BENEFICIÁRIOS DO INSS
Ameaças às testemunhas motivaram a prisão preventiva
Vereadores são presos acusados
de integrar quadrilha de golpistas
Seis pessoas acusadas de participar de um esquema que aplicava golpes
em beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)
foram presas preventivamente na manhã de ontem em Campina da Lagoa
e Nova Cantu. As prisões preventivas foram decretadas pelo juízo-criminal
de Campina da Lagoa, depois de denúncia protocolada semana passada
pela Promotoria de Justiça local. Os mandados de prisão
foram cumpridos pela PIC (Promotoria de Investigação Criminal)
de Cascavel. Restam ainda dois mandados a serem cumpridos.
Entre os presos estão os vereadores Márcio Fernando Calderari
e Márcio César Garcia de Souza, além de um advogado
de Campina da Lagoa e um ex-vereador de Nova Cantu. As oito pessoas foram
denunciadas pela prática, em tese, dos crimes de extorsão,
estelionato, coação no curso do processo (ameaça
a testemunhas), constrangimento ilegal e formação de quadrilha.
Na denúncia feita pelo Ministério Público, o grupo
é acusado de ter aplicado o golpe em diversas vítimas, a
maior parte composta por pessoas idosas ou analfabetas.
De acordo com os promotores de Justiça que ajuizaram a ação
penal, as condutas supostamente criminosas do grupo consistiam, em suma,
na procura de pessoas que estariam aptas a receber algum tipo de benefício
do INSS, como pensão ou aposentadoria. Essas pessoas - a maioria
muito simples e pouco instruída - entregavam documentos e assinavam
procurações para que fosse obtido o benefício. Muitos
valores eram retroativos e, na hora de sacar o dinheiro no banco, os beneficiários
eram persuadidos a entregar de 90% a 100% do valor para o grupo, com a
justificativa de que era necessário para cobrir os gastos que eles
haviam tido com o processo todo. Os benefícios retroativos, segundo
o MP, giravam em torno de R$ 5 mil a R$ 30 mil por pessoa.
Os promotores de Justiça responsáveis pela denúncia
e pelos pedidos de prisão alertam a comunidade que todo o trâmite
para a obtenção de benefícios do INSS é gratuito
e que não é necessária a intervenção
de terceiros para sua requisição. Informam ainda que existe
na Justiça Federal de Campo Mourão um inquérito por
fraude à Previdência tramitando contra algumas das pessoas
denunciadas pelo Ministério Público Estadual.
ENCOMENDA
PF desvenda execução de
auditor da Receita Federal
Agentes da Polícia Federal de Maringá participaram de uma
operação conjunta com agentes federais paulistanos e prenderam
oito pessoas na manhã de ontem em São Paulo. A Operação
Davi foi realizada para prender o mandante e suspeitos do assassinato
do auditor fiscal da Receita Federal, José Antônio Sevilha
de Souza, que ocorreu no dia 29 de setembro de 2005, em Maringá.
Após um ano e dois meses de investigações pela Delegacia
de Polícia Federal em Maringá, chegou-se à conclusão
de que o mandante da execução do auditor teria sido o empresário
paulista Marcos Gotlieb. Segundo a PF, o crime teria sido praticado por
pelo menos três suspeitos.
A empresa Gemini Indústria e Comércio, Importação
e Exportação Ltda, de propriedade de Gotlieb, foi multada
em R$ 100 milhões por sonegação de impostos. O auditor
José Antônio Sevilha de Souza foi assassinado quando investigava
a sonegação milionária de impostos feita pela Gemini.
Além das prisões decretadas pela Justiça, foram expedidos
18 mandados de busca e apreensão distribuídos em várias
regiões de São Paulo. As buscas foram efetuadas em imóveis
rurais, residências, empresas e casas de praia dos suspeitos.
O auditor da Receita Federal foi assassinado quando saía da casa
da mãe dele em um veículo Fiat Brava. O crime teria sido
praticado por três homens: um investigador da Polícia Civil
de São Paulo, o sobrinho dele e mais um acusado que trabalha como
segurança em empresas pertencentes ao policial.
CATANDUVAS
Beira-Mar é
interrogado
pela 1ª vez
O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, prestou
ontem o primeiro depoimento desde que foi transferido à Penitenciária
Federal de Segurança Máxima de Catanduvas, no oeste do Paraná.
Beira-Mar foi interrogado pelo juiz da Comarca de Catanduvas, Murilo Gasparin
Moreno, sobre a ação que tramita na Justiça Federal
em Campo Grande (MS), referente à lavagem de dinheiro e tráfico
de drogas. O traficante foi transferido de Brasília para Catanduvas
no dia 19 de julho deste ano. Ele foi o primeiro detento a ser encarcerado
naquela unidade prisional.
