Edição nº 4644 - Quarta-feira, 30 de maio de 2007 Classificados | Assinatura | Impressão
Principal - Opiniões

Angústia

Telma Pereira é psicóloga no Iedem em Cascavel - ttcp@ibest.com.br

Lembro-me de já ter me referido à importância de prestarmos atenção em nossos sentimentos. Estar atento a si mesmo. Muitas pessoas se queixam de um mal-estar indescritível que sentem, alguns até põe a mão no peito ao falar deste sentimento ruim, o que os psicólogos chamam de angustia. Algo indescritível, sem nome, difícil de colocar em palavras. É um mal-estar que perde o nome, a forma, foge à consciência e se manifesta no limite entre corpo e alma.
Se fizermos uma analogia com a febre, sabemos que a febre é um sinal que a defesa natural do corpo não está bem, o corpo físico precisa de ajuda, desta forma a angústia também é uma forma da alma, da estrutura emocional pedir ajuda, assim, a angústia é a febre da alma.
Num nível mais comprometido (e muito mais comum do que se pensa) a angústia que não é investigada pode se manifestar como dores de cabeça freqüentes, dores nos braços, dores na região cervical, suor excessivo, frio na região do estômago, distúrbio de apetite, impotência sexual ou diminuição da libido, vícios, estresse contínuo, etc. Estes sintomas podem aparecer juntos ou separados, caracterizando o que os profissionais de saúde chamam de somatização, no qual o desequilíbrio emocional afeta o físico, pois corpo e alma não se dissociam.
A sociedade, de maneira geral, assume uma postura em que o sofrimento psíquico é visto como dor menor, manifestações de mal-estar são vistas como chilique, mas esta desconsideração pelo que sentimos e pelo que o outro sente é reflexo da cultura, em que não importa o que você sente, nem o que você é, importa o que você tem. Esta desvalorização do sofrimento psíquico, o que não é nada saudável, nem para o indivíduo, nem para a sociedade, tem conseqüências importantes, pois muito das dificuldades e do atraso social em que vivemos está relacionada a nossa dificuldade de nos ouvirmos, prestarmos atenção em nós mesmos e no outro.
Todos temos angústia, mas precisamos escutá-la, por incrível que pareça ela é nossa amiga, pois ela vem nos contar algo de nós mesmos, vem nos contar que precisamos evoluir, viver melhor, desta forma procure ouvi-la, saber o que ela diz a você mesmo. É importante não perdemos a oportunidade de refletir e amadurecer, pois deixar a angustia sem elaborar é perda de tempo e saúde!

 

Timemania, mais uma fábrica de ilusões

Julio César Cardoso é bacharel em Direito e servidor federal aposentado e reside em Porto Alegre - juliocmcardoso@hotmail.com

Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou a segunda versão da Timemania, loteria criada para socorrer clubes de futebol com dívidas fiscais em torno de R$ 1,1 bilhão, cuja medida provisória (MP) promoveu alterações como aumento do prazo para pagamento da dívida dos times de 180 para 240 meses, bem como reduziu as multas em 50% sobre os débitos existentes. A MP precisa ainda aprovação do Senado antes da sanção do presidente da República.
Vejam como ainda prevalecem no cenário político nacional as forças lobista e corporativista dos vários segmentos representativos das instituições brasileiras. Isso seria muito bom se funcionasse a serviço do bem-estar social, mas não é assim, pois o que continuamos assistir são as necessidades prementes do povo brasileiro sendo postergadas ou desprezadas para dar lugar a interesses ilegítimos de grupos políticos mais interessados em favorecer a sua clientela promíscua fora dos muros do Congresso Nacional.
A sociedade brasileira espera que o governo e o parlamento tenham mais responsabilidades com os problemas sociais do País: miséria, desemprego, falta de habitação e de atendimento médico-hospilar, decente e humano, na rede pública. E que não venham defender medidas de naturezas eleitoreiras e assistenciais para proteger agremiações esportivas profissionais, com a criação nefasta de mais uma loteria esportiva, cuja conseqüência danosa é tirar dinheiro dos pobres e iludidos trabalhadores.
A sociedade brasileira não está de acordo com a criação de mais uma fábrica de ilusões e de comprometimento do bolso de inúmeros chefes de família, na sua maioria pobres, que são arrastados para esta doença crônica das jogatinas no Brasil. Por isso se questiona o liberalismo que tem o Congresso para aprovar medidas sem audiência do povo brasileiro. E esse distanciamento entre as decisões do Congresso e o que o povo pensa tem que ser revisto numa futura reforma política.
Nenhum cidadão brasileiro, que tenha um pouco de responsabilidade social, pode aceitar que o governo e o parlamento federal venham a socorrer times de futebol enquanto problemas muito mais graves sociais não são atendidos com a mesma eficiência. Por que então não criar a Loteria Social para atender às necessidades do povo que está desempregado e afundado em dívidas, não tem comida na mesa para a sua família, mora nas ruas, e muitos estão vivendo abaixo da linha de pobreza?
Se os times de futebol estão quebrados, como se explicam os altos salários que continuam sendo pagos aos jogadores e técnicos? Os jornais noticiaram que o Santos teve um lucro, em 2005, de R$ 60 milhões. E quanto recebe de salário, por exemplo, o técnico Wanderley Luxemburgo?
Nada justifica a criação de mais uma loteria esportiva para sustentar a orgia de gastos com jogadores e técnicos de futebol no Brasil. Por que não são chamados a responsabilidade os dirigentes que deram prejuízo aos clubes de futebol?
Os setores corporativistas continuam mandando no Brasil, e o nosso sistema representativo político (falido) coloca-se a favor de mais uma jogatina no país, mas não atende às necessidades da população. É uma vergonha. Todos nós, também, queremos o mesmo tratamento para pagar as nossos compromissos fiscais. Todos não são iguais perante a lei? Ou temos que concordar com a frase atribuída a Charles De Gaulle que este país não é sério?

Expediente - Fale Conosco

Enquete

Na sua opinião, a renovação das cadeiras no Legislativo de Cascavel foi para:

Melhor
Pior
Ficou igual


Resultado Parcial


Pauta
Envie sua sugestão de pauta, matéria ou release para o Jornal Hoje.

Edições Anteriores
disponíveis na íntegra para consulta.

Video 30 anos
Veja aqui o vídeo promocional 30 anos Jornal Hoje

Busca