| FRONTEIRA
MP legaliza a compra de produtos no Paraguai no limite anual de R$ 240
mil
Sacoleiros terão imposto único
O governo publicou ontem no “Diário Oficial” da União
a Medida Provisória 380, que institui um imposto único e
um limite de importação anual para os sacoleiros brasileiros
que compram produtos no Paraguai. A MP traz uma outra novidade: esse tributo
será debitado diretamente da conta-corrente do sacoleiro.
Os limites e alíquotas deverão ser definidos e aplicados
por meio de decreto. Conforme o acordo fechado entre o Paraguai e o Brasil,
em maio, os sacoleiros registrados no Regime de Tributação
Unificada poderão importar anualmente até R$ 240 mil, com
o recolhimento de 25% do novo imposto único. Essa alíquota
deverá variar conforme o produto e poderá oscilar até
o teto de 44%.
O novo sistema funciona como uma espécie de Simples, com o pagamento
unificado dos tributos devidos. A MP também permite a inclusão,
posteriormente, do ICMS cobrado pelos estados.
Para ter acesso ao regime especial de tributação, os sacoleiros
terão que abrir uma empresa microimportadora. Nessa condição,
eles poderão comprar do Paraguai um limite máximo de valor
de mercadorias importadas por ano.
Os produtos só poderão ser vendidos no comércio de
varejo. O pagamento terá que ser feito por meio de débito
em conta-corrente bancária da empresa habilitada ao regime especial,
que recebeu o nome de Regime de Tributação Unificada.
PRESSÃO
A MP será um instrumento do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva para acalmar as gritarias do Paraguai contra “el império
del Norte”, durante a 33ª Reunião de Cúpula do
Mercosul. Com a maior pressão na fronteira da fiscalização
da Receita Federal, o Paraguai tem tido problemas econômicos e reclamado
a criação de um regime especial de exportação.
Para o País, a medida regulamenta um mercado muito lucrativo, que
é a venda de produtos importados da China, Taiwan, para os sacoleiros
brasileiros. A região tem toda uma economia dependente desse comércio
na fronteira.
Lula informou o presidente Nicanor Duarte sobre a edição
da MP durante o encontro privado que ambos mantiveram na noite de quinta-feira,
no hotel onde está ocorrendo a cúpula do Mercosul, em Assunção.
Paranaguá
A 4ª Turma do TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região
decidiu realizar dia 20 de julho uma inspeção no Porto de
Paranaguá, no litoral paranaense. A medida foi tomada com o objetivo
de possibilitar, aos desembargadores que integram a turma, a compreensão
sobre a dinâmica das atividades portuárias e colher subsídios
para julgar o recurso em que se discute a utilização do
silo público vertical para movimentação e embarque
de soja transgênica.
Para o juiz federal Márcio Antônio Rocha, a questão
é relevante e há “a vital necessidade de compreensão
definitiva dos fatos”.
GUARAPUAVA
DRT libertou 84 trabalhadores
em condições análogas à escrava
A fiscalização móvel da DRT/PR (Delegacia Regional
do Trabalho do Paraná) localizou, de 19 a 26 de junho, 84 trabalhadores
em condições análogas à escrava em duas propriedades
situadas na região de Guarapuava. Do total, 60 eram contratados
por pequenos empreiteiros e o restante estava sem registro em carteira
de trabalho, sendo dois menores de idade. Os trabalhadores estavam atuando
no corte de pinus. Cinco auditores fiscais do Trabalho participaram da
ação.
No local onde os trabalhadores foram encontrados não havia instalações
sanitárias, água potável, materiais de primeiros
socorros, além de refeitórios e alojamentos inapropriados,
entre outras irregularidades. Os auditores lavraram 15 autos de infração
contra as propriedades, que pertencem a Repinho Reflorestadora Madeiras
e Compensados Ltda, no valor de aproximadamente R$ 82 mil. Ambas estão
interditadas até que a empresa construa alojamentos adequados.
Após a ação, os trabalhadores tiveram sua situação
regularizada com o recebimento do aviso prévio, Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço, férias, 13º salário, além
dos dias trabalhados. Ao todo, a empresa pagou R$ 176 mil em verbas rescisórias.
