Contra os idosos: Violação de direitos responde por 15% dos casos em Cascavel

Reportagem: Marina Kessler

Fotos: Lorena Manarin

Neste Dia Mundial de Enfrentamento à Violência Contra a Pessoa Idosa, lembrado hoje, a Secretaria de Assistência Social de Cascavel traz dados ainda preocupantes, e mostra que em 2016 foram registrados 331 casos de violência contra a pessoa idosa. Do total, 49 deles foram praticados por familiares e se encaixam como violações de direitos – quando a pessoa descumpre, não aplica ou aplica de maneira incorreta alguma ação – o que ainda é maioria em ocorrências desta natureza.

Conforme o diretor de Assistência Social, Emilio Fernando Martini, lamentavelmente os maiores índices ainda são atribuídos aos familiares, bem como a violência econômica por meio de empréstimos consignados. Ele ressalta que o número de violações de direitos não se refere ao número de idosos violados, considerando que um idoso pode ter um ou mais registros de violações de direitos.

Segundo levantamento da secretaria, as violações intrafamiliares não são as únicas a vitimar os idosos. Entre as principais ações estão: a negligência, que ocupa o segundo lugar no ranking municipal de 2016, com 44 casos, a violência psicológica (39), a doméstica (33), além de violações associadas ao estresse do cuidador (17), transtornos psiquiátricos (16), uso abusivo de substâncias psicoativas (15) e abuso financeiro e econômico (12). “O Creas III tem atendido os casos, porém, os números não representam a realidade por termos consciência de que em muitos casos o idoso mesmo prefere não informar para não prejudicar um membro da família”, explica Martini.

O idoso que precisar de ajuda pode procurar a assistência por meio dos Cras (Centros de Referência de Assistência Social), Creas (Centros de Referência Especializados de Assistência Social) e Conselho Municipal do Idoso. Martini reitera que cabe também a responsabilidade da população em denunciar os casos que tenha conhecimento.

 

***EM DESTAQUE LOGO APÓS O TEXTO DE ABERTURA

Para denunciar disque 0800 41 0001

 

 

 

Violações registradas em 2016

Violação intrafamiliar   49

Negligência 44

Violência psicológica    39

Violência doméstica      33

Violações associadas ao alto grau de estresse do cuidador   17

Violações associadas a transtornos psiquiátricos        16

Violações associadas ao uso abusivo de substâncias psicoativas   15

Abuso financeiro e econômico         12

Abandono  11

Violência física – idoso 8

Violência patrimonial   8

Afastamento do convívio familiar   7

Isolamento 4

Autonegligência   2

Confinamento      1

Desvalorização da potencialidade/capacidade da pessoa      1

Exploração da imagem 1

Mendicância        1

Situação de rua    1

Violência psicológica    1

Violência sexual  1

TOTAL     331

 

EM CASCAVEL

Maioria das vítimas é mulher

 Os crimes cometidos contra a pessoa idosa são geralmente praticados contra mulheres, conforme dados da Secretaria de Assistência Social de Cascavel. Em 2016 – levantamento mais recente da pasta – 62% das ocorrências tiveram como vítimas as mulheres idosas.

Entre os 21 eventos mais comuns de violência, a psicológica foi a que mais atingiu esse público, com 31 casos em todo o ano passado. Na lista estão ainda a violação intrafamiliar, com 30 registros, negligência (25), violência doméstica (22) e violência associada ao alto grau de estresse do cuidador (12).

Já entre o público masculino, o total de casos chegou a 126. Neste caso, as ocorrências se referem à violação de direitos (idoso), com 17 casos, a negligência (16), a violência doméstica (9), a psicológica (8) e violações associadas a transtornos psiquiátricos (6).

O outro lado

Embora o idoso ainda seja vítima de maus tratos, existem aqueles que todos os dias dedicam parte de seu tempo para ajudar. É o caso de Graciela Zancan, que cuida de dona Salvina. Segundo ela, cuidar de um idoso é também pensar no próprio futuro. “É uma experiência de vida bem grande. Fico pensando no meu futuro, como queria ser cuidada e se alguém vai cuidar de mim. É um aprendizado diário”, diz Graciela.

Dona Salvina, que tem 96 anos, leva uma vida tranquila, não toma nenhum tipo de medicamento e consegue fazer várias coisas sozinha, como tomar banho e comer. “Ela faz bastante coisa sozinha, mas precisa que alguém esteja com ela como acompanhante. Geralmente, assistimos televisão, ela caminha um pouco e conversamos”, conta.

 

 

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