A magia dos números
Criada com o objetivo de estabelecer mais transparência às
administrações públicas e coibir a prática
da corrupção, a Lei de Responsabilidade Fiscal tira o sono
dos gestores, mas nem por isso é 100% eficiente.
Uma das obrigatoriedades impostas pela legislação é
a prestação de contas quadrimestral do Executivo. A proposta
é permitir o acompanhamento das finanças públicas
e evitar surpresas desagradáveis ao término do mandato.
No entanto, o que era para ser um exercício de cidadania e democracia,
acaba, em muitos casos, virando uma magia de números. E o motivo
é simples: os dados são apresentados tão resumidos
que ninguém os entende. E o que era para ser uma explicação
da gestão, torna-se uma exposição sem sentido.
Um exemplo é o que ocorre em Cascavel. As últimas audiências
públicas foram avisadas com pouquíssima antecedência,
isso quando divulgadas, como a realizada ontem, que apenas a Câmara
incluiu, em seu site, uma nota no dia anterior a respeito do evento agendado.
Iniciativa que, embora tímida, superou a da própria assessoria
de imprensa da prefeitura, que não emitiu uma linha a respeito
do assunto.
À exceção dessa “falha técnica”,
o problema maior é a dificuldade no entendimento dos dados apresentados.
As informações são tão sucintas, que muitas
vezes sequer o secretário que as apresenta consegue explicar os
motivos dos valores.
Um coerente exercício de transparência seria fornecer antecipadamente
os números aos vereadores, à imprensa e a quem mais interessar,
permitindo uma análise prévia para que os questionamentos
pudessem ser feitos e todas as dúvidas sanadas.
Como a página na internet da Prefeitura de Cascavel não
está atualizada no tocante às contas públicas, fica
inviável uma avaliação mais profunda do desempenho
da administração e do comportamento das finanças.
Esses obstáculos, sejam eles naturais ou não, dificultam
a percepção dos problemas apresentados, por exemplo, na
discussão do reajuste do funcionalismo. Com uma correta interpretação
do orçamento e sua execução, os argumentos apresentados
pelo governo municipal poderiam fazer sentido e deixar de serem contestados.
Mas até que essas mudanças ocorram, resta esperar que a
surpresa não venha ao término do mandato.
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