CRISE
Não
há pedido do órgão para levantamento retroativo
TCU
contradiz versão da
Casa Civil sobre dossiê
Ao
contrário do que afirmou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma
Rousseff, sábado, em Curitiba, o acórdão 230/2006,
do TCU (Tribunal de Contas da União), não pedia que o registro
eletrônico das despesas com cartões de crédito corporativos
colhesse informações retroativas ao período Fernando
Henrique Cardoso.
O documento do TCU foi mencionado pela ministra, durante entrevista a
jornalistas. Dilma Rousseff reafirmou que a secretária-executiva
de seu ministério, Erenice Alves Guerra, não organizou um
dossiê, mas sim um banco de dados, chamado Suprim (Sistema de Controle
de Suprimento de Fundos).
O sistema, que registra os gastos realizados com cartões corporativos
e com verbas para suprimento de pequenas despesas da presidência
da República, começou a ser alimentado em 2005, de acordo
com a ministra, por recomendação do TCU. Rousseff disse
que no ano seguinte, por meio do acórdão 230, o tribunal
teria pedido que os dados registrados no Suprim fossem retroativos a 2002.
A partir de julho de 2005, as informações sobre gastos da
Presidência passaram a ser lançadas no sistema informatizado
de controle, o Suprim.
A ministra afirmou que o banco de dados foi uma determinação
do TCU. “Foi uma recomendação do Senado e do Tribunal
de Contas da União, em junho de 2005, e depois retroagimos às
contas de 2004, 2003 e 2002 a pedido do próprio tribunal.”
Dilma, no entanto, deixou de explicar os dados referentes ao período
anterior (1998-2001), das chamadas contas tipo B.
Nota da Casa Civil, divulgada sexta-feira, reiterou a coleta de dados.
“O que o jornal insiste em chamar de dossiê são fragmentos
de uma base de dados em fase de digitação para alimentação
do Suprim”, dizia o texto.
Ainda segundo a Casa Civil, o sistema organiza os dados relativos aos
gastos com suprimento de fundos (cartões e contas tipo B) desde
1998. “Trata-se de uma ferramenta de gestão e não
de um dossiê”, diz a nota do governo, que lamenta o vazamento
de dados sigilosos. A nota foi uma resposta ao jornal “Folha de
São Paulo”, segundo o qual a secretária-executiva
da ministra, Erenice Guerra, foi responsável pelo dossiê.
Também em Curitiba, Dilma defendeu Erenice e descartou a demissão
de seu “braço direito” no ministério. A ministra
voltou a dizer ainda que o banco de dados que originou o vazamento das
informações e pelo qual seu ministério é responsável
tem um conceito diferente de dossiê. “Ele [dossiê] é
usado para denúncias políticas e isso não cabe em
uma democracia, é uma manipulação dos dados para
esse tipo de política”, afirmou.
ELEIÇÕES
2010
Planalto coloca Dilma na geladeira
O
governo vai tirar a ministra Dilma Rousseff da vitrine eleitoral até
a temperatura da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito)
dos Cartões baixar. A decisão foi tomada com o argumento
de que a Casa Civil virou alvo de disputa política. No Palácio
do Planalto, há certeza de que a excessiva exposição
da chefe da Casa Civil - favorita do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva para a sua própria sucessão, em 2010 - “foi
um erro” que provocou não apenas a fúria da oposição
como o fogo amigo nas fileiras do PT. O esforço do governo, agora,
é para blindar a “mãe do PAC”.
Dilma manterá sua agenda de viagens para inaugurar obras do Programa
de Aceleração do Crescimento, mas reduzirá a sua
participação em encontros político-partidários
e em reuniões relacionadas a disputas municipais. Cumprindo o cronograma
técnico do PAC, ela estará hoje no Rio de Janeiro, ao lado
de Lula. Sexta-feira, também com o presidente, participará
de evento da Petrobrás em Rio Grande (RS) e, depois, seguirá
para Porto Alegre. No fim de abril, Dilma irá a Tóquio,
onde cobrará reciprocidade do Japão nos negócios
com o Brasil.
