| SUBMARINOS
Hugo Chávez pode provocar uma corrida armamentista na América
do Sul
Compra venezuelana ameaça o Brasil
A compra de submarinos russos pela Venezuela, se for confirmada, pode
ameaçar a supremacia militar brasileira na América do Sul,
na opinião do pesquisador de assuntos militares Expedito Carlos
Stephani Bastos, da Universidade Federal de Juiz de Fora.
“Por enquanto, ainda detemos uma certa liderança no continente,
mas ao longo do tempo poderemos perder esta posição”,
disse o pesquisador em entrevista à BBC Brasil.
“Não só esta compra de submarinos, como a compra de
aviões [os caça Sukoy, comprados no ano passado], de certa
forma ameaçam nossa hegemonia na região”, afirmou
Bastos.
O presidente venezuelano Hugo Chávez, que está em Moscou,
disse que a aquisição dos submarinos vai depender de condições
favoráveis. A expectativa é de que ele compre cinco unidades,
em um negócio em torno de US$ 1,5 bilhão.
FROTA SUPERIOR
Se a aquisição for realmente concretizada, a Venezuela terá
de longe os submarinos mais modernos e poderosos da região, na
avaliação do pesquisador, bem superiores à frota
atual brasileira, de cinco submarinos, todos com tecnologia mais antiga
do que os novos equipamentos russos.
Também estão em um nível próximo ao do Brasil
a frota de submarinos do Chile e da Argentina.
“Ele vai ter uma força que pode desestabilizar a região”,
afirmou Bastos. “Uma frota de submarinos é fonte de extrema
preocupação. Desde a 1a Guerra Mundial, quem domina os submarinos
domina os mares.”
O cientista político Clóvis Brigagão, do Centro de
Estudos das Américas da Universidade Cândido Mendes, disse
que as compras de armamentos pelo presidente Chávez podem levar
a duas situações: ou fica muito poderoso ou pode despertar
uma corrida armamentista na região.
VIOLÊNCIA
Ataques matam 34 em Bagdá
Explosões e ataques mataram ao menos 34 civis e três soldados
britânicos em mais um dia de violência no Iraque ontem. No
pior ataque, um carro-bomba explodiu em um ponto de microônibus
em Bagdá, matando ao menos 25 pessoas e deixando ao menos 40 feridos.
O ataque, ocorrido no distrito xiita de Bayaa em um horário de
pico de movimento da manhã, destruiu dezenas de veículos.
A região, que fica a oeste de Bagdá, vem sendo alvo freqüente
de atentados a bomba atribuídos à rede terrorista Al Qaeda.
“Foi uma explosão horrível, muitas pessoas morreram”,
afirmou Aqeel Kadhim, que testemunhou a ação. Ambulâncias
e picapes transportaram mortos e feridos do local.
O atentado causou a abertura de uma enorme cratera no local onde os veículos
paravam. Moradores foram vistos procurando corpos entre os microônibus
queimados.
Colômbia
As Farac (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)
anunciaram ontem a morte de 11 deputados do Departamento colombiano do
Valle del Cauca, que haviam sido seqüestrados em 2002, em um fogo
cruzado. Em comunicado publicado no site da Agencia de Noticias Nueva
Colombia, com sede em Estocolmo, a guerrilha colombiana informa que os
deputados morreram no dia 18 de junho, “no meio do fogo cruzado,
quando um grupo militar não identificado até o momento atacou
o acampamento onde eles estavam”. As Farc acusam o presidente colombiano,
Álvaro Uribe, de “intransigência” afirmando que
“a sua estratégia de resgate militar acima de toda consideração
leva a tragédias assim”.
Culpado
O presidente israelense, Moshe Katsav, declarou-se culpado por acusações
de crimes sexuais ontem e deverá renunciar ao cargo, informou a
Procuradoria-Geral. O procurador-geral de Justiça, Menachem Mazuz,
disse em entrevista coletiva em Jerusalém que Katsav deverá
renunciar “no prazo de 48 horas”, após assinar o acordo
que o exime de ir à prisão pelos crimes dos quais é
acusado, e que a “vergonha o acompanhará para sempre”.
O Ministério da Justiça anunciou em janeiro deste ano que
pretendia acusar Katsav de estuprar uma ex-assessora e assediar sexualmente
outras três ex-funcionárias.
Pirataria
Depois de brinquedos, CDs e softwares piratas, a China surge com mais
uma novidade: a exportação de carne brasileira falsificada
para os mercados da Europa e Rússia. Em muitos casos, as carnes
são chinesas, mas empacotadas como sendo produto brasileiro e até
com certificados falsificados escritos em português. O “Estado”
obteve informações de que o Ministério da Agricultura
já prometeu a vários países que, a partir da semana
que vem, modificará os certificados usados para as exportações
para dificultar a falsificação. Importadores desses países
afetados pela carne pirateada já se queixaram ao governo brasileiro
de que estão recebendo contêineres com caixas de carnes supostamente
brasileiras, mas que, na realidade, são exportadas pela China.
|