Construção civil: Cascavel avança para contornar crise

Reportagem: Marina Kessler

Fotos: Vandré Dubiela

O setor da construção civil, que muito vem perdendo desde a ascensão da crise econômica nacional, tem mostrado sinais de recuperação, embora tímidos. O que comprova isso são os empregos gerados pelo segmento nos dois primeiros meses do ano.

Conforme o Caged (Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego, Cascavel encerrou o mês de fevereiro – dado mais recente – com 585 novas vagas abertas. Destas, 141 eram referentes à construção civil, que contratou 591 pessoas no período. Desde janeiro, os números apontam um avanço ainda mais significativo, com 287 postos de trabalho mantidos no setor. Nos dois casos, diferente do que se viu no mesmo período de 2016 quando a construção civil fechou no vermelho, houve mais admissões do que demissões.

Os bons resultados, segundo o presidente da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), José Carlos Martins, são de um cenário exclusivo do município, que segue na mesma crescente que o restante do Paraná. “Cascavel, assim como o Paraná, tem gerado empregos na construção civil. Mas isso não significa que a crise acabou, ao contrário, o restante do Brasil continua enfrentando uma situação muito difícil, inclusive no setor, que deve mostrar sinais de recuperação apenas a partir do terceiro trimestre do ano”, relata Martins.

Por ser uma região que tem sua economia baseada no agronegócio, Martins relaciona uma agricultura e pecuária totalmente produtiva ao poder de compra do consumidor. “Aqui, o diferencial é o agronegócio. Com recordes nas últimas safras, os investimentos, que foram adiados num momento, começam a retornar e com isso, movimenta toda a cadeia”, explica. Ou seja, com a base econômica a todo o vapor, injetam-se mais recursos no comércio, serviços, indústria e também na construção civil, que tem como principal reação o retorno das contratações para atender a demanda existente. “Na construção, o resultado é muito rápido. Quando está bem, percebe-se logo, e quando está em crise, a reação também é imediata”, diz.

Segurança nos investimentos

Embora ainda seja necessária cautela, os investidores já recuperaram parte da segurança perdida quando a crise estava bem mais latente. Martins explica que geralmente os grandes negócios são os que ficam para trás quando o assunto é instabilidade financeira. Com o País vivenciando um caos político, social e econômico, comprar imóveis ficou bem abaixo da lista de prioridades. “Os investimentos são os primeiros a serem adiados quando há uma crise. A compra de um imóvel fica para trás quando é preciso pagar um plano de saúde ou uma escola, por exemplo”, acrescenta.

Segundo o presidente da Cbic, o reforço ao setor seria a redução das taxas de juros e a Selic (Sistema Especial de Liquidação de Custódia) em apenas um dígito. A expectativa é de que isso ocorre apenas no fim deste ano para que em 2018 o segmento tenha fôlego para seguir em frente.

Construção civil em números

Fevereiro 2017              591 admissões

Fevereiro 2016              538 admissões

Aumento de 9,8%

 

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