Pedágio: quem quer reduzir negocia
Eduardo Sciarra é deputado federal pelo DEM/PR e presidente da
Frente
Parlamentar em Defesa da Infra-Estrutura Nacional - imprensa@eduardosciarra.com.br
No Paraná, as concessões de rodovias completam dez anos,
e estamos no momento de mais um reajuste contratual dos preços
dos pedágios.
É mais do que hora, portanto, de fazer um balanço de erros
e acertos, confrontar intenções com resultados, enfim, planejar
o futuro do setor com base em uma discussão racional e madura,
capaz de produzir mais luz que calor. Afinal, o ambiente já está
muito aquecido com os preços dos pedágios ofertados pelas
empreiteiras espanholas, grandes vencedoras das novas concessões
federais.
Aliás, o governador Roberto Requião já anunciou que
pretende fixar esses valores como patamar de realidade tarifária
dos pedágios no Paraná. Ora, sua excelência se esquece
de que até mesmo a Copel e outros grandes grupos nacionais tentaram,
mas não conseguiram sequer chegar perto das ofertas dos espanhóis,
que são generosamente subsidiados por fundos de internacionalização
do seu governo. (A estatal paranaense, por exemplo, propôs um preço
60% mais alto que o lance vencedor!)
De fato, a coerência nunca foi o forte desse governo, principalmente
quando o assunto é pedágio. Ele prefere a bravata, como
se lembram os telespectadores da campanha eleitoral de 2002, pontuada
pelo desafio: “O pedágio ou baixa ou acaba!” Em um
debate no segundo turno daquele pleito, sua excelência distorceu
o sentido das palavras do adversário e colocou-o contra a parede
com mais um chavão: “Quem diz que vai negociar [com as concessionárias]
na verdade não quer baixar [o pedágio]”.
No poder, Requião impetrou dezenas de ações contra
as concessionárias. E perdeu todas. Por ordem sua, o DER adiava
a autorização para a cobrança dos preços reajustados.
E as concessionárias continuavam a derrotá-lo na Justiça.
Graças à tolerante cumplicidade do seu governo, o MST invadiu
e depredou praças de pedágio. Resultados práticos
de todos esses factóides: aumento do passivo jurídico do
Tesouro estadual (multas que o governo é obrigado a pagar) e degradação
da imagem do Paraná sob um governador que despreza a ordem jurídica.
Agora, vamos aos fatos, é possível ao governo negociar com
as concessionárias uma redução no valor do pedágio?
Claro que sim, mas, antes, é preciso partir das premissas corretas:
em primeiro lugar, reajuste é regra contratual destinada a proteger
os preços da inflação e não corrigir distorções
estruturais passadas; segundo, o preço do pedágio é
composto de vários itens, que, somados, determinam o valor total.
Repito: há como governo e concessionárias sentarem-se para
discuti-los sem prejudicar segurança e a trafegabilidade das estradas.
Aqui estão alguns pontos para esse roteiro de negociações.
Antes de mais nada, os impostos: o ISS, imposto municipal que é
aplicado sobre a totalidade das receitas de pedágio; o ICMS, imposto
de circulação de mercadorias representa importante parcela
nos insumos utilizados nas obras e nos equipamentos, veículos de
tráfego e arrecadação; PIS, Cofins, IRPJ e CCSLL,
impostos federais. Todos esses impostos, que representam mais de 35% da
tarifa, podem ser revistos e reduzidos já que inúmeros são
os benefícios gerados pela atividade do pedágio, tais como
criação de empregos diretos e indiretos, desoneração
dos governos federal e estadual em manter e ampliar estas rodovias e ainda
melhorar a equação captação e alocação
de recursos públicos.
Em seguida, os financiamentos e seus encargos: para viabilizar seus investimentos
no passado, as concessionárias contrataram empréstimos a
juros bem mais elevados que os vigentes hoje e outras condições
onerosas. Aqui, a solução seria refinanciar as atuais dívidas
das concessionárias nas condições ofertadas pelo
BNDES às novas concessões, com regras e obrigações
bem definidas, a fim de garantir a segurança jurídica dos
contratos.
Depois, os encargos adicionais das concessionárias: elas são
obrigadas a assumir típicos deveres governamentais como o aparelhamento
da polícia rodoviária e o repasse de recursos para que o
DER fiscalize os próprios contratos de concessão. Uma redução
do pedágio poderia ser trocada pela devolução de
alguns desses encargos aos órgãos públicos de direito
e assunção, pelo governo estadual, de alguns trechos de
rodovias secundárias, hoje inseridas nos contratos de concessão.
Os diagnósticos e sugestões acima não esgotam uma
pauta complexa, mas bastam para mostrar que existe, sim, espaço
de negociação entre governo e empresas concessionárias
visando ao barateamento do pedágio, desde - é claro - que
a fanfarronice e o discurso ideológico sejam substituídos
pela transparência e pelo bom senso, artigos há muito tempo
em falta no Palácio do Iguaçu.
Músicos novos para uma música nova
Monsenhor Jonas Abib é fundador da Comunidade Canção
Nova (www.cancaonova.com) e presidente da Fundação João
Paulo II
A música popular brasileira executada nas rádios está
deixando de ser “música” e também de ser “brasileira”,
restando apenas seu caráter “popular”. Já a
música católica está percorrendo o caminho inverso,
tendo crescido muito em qualidade nos últimos 25 anos. Isso é
motivo para dar graças a Deus e parabenizar aqueles que fazem a
música católica acontecer - cantando, compondo, tocando,
gravando, fazendo arranjos e gerenciando.
Surgem, do mesmo modo, aqueles que, até bem pouco tempo atrás,
eram discípulos e agora começam a se firmar como mestres.
Além de natural, sua atuação inspira uma verdadeira
legião que os segue e que precisa de bons exemplos. Muitos são
os jovens que ora se espelham na experiência vivida pelos que já
percorreram o caminho e que estão dispostos a falar de Deus em
suas músicas.
A geração de músicos que vem aí é de
excelente qualidade, porque os que foram na frente já abriram caminho.
Hoje, a estrada está feita e até pavimentada. Mas os que
vêm atrás, justamente porque não vão encontrar
as dificuldades enfrentadas pelos primeiros, precisam ser muito bem disciplinados.
Caso contrário, correm risco de se perder na estrada larga e fácil.
A música seduz, havendo sempre o risco de se canalizar toda a vida
na música. Na verdade, não é nela que se deve empregar
a vida, mas em Deus. Ela é um meio excelente para evangelizar,
mas é só meio, não pode ser fim.
Como ministros de Deus, trabalhamos para Ele no campo vasto e fértil
da música. As palavras, os ensinamentos e as pregações
são muito úteis, mas não são suficientes para
nosso aprendizado.
Só aprendemos de verdade na oficina da vida. É preciso “fazer
oficina” com alguém que tenha feito. É preciso enfrentar
um discipulado com quem já foi discípulo e hoje é
mestre. Pessoas e comunidades estão surgindo e dando à música
católica a contribuição mais necessária: formar
discípulos. É assim que teremos, cada vez mais, músicos
novos para uma música nova.
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