| MAR NEGRO
França acusa russos de mirarem outros países
Rússia envia navios e
aumenta clima de tensão
Uma embarcação da Frota do Mar Negro, o cruzador Moskva, atracou ontem em Sukhumi, capital da região separatista georgiana da Abkházia, cuja independência, além da Ossétia do Sul, foi reconhecida por Moscou terça-feira. Os navios chegaram à região no mesmo dia em que o chanceler francês, Bernard Kouchner, afirmou que a Rússia pode ter interesse em outros países vizinhos, como a Ucrânia e a Moldávia - países que possuem movimentos separatistas -, depois da operação russa na Geórgia.
Vários navios foram recebidos com aplausos pelos habitantes da cidade, assim como pelo presidente da Abkházia, Serguei Bagapsh, e pelas autoridades locais. Segundo o vice-chefe do Estado Maior russo, general Anatoly Nogovitsin, a Rússia ordenou ainda que sua frota no Mar Negro vigie o crescente número de barcos da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e afirmou que Moscou não tem interesses de aumentar sua própria presença militar no mar. Ontem, o porto georgiano de Batumi recebeu o navio americano Dallas, com ajuda humanitária.
Tropas russas continuam em partes da Geórgia, e Moscou reconheceu formalmente a independência das províncias separatistas da Geórgia - Ossétia do Sul e Abkázia -, e irritou o governo americano e os principais líderes da União Européia. A decisão foi anunciada pelo presidente russo, Dmitri Medvedev, um dia depois de as duas câmaras do Parlamento russo terem aprovado uma resolução que pedia pelo reconhecimento. “Essa não é uma escolha fácil, mas é a única chance de salvar a vida das pessoas”, disse Medvedev.
Questionado sobre se a Rússia poderia optar pelo confronto com o Ocidente ao invés de cooperar, o ministro de Relações Exteriores francês afirmou: “Isso não é impossível”. “Repito que isso é muito perigoso, e que existem outros objetivos, em particular na Criméia, Ucrânia e Moldávia”.
Como a Geórgia, a Ucrânia tem um presidente apoiado pelo Ocidente e que pretende integrar a Otan, se afastando da esfera de influência do Kremlin, e que possui muitos cidadãos de origem russa. A península ucraniana da Criméia, uma região tradicionalmente reivindicada pela Rússia, que abriga a frota russa do mar.
Medvedev advertiu a Moldávia - outra república ex-soviética - para que “não cometer o mesmo erro da Geórgia” de recorrer à força para tentar tomar o controle da região separatista de Transdniester. “Depois que a Geórgia perdeu seus trunfos, todos os problemas pioraram e um conflito militar começou”, disse Medvedev ao presidente da Moldávia, Vladimir Voronin. "Esse é um alerta sério e creio que devemos lidar com outros conflitos em andamento que têm o mesmo contexto."
BOLÍVIA
Oposição pede ajuda
da OEA e da Igreja
Os governadores oposicionistas da Bolívia pediram que a Igreja Católica e a OEA (Organização dos Estados Americanos) atuem como mediadores a fim de impedir que o governo do presidente Evo Morales ponha em andamento um processo para sancionar definitivamente uma nova Constituição à qual se opõem, afirmaram meios de comunicação.
A solicitação foi confirmada um dia depois de Morales ter feito um novo convite ao diálogo, acompanhado de ameaças sobre recorrer a decretos presidenciais a fim de acelerar as reformas de cunho socialista que são criticadas pelos governadores da oposição. Essas reformas, que seriam consolidadas na nova Carta Magna, permanecem bloqueadas desde o início do ano devido aos processos de ampliação da autonomia realizados pelos governadores oposicionistas, em um conflito que, segundo a Igreja e observadores internacionais, colocou em risco a paz e a unidade da Bolívia.
LÍBIA
Após 22 horas, seqüestradores se rendem
Dois homens que seqüestraram um Boeing-737 da companhia Sun Air libertaram a tripulação, que permanecia refém, e se renderam, no fim da tarde de ontem, depois de mais de 22 horas em ação. O diretor-executivo da Sun Air, Murtada Hassan, disse acreditar que outros criminosos tenham escapado da aeronave horas antes, em meio aos passageiros libertados.
O avião levava 95 pessoas, entre passageiros e tripulantes, quando foi dominado, cerca de meia hora após a decolagem no Sudão. Quase duas horas depois, foi obrigado a pousar em Kufra (Líbia).
O cônsul do Sudão em Kufra (Líbia), Mohammed al Balla Othman, afirmou que os criminosos - da própria região de Darfur - foram levados à sala de embarque VIP do terminal. Conforme o diplomata, os dois pareciam exaustos e, ao fim, chegaram a pedir asilo na Líbia.
Durante as negociações, em contato com as autoridades da Líbia, o piloto do avião disse que havia “dez ou talvez mais” criminosos a bordo e que eles diziam “pertencer ao Movimento de Libertação do Sudão”. O grupo, então, exigiu autorização para voar da Líbia para Paris, onde vive o líder do movimento Abdel Wahid Mohammed Nur.
No entanto, em declaração à rede de TV Al Jazira, Nur negou o envolvimento no seqüestro.
ZIMBÁBUE
Mugabe está disposto
a ignorar a oposição
O ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, está disposto a formar um governo no país sem atender a exigência da oposição para que se forme um gabinete de união nacional entre todos os partidos representativos do país, conforme haviam acordado.
Em declarações publicadas pelo diário governista “The Herald”, Mugabe, que governa o Zimbábue desde sua independência do Reino Unido, em 1980, afirma que “em breve um novo governo será designado” e acrescenta que o opositor Movimento para a Mudança Democrática “parece não querer fazer parte dele”.
Segundo Mugabe, seu próximo governo será de “administradores”, pois considera que seu atual gabinete foi “o pior da história do país”.
Por sua parte, o MDC, liderado pelo opositor Morgan Tsvangirai, exige que prossigam as negociações para formar um governo de união nacional, como acertado em 21 de julho em Harare com o partido de Mugabe, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica.
Véu islâmico
Um vigilante da galeria de arte Ca’ Rezzonico de Veneza expulsou uma mulher que havia entrado no local com o rosto coberto por um véu islâmico, que só exibia seus olhos, informou ontem a imprensa italiana. A turista visitou domingo o museu e não teve qualquer problema na entrada e nas bilheterias do museu. No entanto, um dos seguranças se dirigiu a ela enquanto percorria as salas e afirmou que ela teria de tirar o véu ou abandonar o local, já que o regulamento impede o acesso com o rosto coberto.
A direção do museu reconheceu que esta proibição está em vigor, mas informou que o segurança não trabalhará mais no museu, pois é preciso interpretar as normas com mais flexibilidade.
Farc
Autoridades equatorianas denunciaram a presença na fronteira com a Colômbia de membros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Além disso, haveria também paramilitares colombianos na região. “As Farc receberam duros golpes ultimamente, mas não se evidencia nenhuma diminuição da presença e da penetração do grupo na fronteira equatoriana”, afirmou o ministro de Defesa, Javier Ponce.
Segundo Ponce, outro fator de preocupação é o rearmamento das Autodefesas Unidas da Colômbia, um grupo paramilitar. O ministro disse ainda que membros desse grupo estão participando de quadrilhas em território equatoriano, cometendo crimes como seqüestros e extorsões. |