Atletiba que não aconteceu, o jogo que entrou para a história

Há vários lances ou episódios no futebol mundial que ficam marcados na história, como, por exemplo, o gol que o Pelé não fez, a goleada por 7 a 1 da Alemanha ou ainda troféus que corroam uma temporada. Há também partidas que não aconteceram e que ficarão marcadas na história, como a decisão sul-americana entre Chapecoense e Atlético Nacional. No Brasil, o clássico Atletiba que deveria ter sido realizado no último domingo também é um caso histórico para o esporte brasileiro.

Pela primeira vez no País do Futebol um jogo seria transmitido ao vivo pela internet para qualquer lugar do mundo e sem a intermedição milionária da televisão, que ao comprar os direitos de imagem das equipes também acaba exercendo poder sobre as federações, a Confederação e sobre o cotidiano da população consumidora do produto, ao fazê-las, por exemplo, ir ao estádio às 21h45 e deixá-lo próximo da meia noite, o que em grandes centros faz com que o torcedor retorne para casa uma ou até duas horas depois do jogo.

Para justificar cancelamento do jogo, a Federação Paranaense de Futebol alegou que os profissionais que fariam a transmissão para a web não estavam credenciados para exercer a função. “Em nenhuma partida é permitido o acesso e permanência de pessoas estranhas no entorno do gramado”, justificou a entidade em nota oficial.

A versão oficial contraria a do quarto árbitro, Rafael Traci, que afirmou no campo da Arena que o clássico não aconteceria porque a equipe da transmissão via Youtube “não é a detentora do campeonato”. A fala de Traci, direcionada a dois dirigentes, foi flagrada por uma câmera da transmissão oficial e mostra o árbitro citando ainda que recebeu a informação “do presidente Hélio Cury”, de que “o pessoal não pode transmitir… Eu só recebo o ‘ok’ para iniciar a partida”. O vídeo com a conversa de Traci está disponível na internet. Vale lembrar que Hélio Cury é o presidente da Federação Paranaense de Futebol reeleito em 2015 – após processo eleitoral que foi parar na Justiça por mudanças de última hora no estatuto da Federação – para completar 11 anos à frente da entidade.

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