Além desse recuo estratégico, o Planalto deve encontrar
alguém para punir exemplarmente no caso do vazamento do dossiê
sobre gastos no governo Fernando Henrique. Mas não será
Dilma. Por enquanto, a retórica oficial é a de que “não
há cabeças a cortar”. O desfecho, porém, pode
não ser assim: Lula já foi informado de que virá
“chumbo grosso” na CPI e o governo quer agir rápido
para neutralizar os ataques do PSDB e do DEM. Se a situação
piorar, a sindicância interna na Casa Civil terminará em
guilhotina.
Depois que a CPI aprovou requerimento solicitando informações
sobre gastos dos últimos dez anos com cartões corporativos,
operações em cheque ou dinheiro vivo, o núcleo do
governo vasculhou novamente as despesas. A conclusão foi de que
haverá “farto material” de confronto daqui para a frente.
Motivo: circulam no Planalto rumores de que mais ministros cometeram “deslizes”
com dinheiro público, como pagamento de almoços e jantares.
A prática também alvejaria auxiliares de FHC.
Embora Lula e colaboradores neguem a existência do dossiê
- admitindo apenas a organização de um “banco de dados”
-, o governo montou há tempos uma operação para reagir
à esperada ofensiva de adversários na CPI dos Cartões.
Desde fevereiro, ministérios e repartições da administração
direta foram orientados a revirar gastos com suprimentos de fundos (cartões
corporativos e contas tipo B) tanto na gestão Lula como na de FHC.
Apesar de ter tomado gosto pela política, a chefe da Casa Civil
avalia que é hora de se resguardar e deixar a pré-candidatura
para 2010 na prateleira. Na prática, tenta se proteger do vendaval
provocado pelo dossiê anti-tucano. Sabe que os parlamentares a acusam
de não ter jogo de cintura e tem muitos desafetos não só
na oposição como na base aliada. Além disso, seus
companheiros no PT reclamam de perseguição a petistas no
governo.
FIES
Aluno
poderá financiar 100% da bolsa e pagar dívida com trabalho
ao governo
Educação
amplia
financiamento estudantil
O
ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou mudanças
nas regras do Fies (Financiamento Estudantil). A partir do processo seletivo
do segundo semestre deste ano, os alunos do ProUni (Programa Universidade
para Todos) com bolsas de 50% poderão financiar a outra parte da
mensalidade.
Segundo o ministro, a medida vai beneficiar alunos que não têm
condição de pagar essa meia bolsa. “Tem muita gente
que não quer a meia bolsa porque não pode pagar o restante.
Mas o aluno sabe que, concluindo o curso, ele sai empregado. Então,
a
possibilidade de financiar 50% para pagar depois de formado auxilia demais
as pessoas que não vêem na meia bolsa uma oportunidade concreta”,
disse.
Haddad participou do Encontro dos Estudantes do ProUni do Rio de Janeiro,
durante o Fórum Mundial de Educação, encerrado ontem
em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
A portaria que prevê as alterações foi assinada durante
o evento e será publicada no Diário Oficial da União
amanhã.
O ministro informou que o documento prevê, ainda, o alongamento
do prazo para quitar o empréstimo com a Caixa Econômica Federal,
passando a ser o dobro da duração do curso; a redução
na taxa anual de juros para as carreiras prioritárias como as licenciaturas,
pedagogia, normal superior e as de tecnologia, que passam de 6,5% para
3,5%; e ainda a
possibilidade de que os alunos beneficiados optem pelo fiador solidário,
que representa um compromisso entre um grupo de até cinco estudantes
que se responsabilizando pelo pagamento das dívidas uns dos outros.
A presidente da União Nacional dos Estudantes, Lúcia Stumpf,
disse que as novas regras atendem algumas das reivindicações
da entidade, reunidas em uma carta entregue ao ministro em novembro do
ano passado, durante 1º Encontro dos Estudantes do ProUni.
“É uma demonstração de que quando a gente luta
e se organiza, as vitórias acontecem”, comemorou.
