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ALFREDO KAEFER

Engessamento da economia
esfria expectativa sobre o PAC

Faltou conversa entre o Copom (Comitê de Política Monetária) e o governo. A redução da taxa Selic para 0,25 ponto percentual foi uma ducha de água fria no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O setor financeiro não apostava em números diferentes - considerando a decisão antecipada do Banco Central em agir com maior parcimônia - mas empresários esperavam que cortes significativos nos juros acompanhassem a desoneração.
De acordo com o deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB-PR), é improvável um crescimento da economia em 4,5% como prevê o governo. "O engessamento dos indicadores com juros altos e tratamento inadequado ao câmbio, provocam, como melhores das projeções, a expectativa de um crescimento de 3,5%".
O deputado tucano não condena o PAC, mas questiona a formatação. "É um programa significativo, mas depende de uma série de combinações - sobretudo no campo econômico - para que não sejamos personagens da velha nova utopia do crescimento". O governo prevê para este ano R$ 15,8 bilhões de investimentos públicos do PAC.
"São projeções de investimentos otimistas se observados de forma distinta. Mas diante do PIB entre 2007 e 2010, os R$ 68 bilhões do Orçamento que serão disponibilizados ao PAC, não representam sequer 1% do PIB.", explica Kaefer, que ainda ressalta que há tempo para novas discussões sobre o PAC e que é preciso cautela para evitar um aumento inesperado da inflação.

CÂMARA – Escolha no novo presidente ocorrerá quinta-feira

Candidatos fazem debate
decisivo antes das eleições

O domingo dos três candidatos à Presidência da Câmara dos Deputados foi destinado à preparação para o debate de hoje, às 11h, que será transmitido ao vivo pela rádio e TV Câmara. Aldo Rebelo (PCdoB-SP), candidato a reeleição, passou o fim de semana em Brasília, entre contatos telefônicos com parlamentares.
A expectativa do presidente da Câmara é “promover um debate de idéias” que dê ao seleto grupo de 513 eleitores (deputados federais) uma oportunidade de escolher o candidato que será eleito quinta-feira para presidir a Casa em 2007-2008.
Às vésperas do debate, Rebelo adotou um discurso conciliador. Ele aposta numa discussão de propostas para a Câmara dos Deputados e trata seus adversários como “companheiros de muitos anos”. O candidato quer que o debate promovido pela Secretaria de Comunicação da Câmara seja mais uma oportunidade para que “o plenário decida quem é o melhor” para presidir a Casa.
O candidato Arlindo Chinaglia (PT-SP), que conta com os apoios institucionais do PMDB, PR (fusão PL-PSC-Prona), PTB, PP, além do próprio partido, pretende balizar-se no debate de hoje na carta compromisso que encaminhou a cada um dos 513 deputados. Com o mesmo entendimento do seu adversário comunista, Chinaglia entende que o debate da TV Câmara tem uma audiência seleta, basicamente deputados, jornalistas e uma pequena parcela da sociedade.
O candidato da terceira via, Gustavo Fruet (PSDB-PR), espera que o debate possibilite a “clareza de idéias, compromissos com o futuro da Câmara dos Deputados”. O parlamentar disse que vai propor e cobrar dos adversários as medidas objetivos que se pretende adotar para “recuperar a identidade da Câmara, profundamente comprometida por escândalos nos últimos anos”.
Fruet destacou, ainda, que é necessário que se discuta, também, “a mesmice” de que a Câmara dos Deputados tem que ser presidida por líderes de governo e que a Casa só discute aumento dos salários dos Deputados Federais.

