Edição nº 4766 - Sábado, 29 de Setembro de 2007 Classificados | Assinatura | Impressão
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QUADRILHA
Dois grupos foram desmantelados ontem

Paranaenses são levadas à
Espanha para prostituição

A polícia espanhola desmantelou ontem duas quadrilhas acusadas de traficar mulheres brasileiras para trabalhar como prostitutas no país. A Operação Contato terminou com detenções em cinco cidades.
A maior rede, chefiada pelo brasileiro W.B.S, de 28 anos, foi desbaratada nas províncias de Galícia, Cáceres, Albacete, Alicante e Zaragoza.
As investigações começaram em abril. Os anúncios em jornais espanhóis e na internet chamaram a atenção dos policiais porque ofereciam “casas de contato” como referência.
Um detetive à paisana telefonou simulando um encontro. Ao chegar a uma das casas anunciadas, foi recebido por duas brasileiras e uma venezuelana, que contaram que estavam sendo forçadas a se prostituir.
As mulheres eram aliciadas em diversas cidades do Paraná e ao desembarcarem na Espanha ficavam sabendo que a dívida da viagem era de 12 mil euros, aproximadamente R$ 30 mil.
Segundo os depoimentos, a quadrilha ameaçava as vítimas, que não sabiam que pagariam as dívidas como prostitutas.
A operação prendeu dez suspeitos, sete deles brasileiros. Eles são acusados de crimes de prostituição, contra os direitos dos cidadãos estrangeiros, associação ilícita, ameaças, coação e detenção ilegal, estada ilegal na Espanha e falsificação de documentos.
A polícia apreendeu também um carro BMW modelo 320 TD, 2 mil euros em dinheiro (cerca de R$ 5,3 mil) e comprovantes bancários de envios de dinheiro ao Brasil e à Colômbia.
OUTRA REDE
Em Bilbao, Norte da Espanha, outra rede acusada dos mesmos crimes foi desmantelada ontem. O brasileiro F.W.V.L, 35 anos, chefiava uma quadrilha que obrigava 16 brasileiras a se prostituírem na cidade. A investigação iniciada em maio partiu da denúncia de uma das prostitutas.
Só neste ano 52 pessoas foram presas e cinco quadrilhas desmanteladas sob acusação de crimes de prostituição de homens e mulheres brasileiras.


CONTRA O IMPÉRIO
Chávez e Ahmadinejad desafiam os EUA

Os presidentes do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e da Venezuela, Hugo Chávez, desafiaram na madrugada de ontem o “imperialismo” dos Estados Unidos, em uma breve visita que o líder da República Islâmica fez ao seu maior aliado no continente. “Resistiremos até o final ao imperialismo. Com a graça de Deus sairemos vitoriosos”, disse Ahmadinejad no palácio presidencial de Miraflores.
O líder iraniano chegou a Caracas procedente da Bolívia depois de ter pronunciado um discurso na terça-feira na Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova Iorque.
O presidente iraniano, foco de uma controvérsia internacional por seu programa nuclear, disse que “é o fim da era da exploração e do imperialismo”. Venezuela e Irã estarão “ao lado de todos os povos revolucionários e oprimidos”, disse Ahmadinejad, para depois mencionar Bolívia, Nicarágua, Cuba, Equador, Uruguai e “todos os países e povos oprimidos”.
“Enquanto ficarmos juntos seguramente estaremos aumentando nosso poder e ninguém poderá nos derrotar”, acrescentou.
Chávez lembrou a Ahmadinejad que em um recente ato nos Estados Unidos “um porta-voz imperial tentou desrespeitá-lo chamando-o de pequeno e cruel tirano”, em referência ao reitor da Universidade de Columbia, Lee Bollinger.
“Você respondeu com a altura dos revolucionários e com a força moral do Irã e dos povos do mundo. Nos sentimos representados por você. A Venezuela inteira aplaude seu gesto e sua coragem”, enfatizou Chávez.
Ambos os líderes revisaram os convênios de colaboração entre os dois países, antes do retorno de Ahmadineyad a seu país.
Irã e Venezuela assinaram convênios de cerca de US$ 8 bilhões em diferentes setores econômicos, principalmente em matéria de energia e petróleo.


REPRESSÃO
Mianmar corta acesso à internet

Força de segurança intensificaram a repressão às manifestações contra a junta militar que governa Mianmar, invadindo monastérios budistas e cortando o acesso à internet. As medidas aumentaram a preocupação com a violência contra civis no país asiático.
Ao menos dez pessoas morreram na repressão aos protestos, que ocorrem desde agosto e se iniciaram devido a um aumento de combustíveis, mas acabaram por tomar um tom político e envolver os monges budistas, um grupo especialmente influente no país.
Mianmar é um país da Ásia meridional governado por uma junta militar desde 1988 que reprime com força manifestações a favor da democracia. Em setembro, monges budistas aderiram aos protestos - os maiores em 20 anos.
Ao fechar os monges em monastérios, o governo pretende retirar as multidões das ruas.
Ontem, devido à intensa repressão, poucos manifestantes foram às ruas. O maior número foi estimado no pagode - santuário oriental de vários andares em forma de pirâmide - Sule, onde cerca de 2 mil pessoas se reuniram.


