SERVIDORES MUNICIPAIS
De manhã, professores e servidores realizaram passeata no centro
da cidade
Prefeitura propõe pagamento
antecipado dos 3% de reajuste
Em um dia turbulento de paralisação dos servidores municipais
e dos professores de Cascavel, a segunda-feira foi finalizada com uma
nova proposta de reajuste por parte da administração municipal,
que ofertou 1,5% para julho e 1,5% para agosto. A proposta inicial era
de 3% divididos nos meses de outubro, novembro e dezembro. Os servidores
e professores querem 4% de reposição da inflação
e estão paralisados desde a semana passada.
A administração também abriu a possibilidade de estudar
um índice extra de reajuste com os representantes do Siprovel (Sindicato
dos Professores Municipais de Cascavel) e do Sismuvel (Sindicato dos Servidores
Municipais de Cascavel), nos próximos meses, de acordo com a porcentagem
e aumento de arrecadação do período. A proposta será
avaliada em assembléia geral hoje, em local a ser definido.
Conforme o secretário de Comunicação Social e chefe
de Gabinete, Luiz Lima, durante os dias de paralisação foram
feitas algumas ações para diminuir o índice da folha
de pagamento que está em torno dos 54%, índice máximo
que se pode chegar de comprometimento com pessoal. No fim de semana, a
prefeitura demitiu 38 cargos comissionados, e segundo Lima, caso seja
possível conduzir os setores com menos pessoas, outros devem ser
desligados da gestão.
Sobre o pagamento ou não de salário para os servidores e
professores nos dias de paralisação, o secretário
disse que ainda está sendo analisada a legalidade do movimento
e que o pagamento é uma decisão do prefeito Lísias
Tomé.
BOX
Passeata
Na manhã de ontem, após uma hora e meia de panfletagem
em frente à Catedral Nossa Senhora Aparecida, servidores e professores
municipais realizaram uma passeata em protesto ao não reajuste
salarial. Com faixas e nariz de palhaço, eles cantaram melodias
e paródias elaboradas especialmente para o momento de protesto.
Durante a panfletagem, eles arrecadaram dinheiro para comprar um espaço
em um horário nobre na televisão. Segundo a presidente do
Siprovel, Sueli de Góis, parra rebater as manifestações
inverídicas do prefeito Lísias Tomé. “A prefeitura
está veiculando uma propaganda errada, relatando um índice
que não recebemos e de forma errada”, afirmou a líder
sindical. O índice recebido por eles teria sido de apenas 3% ano
passado.
Segundo ela, a paralisação está cada vez mais forte,
porque os educadores aderiram ao protesto de forma maciça. “Tem
apenas uma escola trabalhando, as outras até tem alguns professores,
mas sem alunos”. Conforme Sueli, apenas um Centro Municipal de Educação
Infantil está em atividade.
TRANSPORTE COLETIVO
Empresas e sindicato têm
nova rodada de negociações
Mais uma rodada de negociações entre as empresas concessionárias
do transporte coletivo urbano de Cascavel e o sindicato dos funcionários
do setor será realizada hoje à tarde. Ontem os debates foram
concentrados pelo presidente da Cettrans (Companhia de Engenharia de Transporte
e Trânsito), William Fischer, que se reuniu de manhã com
membros do Sintracovel (Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo
Urbano de Cascavel) e de tarde com representantes das empresas Pioneira
e Capital do Oeste, que oferecem os serviços para a cidade.
De acordo com o presidente da autarquia, a Cettrans está intermediando
as negociações entre as duas partes. Na pauta de reivindicações
dos funcionários está o reajuste de 10% nos vencimentos,
correção das horas extras, revisão das folgas e feriados,
o desenvolvimento de cursos profissionalizantes em horário de trabalho,
dentre outros. “Nossa maior preocupação é que
a correção salarial não seja repassada para a planilha
de custos de passagem. Se dermos esse reajuste, o impacto seria de R$
0,15 a R$ 0,20 no preço das tarifas. O sindicato se mostrou disposto
a negociar”, afirmou Fischer.
