DESCASO
Segundo estudo, apenas 75,8% freqüentou a escola ano passado
14 milhões de crianças
estão fora de escolas
A Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios), estudo do
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado
ontem, mostrou que, em 2006, num universo de 59 milhões de crianças
e adolescentes, 14 milhões (o equivalente a 24%) estavam fora da
escola ou creche em todo o Brasil. Destas, 82,4% tinham até seis
anos (creche e pré-escola), 4,6% tinham de sete a 14 anos (Ensino
Fundamental) e 13%, de 15 a 17 anos (Ensino Médio).
O principal motivo declarado, para as crianças de até seis
anos, foi que não freqüentavam escola ou creche por vontade
própria ou de seus pais ou responsáveis (37,2%). Nas Regiões
Sul e Sudeste, esse motivo foi apontado por 52,1% e 50,3%, das famílias,
respectivamente.
A Região Norte foi a que apresentou menor taxa de freqüência
à escola ou creche (69,5%), enquanto a Região Sudeste tinha
a maior (78,5%). Considerando as unidades da federação,
o Rio de Janeiro tinha a maior taxa (80,3%); e o Acre, a menor (65,1%).
O estudo indicou ainda que 75,8% (45 milhões), de um total de 59
milhões de crianças e adolescentes, freqüentavam a
escola em 2006. O percentual é superior ao estimado em 2004, que
foi de 73,8%.
A proporção de crianças de até três
anos que freqüentava creche aumentou em 2006 em relação
a 2004 (de 13,4% para 15,5%). Regionalmente, a freqüência à
creche variou de 19,2% no Sudeste para 8% no Norte.
O maior incremento na taxa de escolarização, entre 2004
e 2006, foi observado para as crianças em idade de cursar o pré-escolar
(quatro a seis anos), de 70,5% para 76%.
Programas sociais
O Paraná, proporcionalmente à população,
foi um dos estados brasileiros que menos receberam dinheiro de programas
sociais do governo federal entre os anos de 2004 a 2006. Com 12,4% dos
domicílios com recursos recebidos, o Paraná aparece na 22ª
posição no ranking nacional.
Levantamento feito com base no Pnad, mostra que, do total de 54,7 milhões
de domicílios particulares pesquisados em 2006, em cerca de 10
milhões foram encontradas pessoas que recebem dinheiro de ao menos
um programa social, o que corresponde a 18,3% dos domicílios particulares
do País.
SEM-TERRA
Anca terá de devolver R$ 4 milhões à União
O TCU (Tribunal de Contas da União) condenou a Anca (Associação
Nacional de Cooperação Agrícola), solidariamente
com o ex-presidente Adalberto Floriano Greco Martins, ao pagamento de
R$ 4,4 milhões, valor atualizado. O TCU julgou irregulares as contas
do convênio firmado pela associação e o FNDE (Fundo
Nacional de Desenvolvimento da Educação), para a implantação
do programa Brasil Alfabetizado, em 23 estados.
A Anca é uma entidade que mantém vínculo com o MST
(Movimento
De acordo com o relatório, houve repasse de recursos em desacordo
com o plano de trabalho e falta de documentação que comprove
o cumprimento das metas. O dirigente e a Anca também não
apresentaram o controle de freqüência e de pagamentos dos alfabetizadores,
bem como lista de presença dos alfabetizados. O convênio
objetivava a alfabetização de 30 mil jovens e adultos e
a capacitação de 2 mil alfabetizadores.
Martins também foi multado em R$ 30 mil e terá 15 dias para
comprovar o recolhimento ao Tesouro Nacional. A cobrança judicial
foi autorizada. Cópia de decisão foi encaminhada à
Procuradoria da República em São Paulo. Cabe recurso da
decisão. O ministro Benjamin Zymler foi o relator do processo.
AVIAÇÃO
Anac determina
reformas em
175 aeroportos
A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) notificou
175 aeroportos de pequeno e médio portes para que corrijam seus
procedimentos de segurança. A informação é
do diretor do órgão federal Alexandre Gomes de Barros.
Segundo ele, esses terminais têm de 60 a 180 dias para se adequar
às normas, dependendo do tipo de problema. Três quartos desses
aeroportos são administrados por governos estaduais e prefeituras,
que têm dificuldade financeira para mantê-los. Outros 5%,
acrescentou Barros, são administrados pela Infraero (Empresa Brasileira
de Infra-Estrutura Aeroportuária).
O diretor não listou os aeroportos, apontando motivos de segurança.
