Comida na cadeia: Cardápio prevê feijoada, panqueca e até paçoca

 Reportagem: Tissiane Merlak

Fotos: Lorena Manarin

 Risoto, feijoada, panqueca, peixe frito, carreteiro e até feijoada. Esses são alguns dos itens que foram servidos aos presos da PIC (Penitenciária Industrial de Cascavel) e da PEC (Penitenciária Estadual de Cascavel) no mês passado. A comida, apesar das inúmeras reclamações dos detentos e familiares, é balanceada e chega quentinha. AO menos foi o que apurou a reportagem do Hoje que foi à PIC e experimentou o que é servido aos presos. No dia da visita havia na quentinha arroz, farofa, seleta de legumes e linguiça defumada, mas a cada dia o conteúdo muda.

De acordo com o vice-diretor da PIC, Leandro Ocaso, o cardápio é feito com um mês de antecedência. “Quem não vem até a unidade, quem não conhece a realidade, fala muita cosia. O cardápio é balanceado, desenvolvido por uma nutricionista que cuida especificamente disso e, a cada dia tem uma opção diferente”.

Todo processo é acompanhado por uma comissão, que fiscaliza desde a aparência do alimento, a qualidade, temperatura e também se o que está definido no cardápio é o que realmente está sendo servido. “Além disso, é conferido o peso da marmita, que deve ser maior do que 720 gramas e ainda a salada, que vem em um pacote separado”.

Conforme Ocaso, amostras são selecionadas para a checagem de todos os itens. “No caso do peso, por exemplo, já tivemos marmita com mais de 850 gramas. A temperatura que chega é sempre mais do que 60ºC”.

Segundo ele, são oferecidas três refeições diárias aos presos: café, almoço e jantar. “No café da manhã são servidos dois pães, com margarina ou com algum tipo de doce, café preto ou café com leite. Para o almoço e o jantar há o cardápio diário, que tem inclusive panqueca, feijoada, coisas que muitas pessoas não têm em suas casas”.

Questionado em relação a qualidade do alimento servido aos mais de 1,5 mil presos nas duas unidades prisionais, o vice-diretor disse que ela é excelente. “Claro que agendado, desafio a qualquer pessoa que duvidar da qualidade a vir comer um dia comigo. Eu e os demais funcionários comemos o que os presos comem. Jamais seria servido algo ruim para os detentos porque, no caso de algum deles passar mal, por exemplo, a responsabilidade é da direção. Ela é de ótima qualidade”.

Sobre a variedade do cardápio, Ocaso cita o exemplo da pessoa que come todos os dias no mesmo restaurante. “Se eu for todos os dias em uma churrascaria, no começo vou achar uma delícia. Mas passados um ou dois meses, vai chegar o dia em que vou querer uma comida diferente, nem que seja um pão com ovo frito”.

Ele ressaltou que a forma com que o alimento é entregue ao detento pode influenciá-lo. “Aqui dentro temos pessoas que estão há cinco, sete anos presas e vão ficar por mais tempo ainda. Eles pegam a marmita branca, no mesmo formato todos os dias e claro, acabam cansando e dizendo que ela é ruim, mas posso assegurar que não é”.

 

PENITENCIÁRIAS

Alimentação custa R$ 11,63 ao dia

De acordo com a assessoria de imprensa do Depen (Departamento Penitenciário do Paraná), a alimentação dos detentos é fornecida por empresas terceirizadas. No caso da PIC, da PEC e também dos Censes (Centros de Socioeducação) e do Semiliberdade, a responsável é a NBG Alimentação e Serviços Ltda.

A empresa oferece, com o custo total de R$ 11,63, as três refeições: café, almoço e jantar. A partir do momento em que as marmitas chegam às unidades prisionais, a Comissão de Recebimento de Alimentos verifica a qualidade da alimentação do ponto de vista nutricional e higiênico, além de conferir a pesagem, tipo de cardápio e a temperatura da alimentação fornecida diariamente.  Além disso, há também o acompanhamento do setor de Nutrição do Depen que supervisiona a alimentação em todo o Estado.

De acordo com pesquisa feita pela reportagem do Hoje, o contrato firmado com a empresa NGB Alimentações e Serviços Ltda. começou em 2012 e, diariamente são investidos pelo Estado, somente na PIC e na PEC, cerca de R$ 18 mil por dia com a alimentação dos detentos. Por ano, levando-se em conta os valores atuais (R$ 11,63 para cada preso) o Depen gasta cerca de R$ 6,5 milhões somente nestas duas unidades prisionais.

Conforme o contrato firmado em 2016 para a alimentação dos dois Censes e para o Semiliberdade, que vence em outubro deste ano, as duas refeições mais caras são o almoço e o jantar: R$ 6,90 cada.  O desjejum é levado às penitenciárias às 5h30. Às 11h os detentos recebem o almoço e às 17h30, o jantar.

 

 

 

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