O presidente do Sintracovel, Procópio Panciniak, disse que na reunião
de ontem os trabalhadores levaram à autarquia as exigências
da classe. Ele afirmou que a Cettrans apresentou perspectivas para a revisão
de alguns itens da pauta dos trabalhadores. A assessoria de imprensa da
empresa Pioneira informou que a direção não irá
se manifestar sobre o assunto. Na empresa Capital do Oeste ninguém
foi encontrado para falar sobre o tema.
ILUMINAÇÃO
Projeto prevê custeio público da luz de salões comunitários
Legalidade do uso da
taxa é posta em xeque
A proposta de a prefeitura utilizar recursos da taxa de iluminação
pública para custear a energia elétrica dos salões
comunitários de Cascavel divide opiniões. Já para
o diretor da Secretaria de Finanças, Giovane Borges, a lei que
regulariza a taxa não permite a utilização do dinheiro
para este fim. Segundo ele, a destinação da verba é
exclusiva para o custeio da iluminação das ruas.
A medida vai a discussão hoje na Câmara de Vereadores, com
o Projeto de Lei 69. O autor da iniciativa, vereador Aderbal de Mello
(PT), diz que é possível efetuar o pagamento com a verba
arrecadada pela taxa, visto que, na interpretação dele,
os barracões são prédios públicos. Pelo projeto,
a prefeitura arcaria com até 500 kw da conta de luz dos salões
comunitários por mês.
O vereador argumenta que a arrecadação é superavitária
e poderia ser aplicada para o pagamento de parte da conta dos barracões.
“Se os salões comunitários de Cascavel gastarem a
cota de 500 kw, o custo será de R$ 15 mil a R$ 20 mil por mês.
Até o ano passado o Município arrecadava em torno de R$
400 mil por mês, com sobra de R$ 200 mil”.
De acordo com Giovane Borges, a lei que regulamenta a taxa de iluminação
não permite o pagamento da conta de luz dos prédios públicos,
apenas da iluminação pública, que se restringe aos
postes de luz.
Entretanto, ano passado parte da verba arrecadada com a taxa foi usada
para a publicidade contra o vandalismo de lâmpadas dos postes.
CONTAS
Até mesmo os presidentes das associações de moradores
divergem sobre o tema. Para o presidente da Associação de
Moradores do Bairro Parque São Paulo, Jacy Tavares Pereira, a medida
é desnecessária. “Cada diretoria deve pagar as suas
contas. Afinal, são os moradores que usam o salão e não
a prefeitura”.
A comunidade gasta uma média de R$ 70 por mês. “O que
arrecadamos com os moradores dá para pagar a conta de água,
luz e ainda sobra para investir no salão”.
Já o presidente da Associação de Moradores do Melissa
II, Pedro de Souza Coelho, elogiou a idéia: “Essa ajuda é
importante, porque algumas associações têm dificuldade
em arcar com as despesas”. Os moradores do Melissa II têm
dificuldade em manter a associações e gastam pouca luz.
SAÚDE
População lota PAC a procura de atendimento
A paralisação dos servidores públicos de Cascavel
está complicando principalmente um setor, o da saúde. Muitos
postos de saúde funcionaram ontem de forma parcial, o que prejudicou
o atendimento à população, que lotou os dois PACs
(Postos de Atendimento Continuado). Alguns pacientes esperaram até
cinco horas para serem atendidos no PAC I. O mecânico Reginaldo
Alves do Carmo, conta que chegou às 10h e foi atendido depois das
15h. “Muitas famílias foram embora porque não agüentaram
esperar. Tem bastante médico, mas muita gente também”.
A zeladora Márcia da Silva, moradora do Bairro Santa Cruz, também
reclamou da demora. Ela, que teve de ir de bicicleta ao PAC, esperou mais
de duas horas para ser atendida. “Tem muita gente porque os postos
não estão atendendo, e isso é ruim”.
O vereador Mário Seibert, que esteve no local verificando a situação,
disse que vai propor que os médicos, que deveriam estar nos postos
atendendo, se desloquem ao PAC para auxiliar. “Desse jeito não
tem estrutura para atender a população que está sendo
prejudicada”.
