Cascavelense cria projeto que junta bike e cadeira de rodas

Uma ação que une esporte, qualidade de vida e amor. Assim pode ser definida a atitude de um pai que tomou a iniciativa de, com a ajuda de amigos, pôr em prática um projeto para adaptar a cadeira de rodas de seu filho a uma bicicleta para juntos rodarem cidade afora. A ideia pode parecer simples, mas é daquelas que nos faz questionar “como não pensei nisso antes?”.

Projetos semelhantes há muitos pelo mundo, e foi justamente vendo um deles que o gerente administrativo Renato Markus, de 55 anos, teve a ideia de trazer para Cascavel para dar novo ritmo aos passeios com o filho Rodrigo, de 33 anos e que há dez anos só se locomove com a ajuda de cadeiras de rodas, depois de um acidente em que sofreu traumatismo craniano.

“Sempre o levei ao Lago Municipal, mas desde a inauguração da ciclovia na Avenida Brasil eu passei a procurar informações de como adaptar a cadeira de rodas dele em uma bicicleta”, explica Renato, que procurou por kits prontos em diversos sites e até chegou a contatar com um, de fora do País, mas sem sucesso. Entretanto, apesar das buscas na rede mundial de computadores, foi dentro do grupo de ciclismo que frequenta em Cascavel, o Amigos do Pedal, que encontrou a solução. “Conversei sobre o assunto com o Irani [Paulino de Souza Júnior, engenheiro civil e um dos organizadores do Amigos do Pedal] e ele de pronto se dispôs a ajudar”, explica Renato.

Sintonizado com a ideia do companheiro de pedalada, o engenheiro Irani tratou de desenvolver um modelo de protótipo que logo ganhou a simpatia do metalúrgico Alaor, que, com seu funcionário João, precisou de cerca de 20 dias para colocar a bike adaptada na rua pela primeira vez, no último domingo (30).

O veículo ainda está em fase de testes, necessitando de adaptações, como reforços nas barras que dão estabilidade nas curvas e a instalação de estofamento e cintos de segurança, mas tudo agora é considerado “detalhes” pelo pai de Rodrigo e da ideia, Renato, e pelos demais pais do protótipo, Irani, Alaor e João.

Baixo custo e grande satisfação

Sem medir esforços para colocar a ideia em prática, Renato Markus também não precisou colocar a mão a fundo no bolso para custear o projeto. Ao todo, o gerente administrativo estima que tenha gastado cerca de R$ 1 mil.

“A maior parte dos custos [R$ 500] foi para adquirir a bicicleta, que, com a adaptação, passa a ser exclusiva para empurrar a cadeira. Ademais, encontrei uma equipe que fez a ideia da certo, pois também não é toda metalúrgica que aceita o trabalho, que, por não dar volume de dinheiro, não gera tanto lucro”, explica Renato, que crê que com mais procura pelo projeto o custo possa ficar ainda menor e que o baixo custo do investimento contrasta com a satisfação do cadeirante durante o passeio.

“O Rodrigo ficou muito contente. É uma novidade para ele, que gostou muito. Tenho certeza que é isso que outras pessoas precisam fazer para dar mais alegria a um incapaz que só fica em casa ou passeia pela calçada, sem condição de ver mais coisas em outros locais, como lojas no Centro, por exemplo. Esse é um projeto que deveria ter em todo o País, pelo baixo custo e grande satisfação e qualidade de vida”, lança a ideia Renato.

Vagas exclusivas

Pai de cadeirante, Renato Markus sente há dez anos a dificuldade pela falta de acessibilidade em locais de grande circulação de pessoas. Ele chama a atenção para o pequeno número de locais disponíveis para cadeirantes e idosos estacionarem o carro e ainda para aqueles que se utilizam dessas vagas específicas sem portar carteira especial para se valer do benefício. “No Lago o fluxo de pessoas é intenso e ainda assim há uma vaga de estacionamento para cadeirante perto do portal de acesso à pista de caminhada e outra perto da igreja do local. E para piorar muitas pessoas fazem uso dessas vagas sem ter necessidade. Vejo o problema se repetir na Avenida Brasil, mas como lá ainda ocorrem obras, creio que será solucionado”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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