Enquête aponta segundo turno

A eleição para a presidência da Câmara deverá ser decidida em segundo turno, entre Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP). É o que indica enquete realizada pelo Jornal Folha de São Paulo com 441 deputados da nova legislatura (85,96% dos 513 eleitos), entre 8 e 26 de janeiro.
O petista é o favorito no primeiro turno, mas não com larga vantagem. É importante destacar que 21,2% (93) dos parlamentares não quiseram revelar o voto. Se houver segundo turno, a votação será feita também quinta-feira, logo após o primeiro turno.
A enquete aponta que 35,1% (155) dos deputados entrevistados votariam em Chinaglia; 29,2% (129) em Aldo; e 14,5% (64) no candidato Gustavo Fruet (PSDB-PR), último entre os três a definir que disputaria a presidência da Câmara.
Os números mostram que, caso não houvesse o lançamento da candidatura Fruet e o PSDB apoiasse Chinaglia - o que chegou a ser anunciado há duas semanas -, o petista teria grandes chances de ganhar a eleição no primeiro turno.
Traições
Apesar dos números da enquete, os próprios candidatos levam em conta a possibilidade de traições dentro de partidos como o PFL - que oficialmente apóia Aldo. O voto secreto para a eleição da Mesa Diretora permite que os parlamentares se comprometam sem, de fato, cumprir o que prometeram.
A enquete mostrou isso. O número de deputados do PFL que votará em Aldo chega perto dos 70%. Desses, porém, 40% votariam em Fruet se pudessem escolher.

OUTRA DISPUTA
Renan é favorito no Senado

Às vésperas da eleição para as presidências da Câmara e do Senado, o clima de disputa nas duas Casas é oposto. Enquanto a campanha pelo comando da Câmara se intensifica e o resultado é imprevisível, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), caminha para uma reeleição tranqüila.
Beneficiado por um acordo entre PT e PMDB, Renan tem como único adversário até agora o senador José Agripino (PFL-RN) e não vê seu favoritismo ameaçado. Apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a expectativa é de que o peemedebista seja reeleito com, ao menos, 50 dos 81 votos da Casa.

REFORMAS
Entidades fazem manifesto

Os três candidatos à Presidência da Câmara dos Deputados - Aldo Rebelo (PcdoB-SP), Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Gustavo Fruet (PSDB-PR) - recebem hoje o Manifesto por uma Reforma Política Ampla, Séria e Democrática. Redigido por 20 entidades da sociedade civil, entre elas a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a Força Sindical e MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), o documento pede uma “urgente reforma das instituições e costumes políticos”.
As entidades assinalam que, nos últimos 25 anos, o país vive em estado de recessão econômica e crescente desigualdade social, além de conviver com o endividamento público e com uma “insuportável” carga tributária. Em seguida, alerta: “É inadiável, antes que o país mergulhe definitivamente em um estado de irreversível desintegração social, uma reforma no sentido republicano da supremacia absoluta do bem comum do povo sobre todo e qualquer interesse próprio de partido, grupo, setor ou corporação”.
O manifesto encerra com a reivindicação de algumas medidas, como o desbloqueio e a ampliação dos instrumentos de democracia direta e participativa – consagrados no artigo 14 da Constituição Federal. Pleiteia, ainda, “a correção das graves distorções do sistema de representação popular, notadamente a irresponsabilidade dos eleitos perante os seus eleitores e o abuso de poder econômico durante as campanhas eleitorais”.


COMÉRCIO EXTERIOR – Países chegaram a um consenso e trabalhos recomeçam nesta semana

Acordo reabre a Rodada de Doha

Os ministros do Comércio Exterior de cerca de 30 países chegaram a um acordo para retomar as negociações da OMC (Organização Mundial do Comércio), conhecidas como a Rodada Doha.
O embaixador brasileiro na OMC, Clodoaldo Hugueney Filho, confirmou à BBC que o relançamento da Rodada Doha é “oficial”. “Na semana que vem (este semana), já vamos retomar os trabalhos. Já há reuniões de serviço marcadas e recomeçarão os trabalhos multilaterais em Genebra”, disse Hugueney.
“Todos os ministros expressaram a consciência de que há um sentido de urgência nisso, de que é preciso se mover”, afirmou. Questionado sobre o que teria mudado para essa nova fase da Rodada Doha, o embaixador afirmou que “há uma determinação política, expressa por todos os chefes de estado”.
“Dessa vez há uma consciência de que o tempo está se esgotando”, disse Hugueney, que afirmou que sente que a União Européia está bastante “engajada” no processo.
Em um pronunciamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressionou as nações ricas para que elas demonstrem flexibilidade para chegar a um acordo que ajudaria a diminuir a pobreza em muitos países e injetaria bilhões de dólares na economia mundial. Empresários de diversos setores também pressionam os governos para que se chegue a um acordo.

