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SEM ACERTO
Estados e municípios querem 30% da CPMF e incluir obras

Mantega: “Não negociamos
o PAC com governadores”

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou, em Londres, as reivindicações feitas pelos governadores em troca de apoio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). “O governo procurou não estabelecer exatamente uma negociação. Isso aqui não é um jogo onde um oferece, o outro dá”.
Para Mantega, os governadores não entenderam os benefícios do PAC. “Cifras exageradas estão sendo colocadas na mesa. Mas não quero me antecipar antes de uma discussão aprofundada. Talvez os governadores ainda não entenderam o espírito do PAC”, afirmou.
Esta semana governadores se reuniram e definiram uma lista de reivindicações para negociar com o governo federal, entre elas uma participação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), de 20% aos estados e 10% aos municípios.
Mantega explicou que o PAC é “fundamentalmente” um conjunto de investimentos a ser feito nos estados. “Se eles quiserem negociar, nós podemos negociar se vamos fazer ou não esses investimentos. O que o governo se dispôs a fazer é um acréscimo de investimentos na ordem de uns R$ 13 bilhões, R$ 14 bilhões feitos exatamente nos estados. Mas se eles querem mais R$ 13 bilhões de outra forma [da CPMF], isso nos levaria, no limite, a inviabilizar esses investimentos. (...) Não há recursos para tudo isso que está sendo pedido”.
O pacote de exigências dos governadores soma R$ 15,5 bilhões por ano, poderá ter de 12 a 15 itens, e deverá ser apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em encontro marcado para o dia 6 de março.

BOX
Lula pede ajuda
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem um apelo aos 11 partidos que integram a coalizão política do governo para a aprovação das medidas que integram o PAC no Congresso Nacional. Na conversa com aliados, Lula reconheceu que a candidatura de dois integrantes da base aliada para a presidência da Câmara pode trazer prejuízos ao governo. Mas deixou claro que espera o entendimento dentro da base depois das eleições, amanhã.
“O presidente comentou que tinha absoluta convicção de que, com aquela unidade em torno do PAC, alguma ferida que tenha ficado nesse processo sobre a eleição da Mesa será rapidamente superada após o dia 1º de fevereiro”, afirmou o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais).


Invasão de terra
Cerca de 500 famílias integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) ocuparam ontem a Agropecuária Três Pontos, também conhecida como Fazenda Café Piquirí, em Diamante do Oeste.
A maioria dos sem-terra é procedente de acampamentos, formados há mais de dois anos, em Matelândia, Missal e Santa Helena.
A fazenda tem cerca de 600 alqueires e pertence a um paraguaio e já teria sido, inclusive, ofertada ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) ano passado.


Ferrugem da soja
O “Diário Oficial” da União publicou ontem a Instrução Normativa 2, do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), criando o PNCFS (Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja). O objetivo é fortalecer o sistema de produção da soja a partir do desenvolvimento de ações de controle e prevenção da doença. A Embrapa estima que o fungo já causou US$ 7,7 bilhões de prejuízos desde 2001.


Agricultura
O Brasil será o país que apresentará o maior crescimento em produção e exportações no setor agrícola no mundo até 2020. A estimativa é da UE (União Européia), que já começa a contabilizar o que significaria a abertura de seu mercado agrícola diante de um eventual acordo na OMC (Organização Mundial do Comércio). Os cálculos da UE mostram que a liberalização e uma reforma interna do sistema de subsídios reduziriam em 25% o número de fazendas na Europa nos próximos 15 anos.
As projeções fazem parte de um levantamento elaborado por economistas da UE sobre como seria a agricultura européia em 2020 e quais desafios externos e internos ela sofreria.


ROTAS ALTERNATIVAS
Governo do Paraná anuncia
R$ 200 milhões para estradas
O programa Estradas da Liberdade, que ácriar rotas alternativas às rodovias pedagiadas, receberá investimentos de R$ 200 milhões do governo do Paraná nos próximos quatro anos. O anúncio foi feito ontem pelo governador Roberto Requião durante reunião da Escola de Governo. “As obras serão realizadas no sentido de articular as rodovias estaduais e criar grandes eixos de desenvolvimento em todas as regiões do Paraná”, afirmou.
Requião autorizou a Secretaria dos Transportes a iniciar a concorrência para as obras de recuperação de dois trechos de rodovias. No noroeste o governo investirá cerca de R$ 5,5 milhões na recuperação dos 28 quilômetros da PR-218 entre os municípios de Atalaia, Ângulo e Iguaraçu. No oeste a recuperação ocorrerá em 18 quilômetros da PR-486 entre o Rio Piquiri e Assis Chateaubriand. Nesse trecho serão investidos R$ 5,9 milhões.
Para ligar as regiões noroeste e oeste sem o pagamento de pedágio, foi estabelecida uma rota entre Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu.


Motoboys
A Resolução 219 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), publicada no “Diário Oficial” da União ontem, estabelece novas normas de segurança para o transporte remunerado de cargas em motocicletas e motonetas, os chamados motoboys. A nova medida entrará em vigor em 180 dias após a data de sua publicação.


FOTOLEGENDA:
A abertura ontem de dois vagões que estavam apreendidos no terminal ferroviário de Guarapuava foi o início do diagnóstico da frota e equipamentos necessários à operação da Ferroeste (Estrada de Ferro Paraná Oeste). Os compartimentos estavam carregados com peças de reposição utilizadas na manutenção dos vagões e locomotivas. No inventário constará a identificação, quantificação e qualificação das peças, ferramentas e equipamentos. O banco de dados permitirá um diagnóstico completo dos bens e estrutura, que serão devolvidos às proprietárias Transferro Operadora Multimodal e Ferrovia Tereza Cristina (locadoras), quando encerrar o período de uso, decretado no início de janeiro pelo governador Roberto Requião.