Fernandinho Beira-Mar já foi condenado duas vezes pela Justiça.
Uma das condenações determinou que ele deveria cumprir 11
anos de prisão por tráfico de drogas. Em outra sentença
a pena é de 21 anos por tráfico e formação
de quadrilha. Beira-Mar também é acusado de lavagem de dinheiro,
contrabando e associação para o tráfico internacional
de drogas.
INSEGURANÇA
Em três horas foram seis assaltos à mão armada. Além
disso, uma loja foi arrombada
Bandidos atacam de novo e fazem arrastão
Sete ações criminosas registradas em Cascavel provocaram
uma movimentação policial segunda-feira à noite e
na madrugada de ontem. Primeiro foram seis assaltos no período
de apenas três horas. Em seguida, uma loja do Boticário foi
invadida por bandidos.
O arrastão fez com que equipes da Polícia Militar desenvolvessem
várias buscas, no entanto, o único acusado encaminhado à
Delegacia Central foi detido por populares.
A invasão de uma das unidades do Boticário na área
central de Cascavel provocou uma perseguição policial. Houve
troca de tiros. Segundo a polícia, os ladrões estilhaçaram
a porta de vidro e furtaram uma grande quantidade de produtos. Na fuga,
eles se depararam com uma equipe da PM.
Ao ser dada a ordem de parada, o acusado que estava ao volante do GM Marajó,
placa AEC-5548, não obedeceu e iniciou a fuga. O passageiro efetuou
disparos de arma de fogo em direção à viatura da
Polícia Militar. Durante o tiroteio, o acusado perdeu o controle
da direção e o carro caiu em uma canaleta às margens
da BR-277. Nesse momento, os acusados aproveitaram e fugiram a pé
em meio a um matagal.
No interior do automóvel, os policiais encontraram parte dos perfumes
e cosméticos que haviam sido furtados. O veículo que sofreu
várias perfurações de tiros na parte traseira foi
recolhido ao pátio da delegacia.
ROUBOS
Além do arrombamento ocorrido no estabelecimento comercial, os
criminosos fizeram seis assaltos. Nem mesmo um hotel às margens
da BR-277 escapou da ação dos ladrões. Sete homens
armados com revólveres e pistolas surpreenderam os funcionários
e roubaram diversos objetos. A polícia não revelou se alguma
quantia em dinheiro foi levada.
No roubo ocorrido em um posto de combustíveis, os ladrões
efetuaram vários disparos de arma de fogo e uma vítima foi
atingida no ombro. A polícia informou que os assaltantes roubaram
dinheiro e objetos pessoais das vítimas.
Nas demais ocorrências registradas no período, nenhuma situação
diferenciada foi verificada.
Tragédia
Uma criança de quatro anos morreu carbonizada segunda-feira à
tarde em São José dos Pinhais, região metropolitana
de Curitiba. De acordo com o relato dos irmãos que estavam com
Vanessa, eles saíram para comprar morangos nas proximidades e deixaram
a criança no carro. Quando voltaram, o Corcel havia pegado fogo.
Eles afirmaram para a Polícia Militar que havia um isqueiro dentro
do carro. Peritos foram ao local para realizar as investigações.
O laudo deve ficar pronto em 30 dias.
REPRESÁLIA
Ministério Público garante
que PICs não vão parar
O Ministério Público do Paraná divulgou na tarde
de ontem uma nota oficial sobre a reunião realizada entre coordenadores
e integrantes das quatro PICs (Promotorias de Investigação
Criminal).
A reunião seria para mobilizar o Ministério Público
contra o que vem sendo chamado de desmonte das PICs - desde que o governo
do Paraná pediu de volta o imóvel que funciona como sede
da PIC de Curitiba e requisitou, também, os sete policiais militares
que prestavam serviços ao órgão, que investiga crimes
especializados e quadrilhas organizadas.
Segundo a nota divulgada pelo MP, as solicitações seriam
uma retaliação do governo à Promotoria de Investigação
Criminal de Curitiba por conta da operação que resultou
na prisão do policial civil Délcio Rasera, acusado de comandar
esquema de grampos telefônicos e de prestar serviços a políticos
de alto coturno, inclusive do Palácio Iguaçu. Rasera estava
lotado na Casa Civil.
Os promotores e coordenadores lembram que, por prerrogativas da instituição
Ministério Público, podem requisitar força policial
para investigações ou ações de prisões,
sempre que houver necessidade.
Também na reunião, por decisão do procurador-geral
de Justiça, ficou definido que será mantida a atual estrutura
das PICs do interior. Além de Curitiba, a PIC tem unidades em Londrina,
Cascavel e Foz do Iguaçu.
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