A arte de ler e escrever

Reportagem: Romulo Grigoli

Fotos: Lorena Manarin

Por onde passa, Guimarães Rosa demonstra o amor pela linguagem e compartilha o conhecimento que adquiriu ao longo dos anos. Membro da Academia Sul Mato Grossense de Letras, é autor de 23 livros e tem um currículo admirável.

Entretanto, para o escritor não basta apenas colocar à disposição do público uma extensa lista de livros, se os professores não tiverem habilidade para ensinar o conteúdo no dia a dia dos alunos.

“O professor tem que aprender a dominar o conteúdo para poder facilitar o entendimento do aluno, se não tiver entendimento, não há comunicação”, sintetiza Rosa.

Essa foi uma das lições na palestra quando esteve em Cascavel, a convite da Academia Cascavelense de Letras que comemorou 12 anos de fundação.

Guimarães Rosa apresentou o projeto a Arte de Ler e Escrever a educadores do NRE (Núcleo Regional de Educação) e da Secretaria Municipal de Educação como forma de treinamento.

“Antes de você escrever, você lê. Se você não sabe ler, dificilmente saberá escrever bem”, diz ele ao acrescentar “primeiro precisamos ter um bom vocabulário e saber selecionar esse vocabulário”.

Ele compara a construção de um poema como um encanamento, por exemplo, e justifica o quão importante é a conexão de todos os elementos.

“Assim são as palavras. Cada verbo precisa entender a estrutura de um verso, de uma quadra”, cita.

Formado em Letras pelas FUCMT (Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso), Rosa é professor de literatura brasileira e lembra de uma das escolas, pela qual tem imensa admiração: o parnasianismo.

“Muitos professores não estão mais ensinado isso e a escola parnasiana tende a desparecer. Por outro lado, modernismo que a gente pensava que realmente era algo melhor do que seria, não foi”, reflete.

O destaque no projeto do escritor é o olhar para o regional. Dessa forma ele questiona se em Cascavel existe uma identidade cultural consolidada e desafia educadores à reflexão. “Quero conhecer os autores de Cascavel e trabalhar um projeto para propor a busca da identidade cultural. Essa busca tem que encontrar ressonância, principalmente nas escolas de primeiro e segundo grau para o aluno chegar à faculdade consciente do trabalho que foi feito”, orienta Rosa.

Coronel Adib – A História

Guimarães Rosa atuou como policial militar por 30 anos e a história de quem também fez parte da instituição o motivou a escrever o mais recente livro na carreira. “Adib é um ser humano incomum. Ele não é como a gente queria que ele fosse”, cita ele sobre o protagonista da obra.

A publicação relata a trajetória de Coronel Adib, um dos militares mais influentes do seu tempo, e exemplo de virtude e coragem na dedicação e no esforço sem comparação a missão que lhe orgulhava: servir o povo e proteger a população daqueles que desviam do caminho da lei e da ordem. “O livro é diferente, é uma biografia reflexiva, cada capítulo é introduzido com um poema, o que o torna singular, único na historiologia das biografias reflexivas”, explica o autor.

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