Sem apagão
Crescimento econômico. Essas são as palavras de ordem do
novo Governo Lula. Para tanto, traçou um estrondoso programa para
acelerar a economia, com a nada modesta cifra de R$ 503,9 bilhões
para serem gastos até 2010.
Embora classificado como tímido e insuficiente para dar o impulso
que o País precisa, pode ser mais do que a capacidade logística
consiga suportar.
O apagão energético vem sendo driblado nos últimos
anos pelas ínfimas taxas de crescimento. Não fosse isso,
a atual estrutura, que não recebe investimentos já há
um bom tempo, tem dado conta da demanda.
Ontem a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, garantiu que não
há risco de apagão, contrariando estudo do Ministério
da Fazenda. Ela assegurou que o País está preparado para
atender o PAC (Programa de Aceleração da Economia). Ufa!
Agora, sim, dá para ficar tranqüilo. Pena ela ter esquecido
de revelar qual a mágica para gerar energia sem novas hidrelétricas.
Durante a campanha no segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva
caiu na própria armadilha. Ao enaltecer os investimentos que fez
durante o primeiro mandato, foi pego no contrapé pelo seu adversário
Geraldo Alckmin e teve de admitir: nenhuma hidrelétrica saiu do
papel.
Dilma espera que a licença ambiental para uma das duas usinas que
compõem o Complexo do Rio Madeira saia mês que vem.
Ao lançar um plano que prevê o crescimento sem dar condições
para que ele ocorra, é como pedir para uma criança começar
a escrever sem lhe dar um lápis. A impressão que resta é
que sequer o próprio autor acredita que as metas sejam cumpridas.
O lamento é que o País realmente precisa que o PAC dê
certo, e que renda, inclusive, até mais do que se propõe,
livre dos obstáculos políticos e politiqueiros.
O Brasil tem tido desempenho próximo ao do Haiti, uma ilha que
sobrevive do plantio de abacaxis e que vive em meio a uma guerra civil
sob a intervenção de tropas da ONU (Organização
das Nações Unidas). Numa nação com mais de
22 milhões de pessoas na miséria, a geração
de riqueza é fundamental para que esse contingente não morra
de fome e consiga condições para viver dignamente.
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