Conforme a coordenadora do PAC, Nelsi Ferreira, para agilizar o atendimento
um outro médico foi chamado para trabalhar e vai continuar nesta
terça-feira atendendo aos pacientes, totalizando seis médicos.
“Estamos fazendo uma triagem, passando na frente os casos mais graves
e buscando agilizar as consultas”, disse ela, acrescentando que
a equipe está fazendo o que pode para atender o melhor possível
os pacientes, mas que a demanda está grande.
Foto personagem:
“É um absurdo aguardar cinco horas para ser atendido”
Reginaldo Alves do Carmo, mecânico
“Fui no posto e estava fechado e agora tenho de esperar”
Márcia Regina Souza da Silva, zeladora
Meio ambiente
Começa hoje, às 14h, no Centro de Convenções
e Eventos, o Seminário de Meio Ambiente e Desenvolvimento 2007.
O evento, que segue até quinta-feira, faz parte das comemorações
da Semana de Meio Ambiente e é elaborado em parceria com o Fundo
Municipal de Meio Ambiente, com o objetivo de promover o conhecimento
ambiental e proporcionar melhorias neste setor em toda a região,
por meio de palestras, minicursos e discussões realizadas por profissionais
do ramo.
As inscrições custam R$ 20 para estudantes e R$ 40 para
profissionais e podem ser efetuadas até a data da realização
do evento. Mais informações pelos telefones (45) 3902-1394
e 3902-1390.
Concurso público
As inscrições para o concurso público na área
da saúde da Prefeitura de Cascavel foram abertas ontem. O edital
está disponível no site www.cascavel.pr.gov.br/concurso/ficha_inscricao.html.
Ao todo são 612 vagas. Para os cargos de nível básico
são 168 vagas para agentes de combate à endemias e 219 para
agentes comunitários de saúde. No nível superior
são 31 vagas para analistas de tributos, 93 para médicos,
três para nutricionistas, 32 para orientadores técnicos esportivos,
cinco para terapeuta ocupacional e 61 para médicos do Programa
Saúde da Família. Todos os cargos possuem reserva de vagas
para candidatos portadores de deficiência.
A taxa de inscrições é de R$ 25 para os cargos de
nível básico, R$ 40 para os cargos de nível médio
e R$ 80 para os cargos de nível superior.
GUARDA MIRIM
Diretoria decide manter Remi no cargo
A diretoria da Guarda Mirim de Cascavel decidiu que o tesoureiro da entidade,
José Remi Pietsch, continuará trabalhando na entidade. Ele
foi acusado de permitir a contratação de adolescentes sem
que freqüentassem as aulas do projeto, e empregar um neto em uma
das vagas disponíveis para alunos capacitados no Programa Menor
Aprendiz da entidade.
De acordo com a presidente da Guarda Mirim, Maria da Conceição
Araújo, a instituição auxilia o menor na conquista
do emprego por meio de curso e não se pode fazer distinção.
“Ele não infringiu lei alguma. O neto dele é carente,
é ele [Remi] quem paga o colégio do menino, o aluguel da
filha. Faz mais de 20 anos que ele faz parte da entidade, dedica-se em
tempo integral à Guarda Mirim, se ele não tiver o direito
de colocar um neto em um emprego, é uma maldade”.
A presidente também lembra que, se houvessem decidido tirá-lo
do cargo, não teriam outra pessoa para substituí-lo. “Tiro
o chapéu a ele, que é o primeiro a chegar e o último
a sair da entidade”.
José Remi Pietsch se mostra bastante abatido com a situação
e garante que está disposto a enfrentar a decisão que acharem
melhor. Segundo ele, o neto de 15 anos faz curso aos sábados na
Guarda Mirim, a mãe do adolescente trabalha como costureira e ganha
menos de um salário por mês. “Pago o colégio
dele e o aluguel da casa. Minha filha tem também um filho adotivo
com problema de visão”, explica, completando que o adolescente
ajuda no escritório da entidade, mas que realmente não fez
o curso de capacitação com duração de cinco
meses.
