conforme De Lorenzo, é preciso entender o que está acontecendo. “A Polícia, tanto civil quanto militar, deve pedir mais informações e orientações para verificar se não estão ocorrendo falhas nas prisões, para que realmente o criminoso fique preso”. No caso específico do argentino, no fim da manhã de ontem, a mesma Justiça que decidiu soltá-lo com o pagamento de fiança, decretou a prisão do homem, que agora é considerado foragido.

 

 

 

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