| PREFEITURA
TCE desaprova as contas de 2005
O TCE (Tribunal de Contas do Estado) confirmou ontem que as contas de
2005 da Prefeitura de Cascavel foram reprovadas. O secretário de
Finanças, Cláudio Stábile, contraria a informação
e diz que ainda está dentro do prazo para defesa e que os pontos
observados pelo órgão “são perfeitamente reversíveis
e explicáveis”.
O TCE fez cerca de 15 observações nas contas municipais,
algumas com ressalvas sanadas, segundo informação da Secretaria
de Finanças, e outras ainda em aberto.
O órgão observou, entre outras irregularidades, a não
aprovação das contas da Saúde pelo Conselho Municipal,
remuneração de agentes políticos, fixação
dos atos de remuneração dos secretários e movimentação
financeiras em instituição financeira privada. O TCE destacou
os gastos elevados com folha de pagamento e a realização
de compras e serviços sem empenho prévio.
O parecer preliminar do Tribunal que as contas do Município estão
irregulares e uma cópia do parecer foram enviados ao Ministério
Público. A prefeitura pode recorrer da decisão do Tribunal.
FINANÇAS
Prestação de contas não tira dúvidas
Gastos aumentam mais
do que a arrecadação
Cumprindo a determinação da Lei de Responsabilidade Fiscal,
o secretário de Finanças de Cascavel, Cláudio Stábile,
prestou contas ontem à Comissão de Finanças da Câmara
de Vereadores sobre o Orçamento do Município o primeiro
quadrimestre de 2007. O emaranhado de números mostrados pelo secretário
confundiu até mesmo os parlamentares, que à tarde aprovaram
um requerimento pedindo informações complementares para
entender a saúde financeira da prefeitura.
Stábile informou na prestação de contas que a previsão
orçamentária do Município caiu de R$ 227 milhões
para R$ 180 milhões e acusou uma queda de 11,5% na arrecadação
do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
Este ano a prefeitura arrecadou R$ 11.325.027,40 com o imposto no primeiro
quadrimestre, contra R$ 12.902.396,16 no mesmo período de 2006.
Mas os números mostram também, que, no geral, a arrecadação
dos quatro primeiros meses deste ano cresceu 4,9% com relação
a 2006, enquanto os gastos subiram 10%. De janeiro a abril deste ano a
prefeitura arrecadou R$ 67,171 milhões, ante uma previsão
de R$ 90 milhões, e empenhou R$ 60,388 milhões. No ano passado
a previsão era de R$ 79 milhões, foram arrecadados R$ 64
milhões e empenhados R$ 54,9 milhões.
Se por um lado o Município perdeu arrecadação do
ICMS, aumentou em 27% a receita do ISSQN (Imposto Sobre Serviços
de Qualquer Natureza). Foram R$ 5,478 milhões em 2006 contra R$
6,986 milhões em 2007. Também a arrecadação
com IPVA (Imposto de Propriedade de Veículos Automotores) subiu
de R$ 7,661 milhões para R$ 9,228 milhões, um acréscimo
de 20%. A prefeitura também arrecadou cerca de R$ 500 mil a mais
com IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).
GASTOS
O que contribuiu para elevar os gastos da prefeitura foram a Secretaria
de Saúde, que consumiu R$ 4 milhões a mais do que no mesmo
período do ano passado, e restos a pagar do exercício anterior
(déficit de caixa em 2006), que chegou R$ 2,96 milhões.
Os gastos com educação subiram R$ 1,6 milhão. Nos
demais setores houve um equilíbrio em relação a 2006.
O secretário Cláudio Stábile informou que a prefeitura
apertará a cobrança de impostos devidos ao Município,
desde pequenos a grande valores. O Município também voltará
a insistir na cobrança da taxa de lixo na conta de água
para tentar diminuir a inadimplência. “Hoje o furo na coleta
de lixo é de 30%”, informou.
BOXXX
Mais informações
Ontem à tarde, durante a sessão ordinária, os vereadores
Jorge Lauxen, Otto dos Reis Filho e Sadi Kisiel tiveram aprovado um requerimento
que pede mais informações à Secretaria de Finanças
sobre os números financeiros do Município.
Otto disse estar em dúvida com relação à normativa
do TCE (Tribunal de Contas do Estado) informada pelo secretário
de Finanças, Cláudio Stábile, sobre a inclusão
de convênios e outros recursos no orçamento municipal, que
estão causando polêmica na hora de contabilizar os gastos
com folha de pagamento, impossibilitando, por exemplo, negociar um reajuste
maior aos servidores públicos. “Eu pedi a normativa para
ele para saber o teor e o que ela diz, mas ele não tinha o documento.
Queremos ter acesso para estudar o que o TCE está dizendo e se
é tudo isso que a prefeitura está dizendo”, disse
Otto.
Os vereadores também pediram informações, discriminadas
mês a mês, da receita corrente líquida do Município,
não informada na prestação de contas, e sobre o número
de cargos comissionados e de funcionários que recebem gratificações.
Segundo Stábile informou à Câmara, a previsão
é de gastar R$ 104 milhões com salários este ano,
com os valores atuais. Considerando a arrecadação prevista
de R$ 180 milhões, isso representa 57% do orçamento do Município.
CÂMARA
Prefeitura terá que pagar luz de salões comunitários
Vereadores autorizam
empréstimo do teatro
Em sessão concorrida e longa, que durou mais de quatro horas,
os vereadores aprovaram em duas sessões ordinárias e outras
duas extraordinárias, todas as matérias da pauta.
