De novo: Ala de queimados: atendimentos só em 2018

 

Quem utiliza a saúde pública sabe muito bem o caos que o setor enfrenta, especialmente quando o assunto é investimento. Falta estrutura para atender pacientes, o quadro clínico cada vez mais enxuto, sem contar a demora no agendamento de exames e consultas, que levam meses ou até anos para acontecer.

O desafio está também em concluir o que já foi iniciado. Um dos exemplos em Cascavel é a Ala de Queimados, anexa ao HU (Hospital Universitário). Na construção do prédio já foram investidos R$ 6 milhões desde 2014, quando o serviço começou. A estrutura só será entregue no fim de abril por conta de um aditivo de 90 dias autorizado pelo hospital à Construtora Brock, responsável pela obra. Inicialmente, a empresa havia pedido 300 dias para concluir a primeira etapa, prazo reduzido pela direção da unidade hospitalar. “Até o momento, 76% do cronograma físico-financeiro foi executado. Encontra-se em execução os serviços de pintura externa, instalações de gases medicinais, infraestrutura do sistema de rede lógica, de bancadas e de esquadrias de alumínio”, informou a assessoria de imprensa do HU.

A justificativa para o aditivo, conforme o HU está relacionada a diversos fatores, como “liminar judicial no início da obra, mudança do almoxarifado e central de farmácia, alterações nos projetos, chuvas em excesso, atraso nos pagamentos e troca de rede de esgoto que não estava prevista, etc.”.

Embora a primeira etapa já tenha data para ser entregue, a Ala de Queimados só vai funcionar a partir de 2018. Segundo a assessoria do HU, falta orçamento para a segunda fase do projeto, verba que ainda está em negociação com o Governo do Estado. O recurso vai servir para a instalação de portas e equipamentos sanitários. Só depois disso é que haverá a contratação de pessoal e aquisição de equipamentos, encerrando a terceira e última etapa do empreendimento.

 

 

A versão do Estado

O chefe da 10ª Regional de Saúde de Cascavel, Miroslau Bailak, lamenta que a unidade ainda não tenha ficado pronta, e lembra que infelizmente no setor público uma série de situações atrapalha o bom andamento de determinadas obras. “Mas, ela [a Ala de Queimados] está em um bom caminho, e a previsão é de que fique pronta até o fim deste ano. No início de 2018 com certeza estará disponível à população”, garante Bailak.

Ao todo, 30 leitos adulto e sete pediátrico estarão disponíveis, com capacidade para atender, além do Oeste paranaense, estados vizinhos, como o Mato Grosso e Santa Catarina. “Serão profissionais altamente capacitados com atendimento de qualidade e imediato”, afirma.

Transferências necessárias

A estudante de Medicina, Maria Luisa Moia Kamei, de 20 anos, é o caso mais recente de vítima com queimaduras em Cascavel. Uma explosão causada por vazamento de gás no apartamento em que mora, no Loteamento Fag, deixou ao menos 80% de seu corpo queimado, principalmente mãos e pés. A jovem permaneceu dois dias internada na UTI em Cascavel, passando primeiramente pelo HU e depois, transferida ao Hospital São Lucas. De lá, foi encaminhada ao Hospital Evangélico de Curitiba, referência em atendimento a queimados, assim como Londrina. Vale lembrar que apenas as duas unidades fazem este tipo de atendimento.

A transferência foi necessária por conta da falta de estrutura especializada em Cascavel, o que só deve estar disponível a partir do ano que vem. Conforme Bailak, o estado de saúde de Maria Luísa não foi agravado pela falta da Ala de Queimados na cidade, pois até o momento os atendimentos estão voltados à estabilização do quadro clínico da estudante. “Somente depois que a jovem sair da UTI será possível fazer um trabalho de reabilitação, como, por exemplo, cirurgias plásticas, enxertos, entre outras situações necessárias em casos como este”, explica. “É um processo que vai durar cerca de 90 dias, envolvendo uma equipe multidisciplinar que vai ajudar na recuperação [da estudante]”, afirma.

Números

Desde 2014, quando a Ala de Queimados começou a ser construída, o Corpo de Bombeiros de Cascavel registrou 57 ocorrências envolvendo vazamento de gás. Os casos, no entanto, não causaram nenhum dano físico aos envolvidos, porém, se houvesse a necessidade de atendimento médico, todos precisariam ser transferidos a Londrina ou Curitiba, os dois únicos centros do Paraná especializados na área.

Reportagem: Marina Kessler

Fotos: Lorena Manarin

 

 

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