Tropeços administrativos
Na Prefeitura de Cascavel a situação funciona mais ou menos assim: quem criticar a administração é oposição. Não importa se as falhas são visíveis, o que vale é vender a imagem de que jamais se fez tanto pelo Município quanto agora. Essa estratégia já dura várias administrações.
Primeiro é preciso ressaltar que a população sabe recompensar o administrador que cuida bem do seu povo, que realiza obras de importância. A construção de dois postos de saúde na atual administração é um fator positivo. O problema é que não há médicos suficientes para atender todas as unidades básicas de saúde e se o problema do setor não for resolvido, a situação precária prevalecerá sobre as obras.
Também é um mal de todo administrador considerar que suas realizações são um favor à comunidade. Pelo contrário: é obrigação. Afinal foram eleitos para isso.
É preciso parar de creditar à imprensa todos os fatos negativos que ocorrem na administração. A imprensa não governa, ela apenas informa. Os fatos são criados por quem está no poder. Particularmente, a atual administração vem se destacando por uma série de equívocos, mas que não são reconhecidos. Só que a responsabilidade é jogada sobre a imprensa.
Não foi a imprensa, por exemplo, quem concedeu a gratuidade do transporte coletivo para usuários da Farmácia Popular sem aprovação da Câmara de Vereadores; também não comprou um terreno superfaturado para construção do cemitério; não projetou e depois renegou a existência da Guarda Municipal. A imprensa também não quis terceirizar o calçadão, mas recuou diante da pressão empresarial; não ignora a deterioração da Praça do Migrante, muito menos envia projetos no atropelo para serem votados na Câmara de Vereadores. A imprensa não concede aumento de tributos municipais e joga a responsabilidade sobre a prefeitura.
Os projetos acima causaram polêmica e muitos não saíram do papel porque foram feitos sem ouvir a comunidade ou sem critérios técnicos. Ninguém conseguir administrar sozinho ou apenas culpando a imprensa.
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