Os vereadores aprovaram a autorização para que a Prefeitura
de Cascavel faça empréstimo junto à Agência
de Fomentos do Paraná no valor de R$ 5,7 milhões para a
construção do Teatro Municipal, e o remanejamento da contrapartida
do Município, de cerca de R$ 570 mil.
O anteprojeto estava à espera de votação havia 15
dias. A Câmara chegou a convocar uma sessão extraordinária
para apreciar a matéria, mas uma falha técnica e a demora
na apresentação do substitutivo impediram a apreciação
da matéria. A previsão é de que as obras do Teatro
Municipal tenham início no segundo semestre deste ano, mais tardar
em agosto, e sejam concluídas até o fim do próximo
ano.
Outro projeto que foi aprovado por unanimidade dos votos é de autoria
do vereador Aderbal de Mello (PT), que transfere à prefeitura a
responsabilidade do pagamento das contas de energia elétrica dos
salões comunitários do Município. Cerca de 15 líderes
comunitários acompanharam a votação em plenário.
Também foi aprovado o projeto de lei referente ao estudo de impacto
de vizinhança quando da implantação de novos loteamentos
urbanos em Cascavel, de autoria do vereador Fernando “Bacana”
Dias Lima (sem partido). Já o projeto que cria normas para o funcionamento
de cemitérios públicos, associativos ou particulares, foi
retirado da pauta por pedido de vistas. O projeto é de autoria
do presidente do Legislativo, Julio Cesar Leme da Silva (PMDB), e permite
que instituições religiosas tenham seu próprio cemitério.
CASO SEIBERT
Jadir quer interferência do MP
O vereador Jadir de Mattos (PTB) anunciou ontem que vai protocolar ainda
hoje no MP (Ministério Público) uma denúncia referente
às declarações do também vereador Mário
Seibert (PMDB), de que o salário de sua esposa, Marilei Seibert,
recém-exonerada da Secretaria da Cultura, era usado para saldar
uma dívida com o secretário de Obras Públicas, Cléverson
Thomé, com anuência do chefe de Gabinete, Luiz Lima.
Ontem Mário usou a tribuna para explicar o golpe do qual foi vítima
e dizer que algumas declarações dadas por ele à imprensa
ocorreram num momento de “cabeça quente”. Ele confirmou
o empréstimo com o secretário, mas que já teria saldado
a dívida e que o salário da esposa era usado para pagamento
da dívida bancária, de onde contraiu empréstimo.
Jadir disse à reportagem que pedirá do promotor do Patrimônio
Público, Carlos Alberto Choinski, uma investigação
aprofundada sobre o caso. “O MP deve realizar um procedimento investigatório
sobre o fato, já que pode ter acontecido uma possível irregularidade
envolvendo membros dos poderes Legislativo e Executivo”, disse Jadir.
O vereador do PTB afirmou que apresentará jornais e fitas gravadas
referentes às afirmações do colega peemedebista ao
Ministério Público. Segundo Jadir, trata-se de uma ofensa
à moralidade e que, caso comprovado o escândalo, atitudes
por parte da Câmara Municipal deverão ser tomadas.
CEI
Objetos de investigação
se perdem com o tempo
A demora na conclusão das duas CEIs (Comissões Especiais
de Investigação) na Câmara de Cascavel está
atrapalhando a abertura de novas comissões. A afirmação
é do presidente da Casa, Julio Cesar Leme da Silva (PMDB). “Os
objetos das CEIs estão se perdendo no tempo”, afirmou.
O vereador citou, como exemplo, CEI referente a possíveis irregularidades
nas obras de reforma do Ginásio Sergio Mauro Festugatto. “Devido
ao regimento interno, que proíbe a abertura de uma nova comissão
antes do término das demais, não posso iniciar esta investigação”.
O presidente do Legislativo está esperando a conclusão das
comissões referentes à suspeitas de desvios de medicamentos
das farmácias básicas e a que investiga possíveis
irregularidades na construção de pontes na zona rural de
Cascavel.
Em relação à investigação sobre os
medicamentos, o vereador Jorge Lauxen (DEM) afirmou que as análises
das documentações deverão se prolongar por aproximadamente
mais 20 dias. “A documentação é extensa, estamos
analisando notas fiscais e possíveis pessoas envolvidas. Somente
depois dessa análise poderemos fazer uma verificação
in loco”, falou.
Já sobre as irregularidades nas construções de pontes
do interior, o vereador Aderbal de Mello (PT), que preside as investigações,
disse que hoje à tarde deverá ser realizada uma reunião
na Câmara para discutir os próximos passos da CEI.
Em Brasília
O deputado Edgar Bueno (PDT) está desde ontem em Brasília
mantendo contatos políticos com parlamentares que representam o
Paraná no Congresso Nacional. Começou o dia visitando deputados
federais de Cascavel, depois se encontrou com seu companheiro de partido,
o deputado federal Barbosa Neto, e almoçou com o senador Osmar
Dias. Edgar retorna amanhã e permanece em Curitiba, onde participa
do lançamento da Universidade Aberta Leonel Brizola, sábado.
Oposição
O líder da oposição na Assembléia Legislativa,
deputado Valdir Rossoni (PSDB) voltou à carga contra o governo
do Estado. O parlamentar cobra explicações sobre a locação
de carros da Cotrans pela Cohapar. O presidente da Cohapar até
se dispôs a explicar, mas Rossoni considerou insuficiente e pediu
mais esclarecimentos ao governo, como por exemplo os valores e o número
de carros locados.
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