PERIGO - Oftalmologista alerta para os cuidados dos olhos contra os raios
UV
A guerra contra o sol
O mundo está em alerta. A camada de ozônio continua diminuindo
e o aumento da incidência de radiação ultravioleta
em seres humanos é um fato. E a saída está sendo
desenvolver cada vez mais produtos que protejam as pessoas dos efeitos
nocivos dos raios solares UVA e UVB. Mas é preciso conscientizar
as pessoas que não é só a pele que precisa de proteção,
os olhos também. O alerta é do dr. Marcus Sáfady,
oftalmologista e consultor do Instituto Varilux da Visão, entidade
que realiza trabalhos sociais em comunidades carentes de todo o Brasil.
Segundo Sáfady, que também é membro da Sociedade
Brasileira de Oftalmologia, a proteção às radiações
é fundamental. “No verão, 95% dos raios UV (Ultravioleta)
passam pela córnea, agredindo a retina e o cristalino. Segundo
evidências clínicas, isto pode causar degeneração
macular e catarata”, afirma, acrescentando que os raios UVB provocam
queimaduras, câncer de pele e danos à córnea.
De acordo com o oftalmologista, 1% de diminuição na camada
de ozônio pode causar um aumento de 0,7% de catarata e 4% de câncer
de pele. A exposição excessiva e sem proteção
UV pode causar ceratite actínica. “Trata-se de uma inflamação
da córnea extremamente incômoda para o paciente. Ocorre normalmente
de 6 a 12 horas após a exposição solar, causando
uma forte sensação de areia, dor e fotofobia (sensibilidade
acentuada a luz)”, esclarece.
Óculos escuros
No verão há um aumento do uso de óculos escuros,
o que também preocupa o dr. Marcus Sáfady, pois segundo
ele, há dois conceitos importantes: óculos escuros e óculos
com proteção UV. No primeiro, as lentes escurecidas filtram
uma parte da luz ambiente, diminuindo os sintomas de fotofobia quando
eles existem. Mas ele lembra que uma lente escurecida não vai necessariamente
filtrar os raios UV. “Dependo do material com que a lente é
feita”, afirma. Segundo ele, o mercado já oferece lentes
oftálmicas que protegem o olho dos raios solares, pois estudos
indicam que em países com maior incidência solar e, consequentemente
mais UV. Só para dar um exemplo, em países localizados acima
dos trópicos a vista cansada pode aparecer após os 46-47
anos de idade.
No Brasil, a presbiopia (vista cansada) tende a ocorrer mais precocemente,
por volta dos 40 anos. “Os óculos para proporcionar proteção
contra os raios UV precisam ter lentes fabricadas em material que filtre
totalmente os raios UV, como por exemplo, as lentes em policarbonato Airwear
e Stylis 1,67, que filtram 100% deles. As fotossensíveis, com origem
certificada, também oferecem 100% de proteção, bloqueando
totalmente estes raios”.
Produtos falsificados
A Associação Brasileira de Produtos e Equipamentos Ópticos
alerta para o perigo dos óculos falsificados. A entidade estima
que a pirataria e o contrabando respondam por 50% dos cerca de R$ 1,2
bilhão movimentados pelo setor em 2006. Com pouco dinheiro no bolso
o consumidor se vê seduzido por falsificações de grifes
que chegam ao Brasil com preço até 90% menores, especialmente
com a proximidade do Natal que lota os centros de pirataria como a 25
de Março, em SP, e Saara, no Rio.
VERÃO
Altas temperaturas
afetam saúde auditiva
Dados recentes das Nações Unidas indicam que 2007 será
o ano mais quente dos últimos tempos. A temperatura do planeta
deve subir 0,54 graus em relação às temperaturas
atuais. Diante desta constatação, tudo indica que o verão
brasileiro, que já registra níveis altos de temperatura,
deverá atrair mais pessoas para as praias e piscinas, já
que estes são os locais preferidos para um banho refrescante.
O resultado desta prática, segundo a Aborl-CCF (Associação
Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial),
pode gerar aumento das inflamações e infecções
no ouvido, conhecidas como otite externa - um tipo de infecção
que acomete o canal externo do órgão auditivo. Por ser quente,
úmido e escuro, o canal pode facilmente inflamar-se ou infectar-se
com fungos ou bactérias.
O presidente da ABORL-CCF, o otorrinolaringologista Richard Voegels, alerta
que a doença é muito mais comum no verão, por agregar
fatos como a maior umidade do ar, o calor intenso e os hábitos
assumidos pela população nesta estação. O
problema afeta tanto adultos como crianças e deve ser diferenciada
da otite média aguda, que apresenta uma incidência muito
maior nos meses de inverno e em crianças até os seis anos
de vida.
Quando o ambiente está úmido e quente, o contato constante
com a água (muitas vezes imprópria para o banho) pode modificar
o revestimento do canal auditivo externo gerando descamação
e prurido (coceira). “Como reação imediata, muitas
pessoas costumam coçar o ouvido, e utilizam os mais variados objetos
(cotonetes, tampas de caneta, agulhas de tricô) o que pode causar
sérios traumas no revestimento interno do ouvido. Estas micro-rupturas
na pele servem, então, como legítimas portas de entrada
a microrganismos que podem causar infecções locais ou generalizadas”,
alerta o otorrinolaringologista.
Segundo o médico, é preciso tomar muito cuidado com alguns
tratamentos ou métodos caseiros. Ele faz um alerta: "Nunca
pingue nada no ouvido". Algumas pessoas costumam utilizar álcool,
óleo ou vinagre. O especialista adverte que esses tratamentos causam
desidratação da pele, predispondo a infecção.
“Esta tentativa de tratamento é desastrosa e inoportuna”,
adverte.
DICAS PARA LIMPEZA
*** Depois da piscina e da praia, se ficar uma sensação
de que existe água dentro do ouvido, é um sinal de que algo
não está bem. O ideal é que antes de praticar esportes
aquáticos, a pessoa procure um otorrinolaringologista para ver
se está tudo correto com o ouvido.
***Os sintomas mais comuns da otite externa são dor de ouvido,
que piora quando a orelha é pressionada ou puxada; a coceira no
canal externo, saída de secreção, inchaço
e diminuição da audição.
***O tratamento inclui uma limpeza cuidadosa do canal auditivo externo,
que deve ser feita por um otorrinolaringologista. Habitualmente, são
receitados medicamentos tópicos e analgésicos.
***Os médicos não recomendam o uso de xampu, sabão
e outros agentes que irritam o canal ou de hastes de diferentes espécies
para manipular o ouvido (como o uso de cotonetes). Também durante
o período de inflamação, não é recomendado
praticar natação.
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