TJLP
O CMN (Conselho Monetário Nacional) manteve em 6,25% ao ano a TJLP
(Taxa de Juros de Longo Prazo) para o segundo trimestre de 2008. Para
os produtores rurais, a TJLP é importante para empréstimos
de longo prazo, apesar de seu custo ser variável, e permanece fixa
a cada trimestre. Ela baliza o custo financeiro dos empréstimos
para investimentos.
ENDIVIDAMENTO
Proposta do governo deve ser
concluída em duas semanas
Uma proposta consensual entre produtores rurais e governo para solucionar
o endividamento rural deve ser fechada em 15 dias. A previsão é
do presidente da Comissão Nacional de Endividamento da CNA (Confederação
da Agricultura e Pecuária do Brasil), deputado Homero Pereira (PR/MT).
Entidades do setor agropecuário e parlamentares da bancada ruralista
voltam a se reunir segunda-feira com os ministros Guido Mantega, da Fazenda,
Reinhold Stephanes, da Agricultura, e Guilherme Cassel, do Desenvolvimento
Agrário, para retomar as negociações em busca de
uma definição para o passivo dos produtores, que totaliza
R$ 87 bilhões.
Diante desse novo prazo, Pereira afirmou que o dia 31 não é
mais considerado decisivo para se resolver a questão das dívidas.
Segundo ele, o setor terá um fôlego a mais, pois quinta-feira
o governo atendeu a uma reivindicação do setor, alongando
de 31 de março para 1º de julho o prazo para pagamento de
parcelas de dívidas. Com isso, as prestações com
vencimento de 2 de janeiro a 30 de junho deste ano estão em situação
de adimplência.
Portos
Os portos brasileiros saíram definitivamente da mira da privatização.
O “Diário Oficial da União” de quarta-feira
trouxe um decreto presidencial que exclui do chamado PND (Plano Nacional
de Desestatização, oficializado em 1997) todos os portos
e seus ativos, ainda administrados pelo estado, que pertencem às
Companhias Docas do Rio de Janeiro, do Estado da Bahia, do Ceará,
do Estado de São Paulo, do Pará, do Maranhão, do
Rio Grande do Norte e do Espírito Santo.
Na avaliação do governo do Paraná, a medida demonstra
o acerto do Estado na luta contra a privatização do Porto
de Paranaguá. A decisão do governo federal contra a privatização
teve como um dos parâmetros o bom desempenho de portos públicos
como os do Paraná e o de Rio Grande (RS).
SUPERÁVIT
O governo central, formado pelo Tesouro Nacional, Previdência Social
e Banco Central, terminou fevereiro com superávit primário
de R$ 5 bilhões, queda de 67,5% em relação a janeiro,
quando a economia de recursos havia somado R$ 15,4 bilhões.
Relatório divulgado ontem pela Secretaria do Tesouro Nacional informa
que essa redução ocorreu devido à arrecadação
menor no mês passado, em relação a janeiro - o que
é considerado normal, pois o primeiro mês do ano é
marcado pelo pagamento da primeira cota do Imposto de Renda das empresas
e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).
ORÇAMENTO
Tesouro prevê contingenciamento de R$ 20 bi
O decreto que definirá a programação dos gastos
do orçamento neste ano, previsto para ser publicado na próxima
semana, terá um contingenciamento de cerca de R$ 20 bilhões,
afirmou ontem o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.
Segundo o secretário, o orçamento precisa se adaptar à
perda de R$ 40 bilhões de receita, com o fim da CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira), para que
seja mantido o superávit primário de R$ 20,4 bilhões
acumulado nos dois primeiros meses deste ano, equivalente a 4,59% do PIB
(Produto Interno Bruto).
De acordo com Augustin, a contenção de despesas deve ocorrer
principalmente na área de custeio, para que seja mantido o ritmo
de investimentos. “É desejável manter o ritmo de crescimento
forte dos investimentos e cortar outras despesas”, destacou.
CONFUSÃO
Levantamento de gastos de FHC e da ex-primeira-dama existe
Dilma nega dossiê, mas
admite banco de dados
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) negou ontem a elaboração
de um dossiê com todos os gastos do ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso, de sua esposa, Ruth Cardoso, e ministros da gestão tucana.
Em entrevista em Recife (PE), segundo a rádio CBN, Dilma afirmou
que o governo montou um "banco de dados" com informações
sobre despesas com cartões corporativos para atender possíveis
pedidos legais.
A ministra ainda afirmou que a coleta de informações não
teve a característica de investigar o ex-presidente FHC.
O vice-presidente José Alencar e o ministro Tarso Genro (Justiça)
também negaram a existência de um suposto dossiê. "Não
há dossiê. Há uma sindicância. Isso é
normal. É uma sindicância administrativa", disse Tarso
Genro.