ALERTA
Despesas totais somaram R$ 400 bilhões em 2006

Gastos do governo com
pessoal atingem R$ 105 bi

Os gastos do governo federal com a folha de pessoal passaram de R$ 92,2 bilhões em 2005 para R$ 105 bilhões ano passado. De acordo com o secretário do Tesouro Nacional, Tarcísio Godoy, houve uma recuperação nos salários de algumas categorias que “vinham tendo seus salários reprimidos”.
Godoy disse, no entanto, que o aumento ocorreu de maneira controlada, porque a despesa com os salários “se manteve numa situação, em relação ao PIB [Produto Interno Bruto], não perigosa”. O secretário ressaltou que agora, com os salários dentro de um patamar considerado razoável, o governo pretende limitar esses aumentos a um valor real - descontada a inflação - de 1,5%, conforme consta do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Com esse limitador, disse Godoy, o governo poderá projetar, no médio prazo, o impacto dos aumentos nas contas do governo.
As despesas totais do governo federal subiram de R$ 351,6 bilhões em 2005 para R$ 400,6 bilhões em 2006. Em um ritmo um pouco mais lento, as receitas passaram de R$ 404 bilhões para R$ 450,4 bilhões.
Hoje o Banco Central divulgará o resultado fiscal do setor público consolidado (União, estados, municípios e estatais federais), cuja meta era de 4,25% do PIB. Já o governo central fechou o ano com superávit primário - resultado entre despesas e receitas, sem contar o pagamento de juros - de R$ 49,8 bilhões, correspondentes a 2,38% do PIB, acima da meta, de 2,35%.


CÂMARA FEDERAL
Aldo e Chinaglia minimizam desgaste

O presidente da Câmara Federal, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), disse ontem que não “atacou” o PT durante o debate de segunda-feira entre os três candidatos à presidência da Casa. No debate ele afirmou que seria ruim para a democracia a concentração de poder nas mãos de um só partido.
O comentário de Aldo gerou forte reação de petistas e expôs um racha na base aliada. O presidente nacional da legenda, deputado Ricardo Berzoini (SP), disse que Aldo foi “deselegante e inadequado”. O líder da bancada, deputado Henrique Fontana (PT-RS), acusou Aldo de estimular o preconceito contra o partido.
O candidato do PT, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), tentou ontem minimizar a polêmica. “De minha parte, creio que não devemos fazer políticas com mágoas. Se mágoas ficarem, vamos trabalhar para saneá-las. Eu tive todo o cuidado para não agredir ninguém”.
Segundo Aldo, é natural que numa disputa os candidatos exponham suas opiniões políticas. “Não ataquei o PT, dei apenas a minha opinião”, disse o comunista.


CORRUPÇÃO
Senador acusado
de cobrar
“mensalinho”

Um depoimento agravou o único processo pendente no Conselho de Ética do Senado: a denúncia de que o senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC) cobraria “mensalinho” de 40% do salário de servidores contratados para seu gabinete.
A assessora Maria das Dores Siqueira da Silva, que defendia o parlamentar, mudou sua versão, ao ser inquirida pelo Ministério Público Federal do Acre. Ela acusou Mesquita de descontar parte do salário dos funcionários e de apresentar notas frias para justificar gastos com a chamada verba indenizatória de R$ 15 mil recebida pelos senadores para custear as despesas em seu estado.
A investigação começou quando Paulo dos Santos Freire, ex-funcionário de Mesquita em Sena Madureira (AC), acusou o senador de usar R$ 410 dos R$ 1.100 de seu contracheque para pagar o aluguel e o provedor da internet do escritório do parlamentar naquela cidade. Maria das Dores disse que “outras despesas do escritório” eram custeadas com parte de seu salário, de R$ 2,5 mil.


ELEIÇÕES
Mais de 14 milhões
não justificaram
votos do 2º turno

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) informou ontem que mais de 14 milhões de eleitores que não votaram no segundo turno da eleição passada ainda não justificaram essa ausência. Isso significa que 11,59% dos 125 milhões de brasileiros que possuem título de eleitor estão em débito com a Justiça Eleitoral.
De acordo com o TSE, no primeiro turno quase 13 milhões de pessoas não justificaram a ausência à votação. No segundo turno, o número de abstenções foi maior do que no primeiro: 18,99% contra 16,75%.
O Código Eleitoral prevê penalidades para o eleitor que não votar e não se justificar até 60 dias depois da eleição. A base de cálculo da multa, que será dada por um juiz eleitoral, é de 33,02 Ufirs (R$ 35,13) e pode variar entre 3% e 10% desse valor, o equivalente a R$ 1,06 e R$ 3,51, respectivamente.


EMERGÊNCIA
ONU estuda cúpula climática

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, discutirá com representantes das Nações Unidas e do governo do Quênia a possibilidade de convocar uma cúpula emergencial de líderes mundiais para quebrar o impasse em torno do corte nas emissões de gases causadores do aquecimento global.
A reunião de Ban com representantes do setor ambiental dentro da ONU está marcada para hoje. Segundo o porta-voz Nick Nuttall, o impulso para o encontro vem da recente admissão, pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de que o aquecimento mundial precisa ser enfrentado, e da nova proposta de política energética da União Européia, que destaca a necessidade de reduzir as emissões de gás carbônico.

 

 

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