Política da dependência
“Se ao final de meu mandato todos os brasileiros tiverem a possibilidade
de tomar café da manhã, almoçar e jantar terei cumprido
a missão de minha vida”. O discurso de posse de Luiz Inácio
Lula da Silva dia 1º de janeiro de 2003, ao assumir pela primeira
vez a Presidência da República, prometia uma transformação
social no País. Com o Fome Zero, Lula sinalizava para mudanças
que permitiriam acabar com a pobreza e garantiriam alimento aos mais de
22 milhões de brasileiros de vivem na miséria.
A falta de implementação das políticas necessárias
e o foco no assistencialismo puro não permitiram que Lula cumprisse
sua missão de vida. Foi eleito novamente, mas nem seu segundo discurso
de posse não fez muita referência aos primeiros compromissos.
Apesar de ter aumentado significativamente o número de famílias
beneficiadas com o programa Bolsa-Família, algumas perdas foram
registradas nesse processo. Muitas essenciais para quaisquer mudanças.
As contrapartidas das famílias, como estudo das crianças
e fim da exploração ao trabalho infantil, passaram a ser
menos rigorosas e não houve a complementação de ações
esperadas, que poderiam dar a chance de retirar essas pessoas da dependência.
Pelo contrário. O que se viu foi uma necessidade cada vez maior
do auxílio e a mudança de alguns hábitos. Em vários
locais já ocorre problema com a mão-de-obra sem capacitação
porque não querem ser registrados ou melhorar os salários
para não perder o bolsa-esmola.
A receita para o fim da exclusão social não é complicada,
mas seus ingredientes são caros. Podem, inclusive, custar a soberania
dos governantes. Afinal, um povo independente e que sabe dos seus direitos
não elege qualquer um.
O primeiro passo e o mais difícil para avançar no processo
é resgatar a dignidade dessas pessoas. Elas têm tão
pouca perspectiva de vida que desistem de esperar por soluções
e contentam-se com migalhas. São necessárias políticas
de inclusão, resgate social, capacitação profissional
e pessoal. É uma longa caminhada. Mas quanto mais se protelar o
primeiro passo mais longo se tornará o percurso.
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