Angústia
Telma Pereira é psicóloga no Iedem em Cascavel - ttcp@ibest.com.br
Lembro-me de já ter me referido à importância de
prestarmos atenção em nossos sentimentos. Estar atento a
si mesmo. Muitas pessoas se queixam de um mal-estar indescritível
que sentem, alguns até põe a mão no peito ao falar
deste sentimento ruim, o que os psicólogos chamam de angustia.
Algo indescritível, sem nome, difícil de colocar em palavras.
É um mal-estar que perde o nome, a forma, foge à consciência
e se manifesta no limite entre corpo e alma.
Se fizermos uma analogia com a febre, sabemos que a febre é um
sinal que a defesa natural do corpo não está bem, o corpo
físico precisa de ajuda, desta forma a angústia também
é uma forma da alma, da estrutura emocional pedir ajuda, assim,
a angústia é a febre da alma.
Num nível mais comprometido (e muito mais comum do que se pensa)
a angústia que não é investigada pode se manifestar
como dores de cabeça freqüentes, dores nos braços,
dores na região cervical, suor excessivo, frio na região
do estômago, distúrbio de apetite, impotência sexual
ou diminuição da libido, vícios, estresse contínuo,
etc. Estes sintomas podem aparecer juntos ou separados, caracterizando
o que os profissionais de saúde chamam de somatização,
no qual o desequilíbrio emocional afeta o físico, pois corpo
e alma não se dissociam.
A sociedade, de maneira geral, assume uma postura em que o sofrimento
psíquico é visto como dor menor, manifestações
de mal-estar são vistas como chilique, mas esta desconsideração
pelo que sentimos e pelo que o outro sente é reflexo da cultura,
em que não importa o que você sente, nem o que você
é, importa o que você tem. Esta desvalorização
do sofrimento psíquico, o que não é nada saudável,
nem para o indivíduo, nem para a sociedade, tem conseqüências
importantes, pois muito das dificuldades e do atraso social em que vivemos
está relacionada a nossa dificuldade de nos ouvirmos, prestarmos
atenção em nós mesmos e no outro.
Todos temos angústia, mas precisamos escutá-la, por incrível
que pareça ela é nossa amiga, pois ela vem nos contar algo
de nós mesmos, vem nos contar que precisamos evoluir, viver melhor,
desta forma procure ouvi-la, saber o que ela diz a você mesmo. É
importante não perdemos a oportunidade de refletir e amadurecer,
pois deixar a angustia sem elaborar é perda de tempo e saúde!
Timemania, mais uma fábrica de ilusões
Julio César Cardoso é bacharel em Direito e servidor federal
aposentado e reside em Porto Alegre - juliocmcardoso@hotmail.com
Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou a segunda versão
da Timemania, loteria criada para socorrer clubes de futebol com dívidas
fiscais em torno de R$ 1,1 bilhão, cuja medida provisória
(MP) promoveu alterações como aumento do prazo para pagamento
da dívida dos times de 180 para 240 meses, bem como reduziu as
multas em 50% sobre os débitos existentes. A MP precisa ainda aprovação
do Senado antes da sanção do presidente da República.
Vejam como ainda prevalecem no cenário político nacional
as forças lobista e corporativista dos vários segmentos
representativos das instituições brasileiras. Isso seria
muito bom se funcionasse a serviço do bem-estar social, mas não
é assim, pois o que continuamos assistir são as necessidades
prementes do povo brasileiro sendo postergadas ou desprezadas para dar
lugar a interesses ilegítimos de grupos políticos mais interessados
em favorecer a sua clientela promíscua fora dos muros do Congresso
Nacional.
A sociedade brasileira espera que o governo e o parlamento tenham mais
responsabilidades com os problemas sociais do País: miséria,
desemprego, falta de habitação e de atendimento médico-hospilar,
decente e humano, na rede pública. E que não venham defender
medidas de naturezas eleitoreiras e assistenciais para proteger agremiações
esportivas profissionais, com a criação nefasta de mais
uma loteria esportiva, cuja conseqüência danosa é tirar
dinheiro dos pobres e iludidos trabalhadores.
A sociedade brasileira não está de acordo com a criação
de mais uma fábrica de ilusões e de comprometimento do bolso
de inúmeros chefes de família, na sua maioria pobres, que
são arrastados para esta doença crônica das jogatinas
no Brasil. Por isso se questiona o liberalismo que tem o Congresso para
aprovar medidas sem audiência do povo brasileiro. E esse distanciamento
entre as decisões do Congresso e o que o povo pensa tem que ser
revisto numa futura reforma política.
Nenhum cidadão brasileiro, que tenha um pouco de responsabilidade
social, pode aceitar que o governo e o parlamento federal venham a socorrer
times de futebol enquanto problemas muito mais graves sociais não
são atendidos com a mesma eficiência. Por que então
não criar a Loteria Social para atender às necessidades
do povo que está desempregado e afundado em dívidas, não
tem comida na mesa para a sua família, mora nas ruas, e muitos
estão vivendo abaixo da linha de pobreza?
Se os times de futebol estão quebrados, como se explicam os altos
salários que continuam sendo pagos aos jogadores e técnicos?
Os jornais noticiaram que o Santos teve um lucro, em 2005, de R$ 60 milhões.
E quanto recebe de salário, por exemplo, o técnico Wanderley
Luxemburgo?
Nada justifica a criação de mais uma loteria esportiva para
sustentar a orgia de gastos com jogadores e técnicos de futebol
no Brasil. Por que não são chamados a responsabilidade os
dirigentes que deram prejuízo aos clubes de futebol?
Os setores corporativistas continuam mandando no Brasil, e o nosso sistema
representativo político (falido) coloca-se a favor de mais uma
jogatina no país, mas não atende às necessidades
da população. É uma vergonha. Todos nós, também,
queremos o mesmo tratamento para pagar as nossos compromissos fiscais.
Todos não são iguais perante a lei? Ou temos que concordar
com a frase atribuída a Charles De Gaulle que este país
não é sério?
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