A superação e a arte

Reportagem: Juliet Manfrin

Foto: Lorena Manarin

 

Você já viveu algo que considera ser de extrema superação? Sim? Então a história a seguir pode ser semelhante a sua ou apenas lhe servir como um bom exemplo. Se não for, fica a lição de que “gratidão é a palavra”.

A artista plástica e dançarina nacional e até internacionalmente conhecida, a cascavelense Jenifer Lima é formada em Belas Artes, dançarina desde muito jovem, foi nos desenhos que encontrou sua maior veia artística, incentivada desde muito cedo pelo pai que era desenhista gráfico.

Aos 16 anos foi aprovada para a Escola de Belas Artes na Capital do Estado, se tornou bailarina do Teatro Guaíra e deixou os desenhos para mais tarde. “Na época eu pensava que poderia desenhar aos 40 anos, mas dançar tinha uma carreira mais curta e que precisava ser antes” comentou.

Acompanhada pelo marido durante a emocionante entrevista, ela reviveu uma parte importante da sua história.

Primeiro veio um acidente de carro, em 1997, que comprometeu, mas não paralisou seu braço esquerdo. A vida seguiu e a professora de Artes da rede pública estadual de ensino começou a dormir mal. Tinha a sensação que acordava cansada sempre. Começou a investigar e foi diagnosticada em um primeiro momento com estresse, ansiedade, condições muito peculiares à vida de um professor. Não satisfeita, resolveu ir além. No início de 2012, em uma consulta de rotina, descobriu nódulos na mama esquerda. A biopsia não apresentou malignidade, mas foi em outubro daquele mesmo ano, durante a campanha Outubro Rosa, que o diagnóstico mais assustador lhe foi confirmado. A mama direita estava totalmente comprometida. Fez então uma mastectomia radical na mama direita e parcial na esquerda, além da retirada dos linfonodos que provocou uma doença conhecida como linfedema que provoca inchaço desconfortável, dores intensas e limitação da mobilidade do braço direito.

Existia ainda o duro e pesado fardo das quimioterapias. O cabelo caiu, o choro veio, o desespero também e a mãe de duas filhas viu a mais nova somatizar todos os seus sintomas. “Se eu vomitava, ela vomitava também, se eu tinha insônia, ela também tinha. Então eu decidi que não poderia me entregar porque ela estava indo comigo”.

 

A vida não para

Ela não parou de dançar, muito pelo contrário, neste ano sua escola completa 25 anos, e, além disso, os desenhos contribuíram para encarar a luta diária, assim como a presença da família e daqueles que a cercam. “Por isso digo, gratidão é a palavra”.

Jenifer prepara para breve uma exposição no Teatro Municipal. Parte da sua história vai estar ali, para ser contemplada.

Porém, ela participa neste momento da 1° Exposição Panorama das Artes de Cascavel no Museu de Artes. A visitação segue até o dia 26 de abril. Além dela, pelo menos outros 80 artistas apresentam 130 trabalhos.

A peça de Jenifer é um autorretrato expondo a cicatriz deixada pela mastectomia. Chamada de “Sem Um Pedaço”, a obra revela sua cicatriz. “Essa cicatriz não representa a dor, o medo, e o quanto horrível é conviver com o câncer de mama. Essa cicatriz retrata a minha vitória, a minha luta, a minha segunda chance de viver. Luto contra a doença (linfedema) e o câncer todos os dias, e estou muito feliz pela oportunidade de Viver mais um dia. E, mesmo sem um pedaço, continuo vivendo. O câncer me deu a minha maior lição de vida: ensinou-me a ser grata”.

Então, se você ainda não visitou a exposição, não perca tempo. A entrada é de graça.

 

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