Cida Borghetti : Uma mulher governadora

Ela nasceu no dia 18 de fevereiro em Caçador (SC), é a vice-governadora do Paraná e neste momento é a governadora em exercício e assim será até o dia 8 de março, não por acaso, Dia Internacional da Mulher.

Cida Borguetti é responsável pelas relações do Paraná em Brasília, empresária, formada em Administração Pública pela Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina) com especialização em Políticas Públicas da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e reconhecida nacionalmente pelo trabalho em favor da mulher, criança e adolescente, pela saúde preventiva e o cuidado especial com as pessoas.

Foi deputada estadual por dois mandatos (2003/2010) e deputada federal (2011/2014).   Na Câmara dos Deputados (2011-2014) foi a autora do Projeto de Lei 267/11 – um dos projetos de maior repercussão nacional com objetivo de levar a paz nas escolas. Presidiu a Comissão Especial da Primeira Infância – que cuida de políticas públicas voltadas à proteção da criança de 0 a 6 anos, presidiu o Grupo Parlamentar Brasil – Itália, viabilizou para o Paraná a implantação de quatro Centros de Diagnóstico de Câncer de Mama com a mais alta tecnologia. Na Assembleia Legislativa (2003 – 2006) (2007 – 2010), como deputada estadual, é autora de 101 leis estaduais no Estado do Paraná, com destaque para a Lei 110/05 que regulamenta a Região Metropolitana de Maringá e a Lei 111/05 que cria as Regiões Metropolitanas do Estado do Paraná. É autora da lei estadual 14854/05 que institui o 27 de novembro como o Dia Estadual de Luta contra o Câncer de Mama – hoje lei nacional 12116/09, além de uma infinidade de outras ações que a colocaram na vitrine do mundo para as causas sociais.

Às vésperas da celebração do Dia Internacional da Mulher, Cida é a entrevistada da semana do Hoje.

 

Hoje: Em alguns dias, celebraremos o Dia Internacional da Mulher. Como é ser uma mulher na política?

 

Cida Borguetti: Desde a juventude participei da política, como filiada a partido, candidata ou no exercício dos mandatos de deputada estadual e federal e agora de vice-governadora. Encontrei na política um caminho de realização pessoal e profissional. Meu pai, seo Ivo Borghetti, repetia sempre para mim a seguinte frase: “Se não está contente com algo, vá lá e faça melhor”. É disso, por meio da atividade política, seja qual área for escolhida – a militância partidária,  a participação eleitoral  ou o exercício do cargo público – podemos mudar a realidade que nos cerca.  E essa atuação possibilita, não apenas à mulher, mas a toda e qualquer pessoa que sonhe em fazer a diferença. Temos a oportunidade de trabalhar e servir à comunidade.

 

Hoje: Como vice-governadora, a segunda da história do Paraná como mulher, a senhora acredita que as mulheres estão caminhando bem no quesito equidade de gênero e empoderamento?

 

Cida: Olha, se a gente olhar para o passado, vamos perceber que a grande mudança, o movimento que realmente teve consequências importantes nas várias sociedades espalhadas pelo mundo, com reflexos diretos nas econômicas de centenas de países, foi a entrada da mulher no mercado de trabalho. Foi no dia a dia das empresas, escolas, universidades ou indústrias, ocupando espaços até então  majoritariamente masculinos, que a mulher mostrou sua capacidade. Uma revolução do bem, que continua acontecendo.

Ainda temos muito a melhorar: não se trata de ‘’empoderar” a mulher para que ela tome o lugar, ou passe a mandar no homem, mas de estar nas mesmas condições salariais, de horário de trabalho, de divisão de tarefas domésticas. Milhares de mulheres, na verdade, continuam fazendo duplas ou triplas jornadas de trabalho, passam por dificuldades com tratamentos de saúde, delas e dos filhos, e mesmo assim, cumprem suas cumprindo suas tarefas com rigor.  Há muito o que se fazer para mudar as diversas realidades que as mulheres enfrentam.

 

Hoje: Nas eleições municipais do ano passado vimos mais uma vez poucas mulheres eleitas, tanto no Executivo quanto no Legislativo. Isso ainda é reflexo de uma sociedade paternalista?

 

Cida: Sinceramente, acho que os partidos políticos no Brasil ainda precisam encontrar formas de atrair mais mulheres para seus quadros. A situação é simples: por mais vontade que uma mulher tenha de participar da política dentro de um partido, ela não vai conseguir deixar os filhos pequenos em casa e comparecer às reuniões partidárias. Então, precisamos usar o que a tecnologia nos possibilita. Integrar grupos de redes sociais, videoconferência, mensagens, debates, encontros nacionais, estaduais e municipais online para que as pessoas interajam sem precisar de casa.

