A vida continua
Funcionários do setor de saúde e voluntários se mobilizaram em todo o País ontem em alusão ao Dia Nacional do Doador de Órgãos. Ainda existe um longo caminho a ser percorrido até que todos os tabus sejam vencidos e o Brasil consiga diminuir uma longa fila de pacientes à espera de dar continuidade à sua vida.
A carência de doadores é ainda um grande obstáculo para a efetivação dos transplantes. E ela se deve principalmente à falta de informação. Por isso que atos como os realizados ontem, com a distribuição de panfletos informativos, deveriam ser freqüentes e não apenas em datas alusivas.
A conscientização da família brasileira quanto à importância da doação de órgãos é um dos caminhos para ajudar pessoas que agonizam à espera de um órgão. Hoje apenas a família da pessoa com morte encefálica pode autorizar a retirada dos órgãos.
O problema é que as famílias não autorizam a doação enquanto o paciente estiver alimentado por aparelhos, mesmo com a constatação da morte encefálica, na esperança de que algum milagre possa acontecer. Tecnicamente isso é impossível, por isso deve ser o ponto a ser trabalhado em todo o País. No momento de tensão, familiares terão maior dificuldade para compreender a situação e a importância da doação. Mesmo que esse fosse desejo do doador.
Outro problema é a falta de estrutura adequada de muitas estruturas hospitalares. Falta incentivo à formação de equipes capazes de fazer o diagnóstico do óbito encefálico (que nada tem de trivial), providenciem a autorização da família e a retirada dos órgãos. Vários hospitais nem ao menos notificam as suspeitas de morte encefálica, pois não possuem pessoal e equipamentos adequados para confirmá-la.
Hoje existem no Brasil 60 mil pessoas na fila de espera por algum órgão. E do número total de doadores potenciais, apenas 25% dos órgãos serão distribuídos adequadamente.
Os avanços da medicina são reduzidos enquanto não há a conscientização e a mobilização necessária dos setores de saúde e administrações públicas.
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