Como a Guarda Mirim tem estatuto próprio, a diretoria da entidade
é quem decide as medidas administrativas a serem tomadas.
Ontem à noite o Conselho Municipal dos Direitos da Criança
e do Adolescente formou uma comissão para analisar a questão
e definir o posicionamento do conselho com relação aos recursos
destinados à entidade.
NOVE ANOS
Prefeituras alegam não ter como implantar medida este ano
Secretários avaliam
hoje decisão judicial
O Departamento Pedagógico da Amop (Associação dos
Municípios do Oeste do Paraná) realiza hoje, das 8h15 às
12h15, em sua sede, em Cascavel, reunião com coordenadores de educação
infantil das escolas municipais da região. Na pauta está
a discussão sobre recente decisão do TJ (Tribunal de Justiça)
do Paraná sobre a implantação de turmas do 1º
ano do Ensino Fundamental de nove anos para crianças que completaram
seis anos após o dia 1o de março ou completarão até
31 de dezembro deste ano.
Uma liminar solicitada pelo Ministério Público determinava
que todas as escolas do Estado, inclusive as privadas, matriculassem todas
as crianças que completam seis anos em 2007 no Ensino Fundamental.
Este mês a Justiça cassou a liminar, derrubando a obrigação.
Os prefeitos alegam que não têm condições para
implantar a série extra este ano, já que, a princípio,
a determinação valeria a partir de 2008.
O encontro será coordenado pela professora Emma Gnoatto, diretora
do Departamento de Educação da Amop, e buscará avaliar,
analisar e encontrar soluções adequadas coletivamente para
essa nova realidade.
FELIZ IDADE
Instituto promove segundo encontro hoje
O Instituto Alfredo Kaefer promove hoje o segundo encontro do Projeto
Feliz Idade em Ação, desenvolvido para idosos de Cascavel
e região. A partir das 9h, estandes da FAG (Faculdade Assis Gurgacz),
da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste), da Unipar (Universidade
Paranaense), da Univel (União Educacional de Cascavel), do Cedip
(Centro Especializado de Doenças Infecto-Parasitárias),
da Faculdade Harpa, das Óticas Precisão, da Terra Mate e
do Banco BM Créd estarão montados na Asserdip (Associação
dos Funcionários da Diplomata) para desenvolver atividades com
os idosos.
Entre as ações, verificação de pressão
arterial e orientações de saúde, atividades físicas
e recreativas, palestras, exames clínicos de câncer bucal
e teste de visão, orientações sobre incontinências,
quedas, direitos dos idosos, cuidados com a pele, Aids na terceira idade
e empréstimo bancário.
Durante o evento, será sorteada uma viagem para Foz do Iguaçu.
Às 12h será servido almoço e em seguida haverá
apresentações culturais dos próprios participantes.
O encerramento das atividades será às 16h, quando começa
o baile.
Cerca de 300 pessoas, pertencentes a grupos de Cascavel, Assis Chateaubriand
e Nova Laranjeiras, são esperadas no encontro.
FOTOLEGENDA:
O prefeito de Cascavel, Lísias Tomé, assinou ontem o convênio
para a contratação da empresa responsável pela construção
de 110 casas populares. As 373 pessoas beneficiadas serão realocadas
do assentamento Rivadávia e das margens dos córregos Bezerra
e Clarito para residirem em conjuntos habitacionais nos Bairros Brazmadeira,
Morumbi e Jardim Consolata.
Cada casa terá 40 m² e será construído pela
prefeitura por meio da Cohavel (Companhia de Habitação de
Cascavel). O Município fez a doação dos terrenos
e custeará a infra-estrutura com R$ 2,602 milhões. O governo
federal investirá mais R$ 1,95 milhão.