 

Hoje: E neste cenário, o que a preocupa?

 

Cida: Dois aspectos da realidade feminina brasileira em particular me preocupam: a maternidade precoce e o papel fundamental que as avós exercem na nova composição familiar. No primeiro caso, o poder público precisa agir para que essas mães precoces continuem a estudar, não interrompam suas vidas e se tornem profissionais aptas para o mercado de trabalho. No segundo caso, é um encargo injusto para uma mulher que trabalhou a vida inteira e na terceira idade ainda se torne responsável pela manutenção e educação dos netos. A rede de proteção social precisa alcançá-las.

 

Hoje: A senhora acredita na máxima de que mulher não vota em mulher?

 

Cida: Se eu acreditasse nisso, não teria nem saído da casa de minha mãe para me filiar ao antigo PFL (risos). Mulheres votam em propostas, votam porque acreditam que aquela pessoa pode fazer a diferença em suas vidas. Acredito que as mulheres têm um bom senso apurado, uma “antena” mais ligada diretamente à sobrevivência que as fazem mais responsáveis na hora do voto do que os homens. É aquela história de cuidar dos filhos e da família, de garantir o futuro, de lutar por melhorias nas condições de vida de todos ao redor que todas nós temos. Já nascemos com essa vocação para cuidar.

 

Hoje: Cascavel é a quinta maior cidade do Paraná e nunca teve uma prefeita e na atual legislativa, igual a passada, não há mulheres no Legislativo Municipal. Ao que se deve isso no seu ponto de vista?

 

Cida: Trata-se da mesma circunstância que atinge outras cidades. Os partidos políticos, sem exceção, precisam atrair mais lideranças femininas de diferentes áreas e campos de atuação. Mulheres que se destacam na iniciativa privada, na área médica, empresarial, contábil. Mulheres que possam nos ajudar na missão de trabalhar pelo nosso País. Para efeito de comparação, Curitiba tem nessa legislatura a maior bancada feminina da história, saltou de cinco para oito vereadoras. Parece bom, não é?! Mas se avaliarmos o universo todo, são 38 vereadores, deveríamos ter ao menos 19 vereadoras. Ou seja, há ainda um longo caminho a percorrer. Eu sou otimista, acredito que estamos mudando esse panorama, mas é uma caminhada gradativa.

 

Hoje: A senhora presencia ou vive preconceito?

 

Cida: Não. Mas isso não significa que o preconceito deixou de existir. Às vezes, precisamos estar atentos para reconhecer, até em nós mesmos, as mais sutis e variadas formas de preconceito contra a mulher. Existem pesquisas que mostram, por exemplo, que a Lei Maria da Penha não reduziu os crimes contra a mulher no Brasil. É claro que uma lei apenas, por mais necessária, não vai mudar uma realidade que se estende há séculos. Mas a lei foi um passo decisivo da sociedade brasileira contra o preconceito e seus reflexos vão se estender por muitos e muitos anos, com resultados extraordinários. Trata-se de lutar, todos os dias, para eliminar o preconceito.

 

Hoje: E para 2018, os paranaenses podem esperá-la candidata ao Governo do Estado?

 

Cida: Eu sinto uma satisfação imensa, um orgulho muito grande de servir o povo do Paraná. Agradeço a confiança do governador Beto Richa. Ser vice-governadora permitiu ampliar meu trabalho em defesa das crianças brasileiras, na luta contra o câncer de mama, na articulação de mais recursos junto ao Governo Federal, na saúde preventiva e de colocar, recentemente, o Paraná como um dos líderes do programa “Criança Feliz” do Governo Federal. Sediamos a oficina da região Sul de treinamento e capacitação e vamos integrar ações das prefeituras, estados e união para atender, especialmente, as crianças e famílias mais necessitadas.

 

Hoje: E como vice-governadora?

 

Cida: A vice-governadoria me permitiu acompanhar detalhadamente a condução do governo Beto Richa, com seus desafios e suas conquistas. Aprendi muito e hoje tenho conhecimento pleno do que o Paraná representa nesse imenso território brasileiro e o que temos que fazer para melhorar ainda mais a vida do nosso povo. Se for possível, por meio da candidatura ao Governo, colocar toda essa experiência ao favor do Paraná, serei candidata, sim. meu partido já fez o convite para eu concorrer ao cargo em 2018 e eu aceitei. O futuro a Deus pertence.

 

Hoje: Que mensagem a senhora deixa às mulheres quanto as suas conquistas?

 

Cida: A mais simples de todas as mensagens. E a mais verdadeira: “Nós devemos ter Fé em Deus e em nossas possibilidades. Tudo o mais é uma questão de esforço e perseverança”

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