Grupo CCE
O governo do Estado anunciou ontem a vinda da empresa Digibrás
Industrial do Brasil ao Paraná, empresa integrante do Grupo CCE
- um dos maiores fabricantes de áudio e vídeo do Brasil.
O investimento, de R$ 7,125 milhões, vai ser feito no município
da Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba.
Será a segunda maior fábrica de computadores do Paraná.
A previsão da empresa é de gerar inicialmente 600 empregos
diretos. A fábrica deve começar a funcionar em seis meses,
num terreno de 15 mil m², e vai produzir 450 mil desktops, 180 mil
notebooks e 200 mil monitores com telas de cristal líquido por
ano.
INCRA
Grevistas terão
nova rodada
de negociações
na terça-feira
Os servidores do Incra (Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária), em greve há mais de um mês, deverão
ter uma nova rodada de negociações no âmbito do órgão,
vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, terça-feira.
A informação é de Maria Jurgleide de Castro, diretora
do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal
no Estado do Rio de Janeiro.
Ela disse esperar que agora as reivindicações sejam negociadas.
“Nós não queríamos ficar tanto tempo parados,
é muito ruim, sabemos que as pessoas que necessitam do nosso trabalho
são pessoas excluídas da sociedade, que precisam de toda
a estrutura do Incra em funcionamento. Mas essa estrutura não existe,
na realidade. Existe um órgão sucateado”.
O presidente do Incra, Rolf Hackbart, defendeu o retorno imediato dos
funcionários ao trabalho, “porque negociamos com todos os
movimentos sociais, os recursos estão no Incra e precisam ser aplicados”.
Ele concordou que a reivindicação dos servidores é
legítima em relação à implementação
do plano de cargos e salários já acordado em 2006: “A
pauta dos servidores é justa. A forma como estão atuando,
que é através da greve, eu acho que não é
justa”.
IMPASSE – Líderes do PMDB querem Conselho parcial
Grupo de Renan quer
sacar independentes
Líderes do PMDB no Senado trabalham nos bastidores para substituir
do Conselho de Ética parlamentares da base aliada do governo que
possuem postura "independente" nas investigações
sobre o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Na tentativa de
evitar votos contrários a Renan no processo a que responde por
quebra de decoro parlamentar, líderes peemedebistas avaliam que
o melhor caminho é substituir os "independentes" por
senadores mais afinados com Renan.
Peemedebistas desejam substituir, em especial, os senadores Eduardo Suplicy
(PT-SP) e Renato Casagrande (PSB-ES). Oficialmente, os líderes
do PMDB e do governo negam qualquer manobra para a substituição.
Mas nos bastidores, trabalham para forçar os senadores a deixarem
os cargos com situações que os levem à renúncia.
Casagrande, por exemplo, já foi vítima de um "desconvite"
do senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO) para assumir a relatoria do processo
contra Renan. O peemdebista voltou atrás depois que o senador do
PSB disse que agiria de forma independente no processo, com a promoção
de investigações mais severas sobre o presidente do Senado.
Mesmo sem admitir oficialmente a pressão, Casagrande disse que
"forças externas" vem agindo contra o Conselho de Ética.
"Não sei quem são, mas elas existem. Já tivemos
uma renúncia de um presidente do Conselho de Ética e a renúncia
de um relator', disse.
Suplicy, por sua vez, recebeu críticas do próprio presidente
Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente cobrou dos senadores petistas
Tião Viana (AC) e Ideli Salvatti (SC) mais empenho na defesa de
Renan. Lula chegou a questionar os motivos que levaram o partido a indicar
Suplicy para uma vaga no conselho diante da postura do senador favorável
à ampla investigação sobre Renan.
Divisão
A oposição reúne sete dos 15 votos do conselho -
uma vez que o presidente do órgão só vota em caso
de empate. Com a adesão de Suplicy e Casagrande na defesa de maiores
investigações sobre o presidente do Senado, o grupo pró-Renan
teme conseguir um placar muito apertado pela absolvição
do senador quando o processo for colocado em votação.