SEGURANÇA
Blair pede Brasil no
Conselho da ONU

“Um Conselho de Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas] sem Alemanha, Japão, Brasil ou Índia, sem falar nos países africanos ou nações islâmicas irá, com o tempo, não apenas perder legitimidade aos olhos do mundo, mas seriamente inibir qualquer ação efetiva”, disse o primeiro-ministro inglês Tony Blair, de acordo com nota oficial do Fórum Econômico Mundial.
O apoio ao pedido brasileiro de participar do conselho foi feito na sessão de encerramento do fórum em Davos, na Suíça. Blair disse que o futuro dos três principais assuntos da reunião - comércio mundial, mudanças climáticas e África - ainda não está definido, mas houve progresso em cada um deles. “O que realmente ocorre é que as nações, até as maiores, estão percebendo que não podem ter interesses nacionais estreitos sem perceber os amplos valores globais”.
O primeiro-ministro britânico afirmou ainda, segundo a nota do Fórum Econômico Mundial, que tem um “otimismo cauteloso” sobre as negociações na Organização Mundial de Comércio. Ele teve reuniões em Davos com o presidente George W. Bush, dos Estados Unidos, Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e a chanceler alemã Angela Merkel.

MINISTÉRIO
Governadores apóiam
Pessuti na Agricultura

O vice-governador do Paraná, Orlando Pessuti, recebeu sábado o apoio dos governadores André Puccinelli (Mato Grosso do Sul) e Marcelo Miranda (Tocantins) para ocupar a chefia do Ministério da Agricultura na provável mudança ministerial que será promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a partir de 1º de fevereiro.
“Se o PMDB puder ter a possibilidade de indicar um nome para o Ministério da Agricultura, o vice-governador do Paraná terá o meu aval e dos companheiros parlamentares da bancada do Mato Grosso do Sul”, disse Puccinelli, que recebeu Pessuti num encontro partidário na Câmara de Vereadores de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
“O Orlando Pessuti é uma pessoa preparada, um homem que tem um currículo invejável. Pelo conhecimento que tem está apto a ocupar não só o Ministério da Agricultura como qualquer outro ministério para o qual for convidado. Eu estendo as mãos aos governos do Paraná e do Mato Grosso do Sul, para juntos lutarmos por uma bandeira só, que é preservar o PMDB e levar homens e mulheres preparados para defender o país, como é o caso do Pessuti”, disse Miranda que também participou do encontro.
O nome de Pessuti foi lançado pelo deputado federal Valdemir Moka (PMDB-MS) - membro da Comissão de Agricultura da Câmara - durante a filiação do deputado estadual Maurício Picarelli e dos vereadores de Campo Grande, Magali Picarelli, Paulo Siufi e Clemêncio Ribeiro ao PMDB.

PESQUISA
Cresce o número de mulheres fumantes

pesquisa da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) constata que cresce o número de mulheres que já experimentaram cigarro no País e cai o número de homens que fizeram uso do produto. Em 2001, eram 61,4% do sexo masculino contra 45,4% do grupo feminino, números esses que ganharam novos contornos em 2005: 60,7% contra 46,8%, respectivamente. A pesquisa será publica no início de fevereiro.
O 2º Levantamento Domiciliar sobre uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil foi realizada nas 108 maiores cidades do País, e compara os últimos dados com os de 2001. Foram ouvidas 10 mil pessoas, de 12 a 65 anos de idade. No levantamento de 2001, 41,1% dos entrevistados declararam já ter feito uso de cigarro, número que passou para 44% no estudo de 2005.
Segundo o pesquisador da Unifesp Elisaldo Carlini, as mulheres estão fumando mais que os homens. "Seria necessário um diagnóstico para saber o por quê desse fenômeno, mas não há vontade política para isso", disse. Em relação à dependência do cigarro, o estudo revela que entre os homens houve uma estabilização no percentual (13,1% em 2001 contra 13,4% em 2005), enquanto entre as mulheres subiu de 9,8% para 11,2%.

 

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