Durante o encontro, o ministro também disse que deve ser encaminhado
até o fim de abril ao Congresso Nacional um projeto de lei prevendo
a substituição da dívida de estudantes de medicina
que aderirem ao Fies por serviço prestado. Com a medida, seria
possível suprir a falta de médicos em cerca de mil municípios.
NOVAS REGRAS
Governo quer facilitar importação de usados
A
expansão dos investimentos no Brasil provocou um crescimento de
67,8% nas importações de máquinas e equipamentos
usados em 2007. A necessidade de atender esta demanda, cada vez mais específica,
fez com que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior abrisse uma consulta pública para revisar
as normas e tornar mais ágil a importação de produtos
usados e remanufaturados. O secretário de Comércio Exterior,
Welber Barral, garantiu que a permissão para importar continuará
sendo dada apenas para bens de capital sem produção nacional
ou para equipamentos cuja oferta esteja saturada no Brasil.
Até o dia 8 de abril, o governo estará recebendo sugestões
do setor produtivo que servirão de base para a elaboração
da nova portaria. “Queremos entender a necessidade da indústria
para atender esta demanda em razão do interesse nacional”,
afirmou Barral. Segundo ele, como os pedidos de importação
estão cada vez mais específicos, os processos administrativos
se arrastam e, em alguns casos, viram disputas judiciais. “Precisamos
dar clareza e previsibilidade das normas ao mercado”, afirmou.
Pelos dados da Secretaria de Comércio Exterior, foram liberadas
18,7 mil licenças de importação em 2006, que correspondiam
a US$ 1,4 bilhão. Em 2007, o número de licenças saltou
para 23,2 mil, resultando em compras de US$ 2,3 bilhões. O aumento
é de 23% na quantidade de pedidos e de 67,8% em valor.
PAC
Política industrial eleva compras públicas
O
governo Luiz Inácio Lula da Silva investirá nas compras
públicas e no consumo das famílias como instrumentos para
tentar impulsionar 24 setores da economia na sua nova política
industrial, elaborada pelo ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge,
e pelo presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social), Luciano Coutinho.
Estão previstos R$ 256 bilhões em financiamentos públicos
e desoneração de impostos para a indústria até
2010. Principal pedido dos empresários, o tamanho da redução
da carga tributária ainda depende de uma palavra final do Ministério
da Fazenda.
Alguns setores, como o naval e de informática, porém, devem
receber incentivos maiores para aumentar a produção e as
vendas internas.
A proposta sugere que estaleiros nacionais tenham isenção
de IPI e PIS/Cofins na compra de equipamentos para novas plantas. E que
as empresas já beneficiadas pela Lei da Informática possam,
também, utilizar mecanismos da chamada MP do Bem.
A nova política visa quatro macrometas até 2010: aumentar
a taxa de investimento do país de 16,5% do PIB (Produto Interno
Bruto), registrado em 2006, para 21% do PIB, em 2010; elevar os gastos
em pesquisa de 0,51% (2006) para 0,65% do PIB; crescer de 1,15% para 1,25%
a participação das exportações brasileiras
no mercado internacional; e aumentar em 10% o número de micro e
pequenas empresas exportadoras.
Para atingir suas metas, por exemplo, o governo aposta em compras governamentais
de R$ 12 bilhões por ano até 2011 para incentivar o setor
industrial de saúde no país.
Ainda na área de compras públicas, promete baixar medidas
para que as Forças Armadas ampliem suas aquisições
da indústria aeronáutica nacional.
Setores
estratégicos
A política industrial prometida pelo governo classifica
seis setores como estratégicos -saúde, energia, tecnologias
da informação e comunicação, defesa, nanotecnologia
e biotecnologia. Eles receberão atenção, financiamentos
e políticas específicas para ultrapassar deficiências
tecnológicas do país.
Uma das metas é reduzir o déficit comercial de US$ 5,5 bilhões
provocado pela dependência brasileira de equipamentos importados
no complexo industrial da saúde. O governo quer diminuir o déficit
para US$ 4,4 bilhões.
No setor de softwares e serviços de tecnologias de informação,
a política industrial promete cortes de impostos.
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