BOXXX
Caso pode atrasar votações
O escândalo político que envolve o presidente do Senado,
Renan Calheiros (PMDB-AL), interfere diretamente na votação
da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) pelo Congresso.
Pela Constituição, a LDO tem de ser votada até o
dia 17 de julho, ou, do contrário, os deputados e os senadores
não poderão entrar em recesso parlamentar no mês de
julho.
Deputados já prevêem que haverá disputa política
no plenário com questionamentos sobre a legitimidade de Renan em
permanecer no cargo, caso o presidente do Senado insista em presidir a
sessão conjunta (constitucionalmente o presidente do Senado convoca
e preside as sessões conjuntas do Congresso). Na Câmara,
o ambiente será mais hostil a Renan do que no Senado. Para evitar
constrangimentos, Renan poderá optar por deixar a sessão
sob a responsabilidade do vice-presidente do Congresso, o deputado Nárcio
Rodrigues (PSDB-MG), primeiro vice-presidente da Câmara.
Entretanto, a ausência de Renan será entendida como uma incapacidade
política de o senador enfrentar o plenário, expondo a sua
fragilidade. Renan foi acusado de ter parte de suas despesas pessoais
custeada por lobista da empreiteira Mendes Júnior e de ter apresentado
recibos falsos para comprovar sua renda. O recesso parlamentar de julho
é previsto pela Constituição no período de
18 a 31 de julho.
MUNICÍPIOS
Proposta de Osmar aumenta receita
Está na pauta de discussões do Senado Federal de terça-feira
a proposta de emenda à Constituição, de autoria do
senador Osmar Dias (PDT-PR), que reforça as verbas do FPE (Fundo
de Participação dos Estados) e do FPM (Fundo de Participação
dos Municípios) com 10% da arrecadação de contribuições
sociais e de intervenção no domínio econômico.
A PEC altera o artigo 159 da Constituição Federal e descentraliza
para os estados e também para as cidades os recursos da CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira), da Contribuição
Social sobre o Lucro, a Contribuição Social sobre a Receita
ou do Faturamento e tributos criados a título de intervenção
no domínio econômico, todas hoje destinadas à União.
A medida pode significar um aporte financeiro de R$ 16 bilhões
por ano a estados e municípios, se considerada a receita dessas
contribuições recolhida pela União no ano passado.
O senador paranaense propõe que 10% dos recursos dessas contribuições
sejam destinadas aos estados e outros 10% aos municípios, ficando
a União com 80% da arrecadação restante. “Como
a receita de contribuições chegou a R$ 160 bilhões
em 2006, estados e municípios teriam, respectivamente, um reforço
de caixa de R$ 16 bilhões. Em termos absolutos, isso daria quase
16 vezes o rendimento da ampliação em um ponto percentual
do FPM, estimado em R$ 1,2 bilhão”, assinala o parlamentar
pedetista.
Segundo Osmar Dias, no Paraná, estado que representa no Senado,
a medida vai provocar um aumento de 57% na receita dos municípios.
Condenado
O líder do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) José
Rainha Júnior, de 46 anos, foi condenado a 2 anos e 20 dias de
reclusão, mais 20 dias de multa, sob a acusação de
ter se apropriado indevidamente de R$ 1,4 mil de um assentado. A sentença,
datada do último dia 21, só foi divulgada ontem. Rainha
liderou a mais recente onda de invasões do MST em São Paulo,
com a ocupação de 16 fazendas no Pontal do Paranapanema
e oeste do Estado. Ele conseguiu o direito de continuar em liberdade enquanto
aguarda o julgamento do recurso.
Reforma
O projeto de lei da reforma política (PL 1210/07) continua a ser
o destaque do Plenário na primeira semana de julho, mesmo depois
de a maioria dos deputados ter rejeitado um dos principais itens da reforma,
a votação em listas preordenadas. O Plenário deverá
ainda eleger os deputados integrantes da Comissão Representativa
do Congresso Nacional para o recesso parlamentar de 18 a 31 de julho.
O financiamento público de campanhas, a formação
de federações e as pesquisas eleitorais são outros
temas do substitutivo do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) que ainda devem
ser votados pelo Plenário.
|