As mães da PEC

 Reportagem: Tissiane Merlak

Fotos: Vandré Dubiela

 Quem é mãe sabe que o maior presente, no Dia das Mães, não é uma roupa ou qualquer outro tipo de bem material. O maior presente que se pode ganhar de um filho é um abraço e um beijo, como forma de reconhecimento pelo carinho e dedicação. Mas, infelizmente, muitas não têm esse privilégio, ou por já terem perdido seus filhos, ou por tê-los e ter que conviver com uma rotina nada agradável: a ausência pela prisão.

Em Cascavel, mais de mil mães precisarão ir até uma das duas penitenciárias PEC (Penitenciária Estadual de Cascavel) ou a PIC (Penitenciária Industrial de Cascavel) para ver seus filhos e receber algum tipo de carinho neste domingo próximo, no Dia das Mães.

A reportagem do Hoje foi à PEC em um desses dias de visita e encontrou dezenas delas. É o caso de dona Laila de Lima, que todos os fins de semana sai de Campo Bonito, onde mora, para ver o filho ou entregar algum tipo de alimento nas chamadas “sacolas”.

Logo no primeiro bom-dia, ao ser questionada como se sente sendo mãe e precisando vir à Penitenciária para ver o filho, os olhos se encheram de lágrimas. “Faz um ano e meio que saio da minha casa para ver ele, e virei até quando precisar. Não há nada pior”.

Segundo Laila, a dor maior não é ter que passar pelo constrangimento das revistas, ou pelos olhares maldosos de quem nunca passou por um momento desses. A dor maior é ver o filho preso. “Ele errou, sei disso e ele tem que pagar. Mas eu, como mãe, queria ter ele perto de mim, não só no Dia das Mães, mas todos os dias”.

O filho está preso pelo crime de homicídio. “Venho todo fim de semana e nem sempre consigo vê-lo. Mas só de saber que ele está bem, que posso trazer a comida que ele gosta de comer, já me dá forças para continuar lutando”.

 

Uma avó que faz o papel de mãe

Com os dois netos presos também por homicídio, Julia da Rosa Barbosa faz o papel da mãe ao visitá-los. Ela levanta ainda na madrugada, se arruma, pega as sacolas com as coisas que eles gostam de comer, e claro que é permitido levar, e vai para os portões da PEC. “Eles estão presos há seis meses e venho sempre. Não é fácil para gente ver eles nessa situação. É deplorável, desumano, triste mesmo, mas infelizmente é um caminho que eles precisarão seguir por ter tomado uma atitude errada”.

Conforme Julia, a mãe dos rapazes sofre ainda mais. “Ela mora em São Paulo, não tem como vir para cá sempre. Por isso venho, para ver eles, se estão bem, e trazer o que é permitido”.

Questionada em relação ao que os netos contam da prisão, Julia é receosa. “Ninguém que está preso vai dizer que está bem, não é? Eles reclamam principalmente de não poder trabalhar. Eles precisam ficar presos, pagar pelo erro que cometeram, mas acredito que o Estado deveria investir em outro tipo de sistema prisional, que fizesse com que eles tivessem tempo para trabalhar, ocupar a mente. Só assim, se resocializando, eles poderão sair da penitenciária e ter uma nova vida”.

 

Eles precisam de ressocialização

Este é o mesmo pensamento de Marina Lopes, com o filho preso há pouco mais de quatro meses. “Ele precisa trabalhar, tirar seu sustento e ajudar a família. Aqui, infelizmente, ninguém sai resocializado. Pelo contrário. Se eles estão em uma ala com presos que cometeram outros tipos de crime, que não querem mudar, a chance de sair daqui pior é ainda maior”.

Segundo Marina, o filho conta que o dia a dia na prisão não é nada fácil. “Ele reclama toda vez que venho aqui. Não só por conta das opressões que sofrem, mas por ficarem trancados, comendo sempre a mesma comida”.

Ela conta que quando foi preso, o filho ficou por alguns dias na carceragem da 15ª SDP (Subdivisão Policial), desativada em dezembro do ano passado. “Lá a situação era ainda pior. Era um lugar úmido, sem o mínimo de higiene, com uma alimentação que muitas vezes vinha estragada, e que para nós, que íamos visitá-lo para ver como estava, era ainda pior. Na PEC tem o aparelho de raio-X, que não precisamos passar por aquela revista horrível, mas mesmo assim é muito constrangedor para mim, uma senhora, ter que vir aqui para passar algumas horas com meu filho”.

 

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