FOTOLEGENDA:
Bairro de classe média, o Cancelli é 80% residencial e conta
com boa infra-estrutura, já que 100% das ruas são asfaltadas
e iluminadas. A água encanada está em 100% das residências,
apesar de uma média de 5% não contarem com esgoto. Aproximadamente
30% das casas não têm calçadas. Cerca de 10% dos lotes
do bairro estão baldios. A Praça dos Mosaicos (foto) é
o local de lazer dos moradores do Cancelli. O Rio das Antas passa pelo
bairro, na divisa com o Canadá e com o Claudete. O SOS Família
e a Guarda Mirim estão instaladas no local.
SAÚDE
Na UBS do Cancelli, cada sala tem três utilidades
Melhora no atendimento
trava na falta de espaço
Os postos de saúde Cancelli e Claudete atendem à população
do Bairro Cancelli, na região oeste de Cascavel. Os moradores pedem
mais espaço e mais médicos nas duas unidades, nas quais
atendem apenas quatro médicos: dois clínicos-gerais, um
ginecologista e um pediatra, além dos dentistas.
A situação mais crítica é no posto de saúde
do Cancelli. O reduzido espaço obriga que cada sala comporte três
departamentos. Segundo o presidente da Associação de Moradores,
Ênio Pertile, desde 2000 o posto não recebe investimentos.
“Sabemos que há verba liberada de mais de R$ 300 mil para
a construção de um novo posto e pretendemos que comece ainda
este ano. Nossa abrangência é uma das maiores de Cascavel.
Pessoas de no mínimo seis bairros usam o posto do Cancelli”.
Segundo a coordenadora da unidade, Vanderlúcia Cardoso, cerca de
180 pessoas são atendidas diariamente. “Cada consulta demora
cerca de 20 a 30 dias para ser efetivada”, explica a coordenadora.
Quanto ao posto do Claudete, a comerciante Jandira Vitalino - que mora
no bairro há 30 anos - é taxativa: “O atendimento
é ruim. Não tem médico suficiente e quando preciso
de consulta de especialista fico de duas semanas a um mês na fila.
Às vezes tenho que ir para outro posto”. Ela contou que já
teve de ir ao posto do Bairro Floresta em busca de consulta.
As opiniões sobre o atendimento posto se dividem. A dona de casa
Rosângela de Oliveira considera o atendimento bom, declarando que
nunca teve problemas para conseguir uma consulta. “Não tenho
do que reclamar. Tem vezes que consigo consulta no mesmo dia, ou na próxima
semana. Nunca fico muito tempo na fila e nunca falta remédio”.
Segundo a coordenadora da unidade, Maria Aparecida, cada médico
atende, no mínimo, 20 pessoas por dia. “Recebemos pessoas
do Tropical, Claudete, Jardim Seminário, Metropolitano, mas também
temos pacientes de bairros mais distantes”, revela.
Para evitar atropelos, as consultas agendadas nunca ultrapassam o prazo
de uma semana. “Abrimos o agendamento segunda-feira e até
o meio da semana as vagas estão esgotadas. Marcamos sempre para
a próxima semana para que o paciente não fique esperando
muito tempo”, acrescenta.
FOTOPERSONAGENS:
“O posto precisa de reforma e mais médicos”
José Luis Lemanczuk, aposentado
“O atendimento é ruim. Precisa de especialista”
Jandira Vitalino comerciante
“Não tenho do que reclamar”
Rosângela de Oliveira, dona de casa
SEGURANÇA
“Já fomos assaltados mais de 12 vezes. Houve um mês
em que recebemos a visita dos bandidos duas vezes”. O medo obriga
o gerente de uma empresa a não se identificar ao dar seu depoimento
à reportagem do Hoje. Devido à insegurança no Bairro
Cancelli, o comerciante Diego Gluzezak contratou um serviço particular
de segurança para evitar que o estabelecimento seja arrombado.
“Tentaram entrar aqui duas vezes. Chamamos a polícia e os
assaltantes foram embora, por isso tivemos de contratar esse serviço”.
Diego afirmou que outro problema é a pouca iluminação
na rua onde fica o estabelecimento, o que prejudica a segurança
no bairro.
Uma das reclamações dos moradores é a concentração
de marginais na localidade. Embora nunca tenha sido vítimas dos
marginais, a dona de casa Clarisse Freire Alves diz que se sente preocupada
com a possibilidade de passar por uma dessas situações.
