Fiscalizar é obrigação
Os vereadores de Cascavel ocuparam quase duas horas da sessão
de ontem para discutir uma emenda que previa a obrigação
de a Câmara Municipal autorizar o contrato, caso a prefeitura resolva
terceirizar os serviços de recuperação das estradas
rurais, diante do sucateamento do maquinário.
É fato inédito no Município a Câmara querer
fiscalizar contratos. Mas ontem, aproveitando a transmissão da
sessão ao vivo pela televisão, os parlamentares se revezaram
em discursos no plenário em defesa da fiscalização
rigorosa do Legislativo sobre o Executivo, enquanto produtores rurais
aguardavam uma decisão favorável à recuperação
das estradas, sem entender ao certo o porquê de tanta polêmica
sobre o assunto.
Fiscalizar o Executivo é uma obrigação do Legislativo,
coisa que não vem sendo cumprida à risca pela Câmara.
Mas se todos os contratos celebrados pelo Município tiverem que,
obrigatoriamente, passar antes pela apreciação dos vereadores,
pode haver uma demora excessiva na execução dos serviços,
além de se correr o risco de algum interesse político.
Em casos em que as somas de dinheiro são elevadas até entende-se
a necessidade dos parlamentares analisarem o contrato, mas nos demais
serviços o que os vereadores precisam é fiscalizar a execução
das obras.
As estradas rurais do Município estão abandonadas, causando
prejuízo aos produtores e o maquinário da prefeitura não
dará conta do serviço. É preciso urgência na
execução das melhorias. Se o Município vier a terceirizar
o serviço, que se fiscalize a execução, a qualidade
e se os preços estão compatíveis com o mercado.
Não houve essa mesma preocupação, por exemplo, quando
foi feito o contrato com a empresa de informática, cujo valor é
duvidoso, tampouco se questionou o valor que a prefeitura gastará
em publicidade. Também não há uma fiscalização
rigorosa sobre a terceirização dos serviços da ANA
(Associação Nova Aliança), nem da coleta de lixo,
que envolvem somas muito superiores.
A preocupação da fiscalização é legítima
e obrigatória, mas não pode se limitar aos dias em que as
câmeras estão postadas em plenário. Deve ser uma prática
cotidiana dos vereadores.
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