Alencar afirmou que as informações contidas no suposto dossiê
foram solicitadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União). "Essas
informações são rotina no governo. Nunca houve nenhum
dossiê para nenhum objetivo diferente do que preparar informações
não só daquele período como de outros períodos.
Isso é rotina, isso é normal."
Sem citar a oposição, o vice-presidente disse que estão
fazendo "tempestade em copo d’água" com essa informação.
"Não foi má-fé nem coisa nenhuma. Aquilo não
tem absolutamente nada".
Mais enfático, Tarso afirmou que a polêmica é resultado
do embate político entre governo e oposição. "A
oposição está com os ânimos muito acirrados
porque vamos entrar em um período eleitoral. E o presidente está
com um acolhimento da população inédito na história
do País e cabe à oposição criar fatos políticos
para fazer debates públicos."
O ministro descartou ainda a possibilidade de o Ministério da Justiça
ou da Polícia Federal serem acionadas para investigar o vazamento
das informações do suposto dossiê para intimidar a
oposição na CPI dos Cartões. "O Ministério
da Justiça e a PF nada têm a ver com isso. Não vão
ser instrumentalizados na luta política."
O dossiê
De acordo com uma reportagem do jornal “Folha de S. Paulo”,
foi a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Alves Guerra,
braço-direito de Dilma, quem deu a ordem para a organização
do dossiê.
Quando o trabalho começou a ser feito, corriam as negociações
no Congresso para investigar gastos com cartões corporativos do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por pressão de políticos
governistas, as investigações recuariam ao período
de governo tucano.
Com 13 páginas, o documento registra com detalhes e fora da ordem
cronológica diversos gastos, com ênfase nos feitos por Ruth
Cardoso e naqueles envolvendo bebidas e itens como lixas de unha e veludo
alemão.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) acredita que a ministra-chefe
da Casa Civil, Dilma Rousseff, deveria demitir quem ordenou o levantamento
de seus gastos pessoais e os de sua esposa, Ruth Cardoso. "Não
creio que ela [Dilma] tenha telefonado para enganar a Ruth, ela deve ter
sido enganada. Agora, corresponde a ela mostrar que foi enganada e demitir
quem fez isso", afirmou FHC ontem.
DIVERGÊNCIA
Câmara pode rever cassação de infiel
A Câmara dos Deputados poderá rever a decisão tomada
pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) quinta-feira de cassar o deputado
Walter Brito Neto (PRB-PB) por infidelidade partidária. O parlamentar
deixou o DEM em setembro do ano passado, após o prazo fixado pelo
Tribunal para a troca de legendas.
Segundo a secretaria-geral da Mesa da Câmara, a Constituição
determina que a Mesa Diretora avalie todos os processos de cassação.
O secretário, Mozart Vianna, explica que o presidente Arlindo Chinaglia
(PT-SP) irá despachar o processo para o corregedor, deputado Inocêncio
Oliveira (PR-PE), assim que receber a comunicação oficial
da decisão do TSE.
Caberá a Inocêncio analisar o caso, e Brito Neto terá
cinco sessões para se defender. O corregedor fará um relatório
e levará o caso para a Mesa, que poderá manter a decisão
do TSE ou alterá-la. Mozart ressalta que a Constituição
utiliza o termo "ampla defesa" para a manifestação
de Brito.
REVOLUÇÃO
O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), classificou ontem de
"grande revolução" a decisão do TSE de
cassar o mandato do deputado Walter Brito Neto (PRB-PB) por infidelidade
partidária. Na opinião do democrata, a interpretação
do tribunal vai coibir novas trocas de partido no futuro, especialmente
em períodos eleitorais.
ELEIÇÕES
TREs querem proibir os
candidatos com ficha suja
O Colégio dos Presidentes dos TREs (Tribunais Regionais Eleitoral)
decidiu ontem encaminhar ao Congresso Nacional e ao TSE (Tribunal Superior
Eleitoral) a minuta de um projeto de lei que visa proibir candidaturas
de políticos que respondam a processos criminais ou civis por improbidade
administrativa.
A proposta foi discutida ontem durante encontro do colégio realizado
em Natal (RN). Segundo o presidente do TRE-RN (Tribunal Regional Eleitoral)
do Rio Grande do Norte, Cláudio Santos, não há uma
lei que trata do deferimento de registro de candidatos que tenham "maus
antecedentes", por isso a necessidade de legalizar o assunto.
Como não há lei sobre o assunto, hoje os TREs indeferem
registros de candidatos com base no princípio da moralidade, apesar
de a Constituição Federal garantir a presunção
da inocência - quando o réu só pode ser considerado
culpado após o julgamento do processo na última instância.
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