Albergue Noturno: O primeiro passo para uma nova vida

Reportagem: Jaqueline Silva

Foto: Fábio Donegá

Como forma de prestação de contas das doações recebidas nos sorteios de ingressos e apresentar o trabalho desenvolvido na Associação Espírita Irmandade de Jesus, o Albergue Noturno do Bairro Parque São Paulo, o Hoje esteve no local nesta semana.

A casa de passagem atende cerca de 100 pessoas por dia, oferecendo café da manhã, almoço, lanche da tarde e janta. São em sua maioria moradores de rua, viajantes e pessoas vindas de outras localidades em busca de uma vida melhor.

A associação atua também na reinserção social. “Damos o primeiro passo, auxiliando na hora da entrega de currículos e no agendamento de entrevistas e de exame admissional. Avaliamos cada caso particularmente, conferindo se a documentação pessoal está correta e se a pessoa tem algum problema de saúde. Caso tenha, encaminhamos ao posto de saúde”, explica a psicóloga Fabiane Fauth, que atua há mais de seis anos na entidade, fundada há 40 anos.

Para ser atendido, o acolhido precisa ter em mãos um documento de identificação ou o boletim de ocorrência de perda ou extravio. Tudo para evitar que pessoas com problemas na Justiça utilizem o local como esconderijo, prezando assim pela segurança de todos. “Entrevistamos e fazemos a ficha, conhecemos a qualificação, avaliamos porque estão aqui, qual o objetivo de vida e o que querem fazer daqui para frente. Orientamos conforme as necessidades de cada um, seja para encaminhar ao atendimento médico ou para fazer a documentação civil”, continua Fabiane.

Além de buscar uma nova vida, muitos chegam ao albergue com vícios. “Há casos em que percebemos que eles chegam com dependência alcoólica ou química, então, quando pegarem o primeiro salário irão gastar tudo. Nesses casos oferecemos ajuda, sugerimos o internamento, tentamos dar o direcionamento até que a pessoa consiga ter autonomia e cuidar da própria vida”.

Doações são bem-vindas

Além de alimentos para servir cerca 100 pessoas diariamente, o albergue necessita de roupas, principalmente masculinas (mais de 90% dos atendidos são homens), materiais de higiene pessoal e roupas de cama (cobertor, travesseiro e colchão). “Não adianta, por exemplo, doar um calçado com a sola descolada. É para utilizar no trabalho. Nós não temos como colar nem eles têm como pagar o concerto. Há demanda também por móveis, pois muitos chegam aqui depois de perderem tudo e precisam recomeçar do zero”, comenta a psicóloga Fabiane Fauth. Produtos de limpeza também estão na lista das necessidades.

Pacientes psiquiátricos

“Nosso problema é a saúde mental, a rede é precária em Cascavel. O poder público precisa reavaliar a questão das residências terapêuticas e que essa lei tenha uma nova visão. Elas precisam abrir vagas para pacientes psiquiátricos em situação de rua. Muitos não conseguimos acolher, por falta de estrutura, de um ambiente controlado para ficarmos com essas pessoas. Elas podem ser violentas, agressivas e não tomam medicamentos como precisam tomar. Não temos enfermeiros nem médicos aqui dentro e, segundo a Vigilância Sanitária, não podemos medicar. Têm muito paciente psiquiátrico violento que acaba ficando na rua e usando drogas, ou algo que piora o quadro deles”, encerra Fabiane Fauth.

 

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