LOS ANGELES
Ex-criminosos ajudam
a diminuir a violência

A cidade americana de Los Angeles registrou uma queda expressiva no número de homicídios este ano - incluindo uma redução de até 50% em alguns bairros - graças a uma nova estratégia adotada pela polícia de pedir ajuda a ex-integrantes de gangues para prevenir a violência.
A iniciativa foi destaque na edição de ontem do jornal “Los Angeles Times”, que informa que a cidade registrou 167 homicídios durante os meses de verão, que são tradicionalmente os mais violentos, contra 214 no mesmo período do ano passado.
O número de assassinatos está em níveis que não vinham sendo registrados desde 1970.
De acordo com os repórteres Hector Becerra e Richard Winton, a queda ocorre nove meses após o prefeito Antonio Villaraigosa e o chefe da polícia, William J. Bratton, terem prometido tomar medidas severas contra as gangues.
“Mas apesar de campanhas anteriores contra gangues terem envolvido detenções em massa e grandes varreduras, este esforço tem sido mais direcionado”, dizem os repórteres.

Controle de boatos

O jornal “Los Angeles Times” cita o subcomandante da polícia, Charlie Beck, dizendo que eles são “muito bons em resolver homicídios”, mas estão “tentando melhorar na prevenção do homicídio seguinte”.
Segundo Beck, “pela primeira vez, nós estamos exigindo que capitães chamem os ex-integrantes de gangues, dêem voz a eles sobre o tiroteio e saiam às ruas para evitar outro homicídio”.
A polícia diz que os ex-integrantes de gangues estão sendo eficientes principalmente em “controle de boatos”, acalmando tensões após um tiroteio para evitar retaliações.
De acordo com o jornal, “é uma dança delicada, com ex-integrantes de gangues se esforçando para não parecer que eles estão trabalhando diretamente com a polícia por medo de perder a credibilidade que têm na rua”.
Connie Rice, uma advogada de Direito Civil, diz que a iniciativa da polícia de Los Angeles é uma “quebra de paradigmas”. “Eles sabem que não podem contaminar um ao outro e estão descobrindo os limites que não podem ser ultrapassados, então estão negociando isto neste momento. Eu sei que este trabalho vai avançar”, diz Rice.


SEM ENTUSIASMO
Síria é convidada para
conferência a contragosto

Oficiais da diplomacia americana afirmaram que os Estados Unidos convidaram a Síria a participar da conferência para a paz no Oriente Médio que deve ser realizada em Washington em novembro.
No encontro, deve-se debater a possibilidade de instaurar um Estado palestino. Conversas preparatórias entre Israel e a ANP (Autoridade Nacional Palestina) ocorrem há alguns meses sobre o assunto.
Um diplomata norte-americano disse que o convite à Síria objetiva tentar garantir a presença de outros países de maioria muçulmana. Trata-se de uma manobra para não “dar uma desculpa” para que países não compareçam ao encontro.
Contudo, os diplomatas sugeriram que fizeram o convite com pouco entusiasmo devido a seus desacordos com a polícia síria em relação ao Iraque, ao Líbano e seu apoio ao movimento radical islâmico Hamas, que tomou o controle na faixa de Gaza em junho deste ano.
Os EUA criticam a Síria por apoiar com armas e recursos o movimento radical islâmico Hizbollah no Líbano.


Eleições
Tantos candidatos concorrem nas próximas eleições para cargos regionais na Bulgária, que ocorrem no próximo mês, que os envelopes não comportam as cédulas eleitorais. Algumas cédulas chegaram a até dois metros e não cabem nos maiores envelopes do país. Autoridades informaram ontem que terão de importar mais de 11 milhões de envelopes para acomodar as cédulas “gigantes”. Mais de 70 partidos e coalizões irão concorrer para os cargos de prefeito e vereadores em quase todas 264 unidades do país.


Imigração
O governo britânico indicou que os níveis de imigração no país “são muito altos”, após a publicação de um estudo do Departamento Nacional de Estatísticas que indicou que as projeções superestimaram as pessoas que planejam ir ao Reino Unido. Segundo o Departamento de Estatísticas, cerca de 190 mil imigrantes buscarão entrar no país a cada ano pelos próximos 25 anos. Dois anos atrás o organismo havia estimado essa cifra em 145 mil imigrantes ao ano. Os números implicam que quase 2 milhões de imigrantes chegarão ao Reino Unido a cada década até 2031, somando cerca de 4,75 milhões de novos habitantes.


FOTOLEGENDA: REUTERS
Multidão incendeia veículo durante confrontos entre a polícia e fãs da versão local de American Idol, em Siliguri, na Índia.


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