O dono de panificadora Sebastião Vitalino, há cinco anos
no Cancelli, lembrou que foi assaltado duas vezes e já teve o estabelecimento
comercial arrombado. “O problema é que não há
policiamento no bairro. Acredito que mais homens na rua ajudariam a resolver
isso”.
Conforme levantamento da Polícia Militar, o bairro foi o 14º
em crimes violentos contra a pessoa (50) e o 15º em crimes contra
o patrimônio público (134) em 2005.
PERSONAGEM:
“Não deixo a minha casa sozinha”
Clarisse Alves, dona de casa
“Cuidamos para não sermos roubados”
Alberto da Silva, aposentado
ESPORTE
O Bairro Cancelli possui boa estrutura esportiva e de lazer, mas a maioria
dos locais destinados à prática de esporte pertence a particulares.
São associações de classe e de moradores que mantêm
quadras e campos de futebol com utilização restrita. Um
dos campos pertence ao ex-jogador de futebol Paulinho Cascavel, que mantém
no local sua escolinha de futebol para garotos.
Por outro lado, a estrutura que pertence ao Município está
abandonada. É o caso de uma quadra poliesportiva no Bairro Claudete.
A quadra está sem condição de uso. A tela de proteção
está danificada e enferrujada, o piso sujo e a parte da mureta
destruída.
A praça onde está a quadra também está abandonada.
O que mais se vê no local são tijolos quebrados de muretas
que estavam sendo construídas na praça. Além disso,
os equipamentos do parque infantil apresentam defeitos e sinais de ferrugem,
tudo porque falta manutenção do poder público.
EDUCAÇÃO
Duas escolas municipais, um colégio estadual e dois Cmeis (Centros
Municipais de Educação Infantil) atendem os moradores do
Bairro Cancelli. A Escola Municipal Professora Michalina Sochodolak funciona
no mesmo prédio em que o Colégio Estadual Júlia Wanderley,
mas já existe o projeto para a construção de uma
nova escola municipal, para que as duas instituições funcionem
melhor.
O Colégio Estadual Júlia Wanderley atende 1.260 alunos em
três turnos. A diretora Leonice de Oliveira disse que o espaço
é um problema para as duas instituições, mas que
o colégio ganhou uma nova sala, antes ocupada por um dentista.
O ginásio ainda não foi acabado e faltam recursos para que
as obras tenham andamento. Mesmo assim, funcionam no local algumas atividades
esportivas em parceria com o Instituto Alfredo Kaefer, entre elas aulas
de futebol de salão.
A reportagem do Hoje tentou contato com a direção da Escola
Michalina, mas devido à greve dos professores da rede municipal
não encontrou ninguém na escola.
A Escola Municipal Aloys João Mann atende atualmente 365 alunos
do pré à 4ª série. De acordo com a diretora
Luciene Maria da Silva, a comunidade escolar está ansiosa com a
construção de um novo prédio, porque a parte antiga
precisa ser substituída urgentemente.
Segundo a diretora, a escola tem apenas uma quadra aberta, o que impossibilita
a prática de esportes nos dias de chuva ou de muito sol. Em contraturno
escolar são ofertadas aulas de informática e de reforço
escolar, e não tem outros projetos por falta de espaço.
CRECHES
O Cmei Arco Íris atende 56 crianças e a fila de espera ultrapassa
os 100 nomes. Conforme a coordenadora Izabel Terezinha Valesan, existe
um projeto para ampliar o centro, que aumentará a cozinha, lavanderia,
refeitório e o setor administrativo. “Não vamos poder
ampliar o número de vagas, mas os alunos terão mais qualidade
para estudar”.
No Claudete, o Cmei Raio de Luz também atende a 56 crianças,
mas lá o problema é um pouco pior, porque não há
terreno disponível. Segundo a coordenadora Cristiane Zorzi, já
foi solicitada a estrutura do salão comunitário, mas ainda
não houve resposta da associação de moradores.
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